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Segurança

Onda de crimes no Litoral Norte paulista

Assaltos a lojas, restaurantes e caixas eletrônicos assustam moradores e comerciantes

8.nov.2013 por Angela Pinho

A empresária Karen Martins achou que fazia um grande negócio quando abriu, em 2009, a Pekar, uma joalheria na Praia de Juqueí, em São Sebastião. Encontrou localização tranquila e clientela com alto poder aquisitivo. Nos últimos seis meses, no entanto, a loja virou uma dor de cabeça. Já foi assaltada quatro vezes. A poucos quilômetros dali, na Praia de Camburizinho, o Pura Bar sofreu recentemente um arrastão à 1 da manhã, quando recebia uma festa de aniversário para cerca de vinte pessoas. No mesmo período, em Camburi, o restaurante Pitangueira foi invadido por bandidos armados em uma sexta-feira. Os alvos foram os convidados de um casamento que ocorreria no fim de semana. Eles perderam celulares, joias e carteiras. Casos como esses vêm assustando moradores e turistas do Litoral Norte. De janeiro a setembro de 2013, o número de roubos aumentou em quase todas as cidades da região em relação ao mesmo período do ano passado. A situação mais preocupante é a de Caraguatatuba, com incremento de 33% nessa modalidade de crime. Depois, aparecem Ubatuba (14%) e São Sebastião (4%). A única cidade onde houve redução foi Ilhabela (21%).

Karen Martins, dona da joalheria Pekar, assaltada quatro vezes em 2013
Karen Martins, dona da joalheria Pekar, assaltada quatro vezes em 2013
(Foto: Lucas Lima)

Nos quatro municípios, ataques a caixas eletrônicos se disseminaram. Uma mesma máquina de Maresias, em São Sebastião, já sofreu saques em pelo menos três ocasiões. Em Boiçucanga, ali por perto, uma tentativa de assalto no mês passado acabou em troca de tiros entre ladrões e policiais na frente de um shopping. Nas ações mais ousadas deste ano até agora, bandidos agiram como os antigos piratas, fugindo de barco com o dinheiro. Foram três investidas como essa em Ilhabela e uma em Ubatuba. “Não há nada fora de controle, mas os números deixam um sinal de alerta”, diz o delegado Cléber Henrique de Oliveira, que, desde maio, é o responsável pela região. Segundo ele, boa parte dos crimes está associada ao consumo de drogas. Assim, a polícia tem concentrado esforços no combate ao tráfico. “Um caso típico é o do dependente que pega o carro do turista para fazer algum trajeto e abandona o veículo depois”, afirma. De acordo com Oliveira, 79% dos automóveis levados no Litoral Norte foram localizados, e quadrilhas envolvidas nos ataques a caixas eletrônicos de Ilhabela e no assalto à joalheria acabaram presas. “Desde o começo do ano, detivemos sete pessoas, em média, por dia”, contabiliza. Para reforçar o policiamento, em setembro Oliveira criou o Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), composto de seis agentes que realizam rondas nas praias da costa das 8 da noite às 2 da manhã. Para o delegado, uma dificuldade adicional para a atuação da polícia é o fato de que cerca de metade das vítimas é turista. Como essas pessoas moram longe, acabam demorando para prestar depoimento e reconhecer os suspeitos, o que arrasta as investigações. “Muitas nem sequer fazem a queixa”, diz.

Já os moradores reclamam do baixo número de policiais fora dos meses de temporada, 455 em todo o Litoral Norte. No verão, o contingente chega a duplicar para atender ao fluxo adicional de visitantes — a população de 300 000 pessoas quadruplica nessa época. Em São Sebastião, há uma guarda municipal com 63 homens, mas não é o suficiente. “Para ter dois vigias 24 horas em cada uma das nossas 35 praias, seriam necessários 423 homens. Não podemos pagar”, afirma o prefeito Ernane Primazzi.

Ernani Primazzi, prefeito de São Sebastião: para ele, é preciso mais policiamento
Ernani Primazzi, prefeito de São Sebastião: para ele, é preciso mais policiamento
(Foto: Mário Rodrigues)

Cansados de esperar por providências, comerciantes, moradores e turistas têm agido por conta própria para melhorar a segurança. A comerciante Karen, da joalheria de Juqueí, deixou de abrir o seu ponto durante os dias de semana e chama dois seguranças aos sábados e domingos. Ela pensa em fechar o negócio depois das férias de verão. “Por causa da violência, não dá lucro”, diz. Jean Gras, proprietário do restaurante Pitangueira, em Camburi, comprou um “botão do pânico” após o assalto: ao ser acionado, o dispositivo alerta uma central de vigilância. Câmeras deixaram de ser um privilégio de donos de mansões e são encontradas facilmente em pequenos estabelecimentos. Uma das empresas do setor de segurança privada, a Patrol registrou um aumento de 80% na venda de alarmes nos últimos três anos em São Sebastião.

A iniciativa mais vistosa nessa área deve entrar em operação nos próximos dias: um centro de monitoramento que funcionará 24 horas, planejado pela Sociedade Amigos do Bairro da Praia da Baleia. Para construí-lo, foram gastos 400 000 reais, divididos entre 580 associados. Funcionários da sociedade vão verificar dia e noite imagens transmitidas por oito câmeras, duas na praia e seis na rua principal. A próxima etapa do sistema prevê a instalação de monitores nas sete entradas da praia e a interligação com as portarias dos condomínios.

No futuro, o centro de monitoramento também deve receber filmagens das três praias vizinhas — Barra do Saí, Camburi e Camburizinho. Para isso, as associações desses bairros precisam comprar e instalar os aparelhos. A central tem capacidade para armazenar imagens de até 72 equipamentos. “O objetivo é evitar os problemas que têm ocorrido em outras praias”, explica o coordenador operacional da entidade, Eduardo Nunes. Desde 2002, a Baleia teve apenas um furto a residência e nenhum assalto. Com menos dinheiro, a associação de moradores de Camburizinho comprou, no segundo semestre do ano passado, um sistema de rádio para que porteiros de condomínios e salva-vidas da praia se comuniquem em caso de necessidade.

O salva-vidas Luiz Fernando Laura com rádio para se comunicar com porteiros de condomínios
O salva-vidas Luiz Fernando Laura com rádio para se comunicar com porteiros de condomínios
(Foto: Mário Rodrigues)

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