Esporte

A preparação dos principais atletas paulistanos para as Olimpíadas

A trajetória das figuras que são apostas para a conquista de uma medalha de ouro nos Jogos do Rio, em agosto

Por: Mauricio Xavier

Robert Scheidt ibirapuera
O iatista Robert Scheidt no lago do Ibirapuera: sonho de conquistar o tricampeonato olímpico (Foto: Antonio Milena)

Desde 1920, quando uma delegação brasileira foi enviada pela primeira vez a uma Olimpíada, em Antuérpia, na Bélgica, 73 representantes do país colocaram a medalha de ouro no peito. Nada menos que vinte nasceram ou construíram boa parte da carreira aqui, praticamente um terço do total. Por esse critério, foram contabilizados, por exemplo, Cesar Cielo e Maurren Maggi. O nadador e a saltadora são do interior do estado, mas moraram e treinaram na capital. A conta põe São Paulo no topo da liderança nacional do ranking de cidades com mais campeões, seguida por Rio de Janeiro (onze).

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Da safra que vai marcar presença nos Jogos do Rio, entre 5 e 21 de agosto, constam destaques como o velejador Robert Scheidt, com dois primeiros lugares no pódio no currículo (Atlanta-1996 e Atenas-2004). Outra estrela da delegação é o técnico de vôlei José Roberto Guimarães, comandante em três conquistas olímpicas, uma à frente dos homens (Barcelona-1992) e duas com as mulheres (Pequim-2008 e Londres-2012). Confira nas páginas a seguir esses e outros ícones esportivos, fotografados como se estivessem praticando sua modalidade em nossos cartões-postais ou em cenas com referências paulistanas, enquanto revelam um pouco da relação que têm com a metrópole.

Ippon no Municipal

Tiago Camilo judoca
Tiago Camilo, judoca, no Teatro Municipal (Foto: Antonio Milena)

O quimono faz parte da vida de Tiago Camilo desde os 5 anos. Por vezes, no entanto, ele imagina que desempenha outra profissão. “O judô é um esporte muito plástico, tem detalhes como a pegada no colarinho, a projeção sobre o adversário, a queda no tatame”, descreve. “Quando encaixo um golpe perfeito, eu me sinto praticando uma espécie de arte.”

Para quem gosta de comparar seu esporte a um balé de golpes, não há palco melhor de exibição que as imponentes galerias do Teatro Municipal. “A beleza do lugar é impactante, nunca esqueci a primeira vez em que estive aqui, muitos anos atrás.” Morador da Vila Olímpia, ele divide seu tempo entre o Clube Pinheiros (onde treina e do qual é sócio benemérito), os restaurantes dos Jardins (como A Figueira Rubayat) e a favela de Paraisópolis (lá, ele mantém uma unidade de um instituto para ensinar a modalidade a crianças carentes). Aos 33 anos e com uma prata e um bronze no currículo, Camilo tem a última chance de levar o ouro olímpico. Mas, independentemente do que ocorrer no tatame do Rio, ele já comemora a longevidade da carreira. “Competi muitos anos com alto rendimento,e isso me deixa feliz”. TIAGO CAMILO, JUDOCA

 

Uma nadadora entre as feras do mar

Poliana Okimoto nadadora aquário
Poliana Okimoto, maratonista aquática, no Aquário de São Paulo (Foto: Antonio Milena)

Em 2009, Poliana Okimoto tornou-se a primeira brasileira a faturar a Copa do Mundo de Maratona Aquática. Mesmo atropelando as adversárias em percursos de 10 quilômetros, ela carregava uma secreta inquietação a cada braçada: o pavor dos habitantes do oceano. “Comecei no esporte por ter boa resistência na piscina, mas a transição foi sofrida, saí da praia chorando de medo nos primeiros treinos”, lembra. Em 2011, durante uma prova na Patagônia, na Argentina, Poliana nadou em meio a imensos leões-marinhos.

Apesar dos sustos, diz que isso não interfere em seu desempenho. “Esqueço tudo na hora da competição.” Para provar que é capaz mesmo de superar o medo, ela topou entrar no tanque dos peixes amazônicos do Aquário de São Paulo, onde circulou entre tucunarés e pirarucus. “Achei que ia ser mais difícil.” Seu treino, felizmente, é realizado em piscina: cinco horas por dia no Clube Esperia, em Santana. No Rio, a atleta vai encarar as adversárias em Copacabana. Nascida na Penha, onde viveu até os 20 anos, Poliana mora hoje no Tatuapé e só deixa a região para cumprir seus compromissos esportivos. “Amo a Zona Leste e não a troco por lugar nenhum.” POLIANA OKIMOTO, MARATONISTA AQUÁTICA

 

Vale gol de mão no campo

Mayara Moura handebol
Mayara Moura, jogadora de handebol, no Allianz Parque (Foto: Antonio Milena)

Mayara Moura frequenta quadras de handebol desde antes de nascer. De fato, sua mãe, Rita, disputou partidas oficiais até por volta do terceiro mês de gravidez. “Minha família inteira se envolveu com o esporte; meu pai é técnico e meus irmãos também jogam”, conta. “Ganhei a primeira bola aos 8 anos, não consigo me imaginar fazendo outra atividade.” Integrante da seleção brasileira que conquistou o histórico e inédito título mundial em 2013, a central canhota está em fase final de recuperação de uma lesão em um ligamento do joelho direito.

Paranaense de nascimento e hoje moradora do Alto de Pinheiros, ela gosta de organizar happy hours com colegas do Clube Pinheiros em barzinhos da Vila Madalena. Ao ser fotografada no gramado do Allianz Parque, confessou que estava fazendo a alegria do pai, Ralph. “Sou sãopaulina como a minha mãe, mas ele é palmeirense.” MAYARA MOURA, JOGADORA DE HANDEBOL

 

Favoritismo à flor da pele

Arthur Zanetti
Arthur Zanetti, ginasta (Foto: Antonio Milena)

O ouro conquistado na prova de argolas em Londres, em 2012, ficou marcado no corpo. Desde 2013, o ginasta Arthur Zanetti carrega uma tatuagem com o formato da medalha no lado direito do abdômen. O plano? Desenhar outra ao lado, ainda neste ano, após amealhar a segunda vitória olímpica, no Rio. No topo de sua modalidade nos últimos três anos, Zanetti tem treinado quase sete horas por dia, inclusive aos sábados, em um ginásio de São Caetano do Sul, para atingir o objetivo.

As privações da preparação o impedem de praticar outros esportes de que gosta, como o surfe, pelo risco de se machucar. Sua programação restrita em direção aos Jogos é traçada até mesmo quando ele está dormindo. “Às vésperas da Olimpíada de 2012, eu sonhava com frequência que conquistava a medalha de ouro”, relembra. “Isso voltou a acontecer recentemente, mas, por enquanto, ainda não ‘ganhei’ de novo, o sonho sempre termina antes do fim da competição”, diz, ansioso. Nas raras folgas dos aparelhos, o atleta costuma passear no centro e no Ibirapuera com a namorada, Juliana, e a bull terrier Ivy. “O parque é um lugar movimentado e calmo ao mesmo tempo. Gosto disso.” ARTHUR ZANETTI, GINASTA

 

Paciência de um monge

José Roberto Guimarães vôlei mosteiro são bento
José Roberto Guimarães, técnico da seleção feminina de vôlei, no Mosteiro de São Bento (Foto: Antonio Milena)

Ao longo dos últimos doze anos, o técnico José Roberto Guimarães, da seleção feminina de vôlei, entra pelo menos uma vez por semana no Mosteiro de São Bento, por volta das 7 da manhã, e senta em um dos bancos no fundo da igreja. Dali, assiste à missa e ouve o canto gregoriano. Figura carimbada na área, ele costuma ser cumprimentado pelos seguranças e, vez ou outra, distribui autógrafos. “São sempre as mesmas pessoas que vêm nesse horário, acabo conhecendo todo mundo de vista”, diz Zé Roberto, ex-coroinha e de família católica praticante.

A relação próxima com o mosteiro o levou a usar uma medalhinha de São Bento. “Não a tiro do pescoço por nada”, jura. Conhecido por seu jeito calmo e paciente, o treinador mostra-se ansioso com a proximidade da Olimpíada. Em contagem regressiva, ele é capaz de dizer de bate-pronto quantos dias faltam exatamente para os Jogos do Rio. “Estou me preparando desde que a última bola caiu no chão em Londres”, diz. Aos 61 anos, Zé Roberto vive ainda uma situação curiosa.

Apesar de ser tricampeão olímpico — Barcelona-1992 com a seleção masculina, Pequim-2008 e Londres-2012 com a feminina —, ele não tem nenhuma medalha guardada em casa. Isso porque o Comitê Olímpico Internacional não entrega a comenda aos técnicos, apenas aos atletas. “Nunca me fez falta, levo o cargo como uma missão e apenas agradeço por ter tido a oportunidade de viver aquele momento e deixar esse legado.” JOSÉ ROBERTO GUIMARÃES, TÉCNICO DA SELEÇÃO FEMININA DE VÔLEI

 

Um barco na rota de um recorde

Roberto Scheidt ibirapuera
Roberto Scheidt, velejador, no Parque do Ibirapuera (Foto: Antonio Milena)

Dono de dois ouros, duas pratas e um bronze, Robert Scheidt poderá isolar-se como o maior medalhista olímpico brasileiro — hoje, ele está empatado com o também velejador Torben Grael. Para as regatas no Rio, seu barco da classe Laser passou por uma mudança quase imperceptível: há uma minúscula reprodução das mãos dos dois filhos, Erik, 5 anos, e Lukas, 2, em um canto da vela. “Minha vida mudou muito desde que estreei em Atlanta, em 1996”, diz. “Disputei cinco Jogos, competi por duas classes, tornei-me pai de família e sei exatamente o que fazer para chegar ao pódio.”

Formado no Yacht Club Santo Amaro, o paulistano de 42 anos não esconde que a Represa de Guarapiranga é seu local preferido na capital. Mas o Parque do Ibirapuera ocupa um ilustre segundo lugar nesse ranking. No último 18 de janeiro, Scheidt teve a chance de colocar seu veleiro no lago do parque, uma honra raramente concedida, a fim de posar para o ensaio de VEJA SÃO PAULO. “O dia estava lindo e com vento, consegui realizar manobras com o cenário da cidade ao fundo”, diz. “Foi uma experiência inédita.” ROBERT SCHEIDT, VELEJADOR

 

gráfico olimpíadas
(Foto: )
gráfico olimpíadas
(Foto: Antonio Milena)
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  • Italianos

    Aguzzo Cucina e Vino

    Rua Simão Álvares, 325, Pinheiros

    Tel: (11) 3083 7363

    VejaSP
    3 avaliações

    Desde janeiro, a cozinha voltou a ser comandada pelo chef Alessandro Oliveira, responsável pela melhor fase da casa em tempos passados. São acertos do bom cozinheiro o nhoque colorido por açafrão ao ragu de ossobuco (R$ 72,00) e o saborosíssimo robalo com camarão, ervas, alcachofra e cogumelo shiitake fatiado na companhia de risoto de aspargo (R$ 93,00). Doce francês, o creme brûlé (R$ 26,00) é preparado com uma interferência italiana: uma fina camada de Nutella.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Carnes

    Templo da Carne Marcos Bassi

    Rua Treze De Maio, 668, Bela Vista

    Tel: (11) 3251 1488

    VejaSP
    30 avaliações

    Continua uma das referências em carnes a churrascaria criada por Marcos Bassi e há três anos comandada por suas herdeiras, a viúva Rosa Maria e as filhas Tatiana e Fabiana. Embora os cortes tenham qualidade notável, isso não impediu um tropeço numa das visitas, que leva à perda de uma estrela. Solicitada como entrada, a costelinha de porco (R$ 68,00) só apareceu junto com as carnes, o ótimo prime rib (R$ 128,00), servido quase sem sal, e um assado de tira que era pura gordura (R$ 118,00). Essa mesma porção voltou à mesa após os pratos principais ressecada depois de dormir na grelha, coisa inadmissível em uma casa de tão alta categoria. No quesito dos acompanhamentos, a mandioca cozida continua inigualável (R$ 25,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bares variados

    Astor

    Rua Delfina, 163, Vila Madalena

    Tel: (11) 3815 1364

    VejaSP
    13 avaliações

    É o endereço classudo da Cia. Tradicional de Comércio, dona também do Pirajá e do Original. Cartazes, espelhos rabiscados e lustres antigos dão aura nostálgica ao endereço, ocupado por um público que passou dos 30 anos. A carta foi renovada com a inclusão de doze drinques, a R$ 31,00 cada um. Faz bonito o sutil fish house punch (brandy, rum, licor de damasco, limão e angustura), tirado diretamente da torneira de chope. Falando nele, o chopinho da Brahma (R$ 8,10) tem agora a companhia do appia (R$ 12,00), da Colorado, extraído com o colarinho bem denso. Quando vier o apetite, o picadinho (R$ 49,00) se mostra uma boa escolha. Chega com arroz, farofa, caldo de feijão e banana à milanesa.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Chocolates

    Cacao Sampaka - Rua Aspicuelta

    Rua Aspicuelta, 207, Pinheiros

    Tel: (11) 3032 0264 ou (11) 3032 0286

    VejaSP
    Sem avaliação

    A marca tem origem na Espanha e chegou por aqui em 2014 na forma de um quiosque de shopping. Não tardou para abrir uma loja mais estruturada, na Vila Madalena. São sugestões o bombom de tangerina com canela (R$ 6,00) e a pimenta-rosa coberta com chocolate (R$ 39,00; 100 gramas). Se a ideia for presentear, as barras de 100 gramas são uma boa opção. Há desde uma versão pura com 100% de cacau até uma outra feita de chocolate branco, rosa e morango (R$ 32,00 cada uma).

    Preços checados em 17 de novembro de 2015.

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  • Espetáculos de dança para crianças são raros. Se mesmo os adultos às vezes encontram dificuldade para embarcar na linguagem poética transmitida pelos movimentos corporais, o que esperar do público infantil? A atração Poetas da Cor saiu‑se bem ao encarar esse desafio. Sim, há alguns momentos de dispersão na plateia. No geral, porém, o programa diferente agrada e desperta a curiosidade. Na trama, as cores são as protagonistas. Elas ganham falas e expressões (além de muitos passos de dança, é claro) para demonstrar seus sentimentos. Os poucos diálogos trazem leveza ao desenrolar dos pequenos capítulos, que abordam ainda como seria a interação do vermelho com o azul ou o amarelo, por exemplo. O que se vê no palco são cinquenta minutos de bonitas coreografias, acompanhadas por uma potente direção de luz. Valorizam a performance dos bailarinos Anderson Gouvea, Alessandra Fioravantti, Elizandro Carneiro, Felipe Sacon, Manu Fadul e Orlando Dantas, dirigidos por Miriam Druwe, os figurinos bem bolados, de autoria de Marco Lima, também responsável pelo cenário. Recomendado a partir de 5 anos. Estreou em 23/10/2015. Até 21/4/2016.
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  • Deadpool, ainda em cartaz, é um bom exemplo de como os filmes de super‑heróis podem se reinventar criativamente. Batman vs Superman — A Origem da Justiça também tentou ousar unindo duas “celebridades” da DC Comics no cinema. Mas, ao contrário do que se vê em Deadpool, há muito barulho e pouca inventividade no longa‑metragem dirigido com estridência por Zack Snyder (de 300 e O Homem de Aço). O roteiro se “moderniza” ao pôr Superman (Henry Cavill) para salvar a amada Lois Lane (Amy Adams) de terroristas no deserto africano. Mas o violento resgate passa a ser questionado, chega aos tribunais de Washington e deixa o Homem de Aço numa situação embaraçosa e em crise existencial. Quem ainda remói o passado é Bruce Wayne/Batman (Ben Affeck), que, aqui, tem o objetivo de descobrir as verdadeiras intenções do dissimulado empresário Lex Luthor (Jesse Eisenberg). São 153 minutos (um tanto arrastados) para um espetáculo movido a efeitos visuais espalhafatosos e trilha sonora grandiloquente. Se estiver ansiosamente esperando pelo confronto do título, aconselha‑se comprar o maior balde de pipocas. Lá pela meia hora final, Batman vai enfrentar Superman em uma luta estúpida (e a justificativa para o embate não se sustenta). A plateia bateu palmas na sessão (lotada) para a imprensa no surgimento da atriz Gal Gadot fantasiada de Mulher‑Maravilha. Há um entusiamo para a cena. Diante de dois galãs interpretando no piloto automático e metidos em roteiro confuso, só mesmo uma beldade com tutano e garra para levantar os ânimos. Estreou em 24/3/2016.
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  • Marcada na literatura pelo best-seller Entrevista com o Vampiro, Anne Rice voltou-se em Christ the Lord: Out of Egypt à infância de Jesus. O Jovem Messias, a adaptação do livro para o cinema, tem produção de Chris Columbus (Esqueceram de Mim) e direção do americano de origem iraniana Cyrus Nowrasteh (de O Apedrejamento de Soraya M.). Embora o trio envolvido no projeto seja respeitável, o filme deixa a desejar. A história começa de forma impactante. Aos 7 anos e vivendo com os pais em Alexandria, no Egito, Jesus (papel de Adam Greaves-Neal) é acusado pela morte de um menino. Consegue, porém, trazê-lo de volta à vida apenas com o toque das mãos. Temendo represálias e com a morte do rei Herodes, a família decide regressar a Nazaré. O drama não foge à regra dos filmes bíblicos e segue uma cartilha cristã para não decepcionar o público-alvo. Mas há deslizes: falta carisma ao protagonista mirim, o demônio (Rory Keenan) recorre à caricatura e a trama carece de emoção. Estreou em 24/3/2016.
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  • Chamar de Desajustados este sensível drama islandês é um desrespeito com os personagens. Fúsi (nome original do longa-metragem e do protagonista) ou Virgin Mountain (montanha virgem, seu título em inglês) são mais decentes. Na trama, Fúsi (papel de Gunnar Jónsson, do recente A Ovelha Negra) trabalha no setor de carga e descarga de malas do aeroporto e mora com a mãe. Grandalhão com alma de criança e extremamente tímido, Fúsi vira vítima de chacotas e humilhações dos colegas. Desengonçado e démodé, ele ainda não perdeu a virgindade aos 43 anos. Ao conhecer Sjöfn (Ilmur Kristjánsdóttir) numa aula de dança, parece encontrar um novo rumo na vida. Dagur Kári, diretor e roteirista de 42 anos, traz à tona uma história de pessoas solitárias, carentes e depressivas (e não desajustadas!). Por mais que o cotidiano delas seja tedioso (assim como a maioria dos registros vindos da Islândia), a trama encontra amparo na solidariedade e, dela, nasce um respiro de esperança. Estreou em 24/3/2016.
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  • O drama Ratos e Homens, de John Steinbeck, revelou há seis décadas o diretor Augusto Boal no mítico Teatro de Arena. É difícil compreender por que o texto de 1937, tão aberto às releituras, tenha ficado esquecido por tanto tempo e só agora ganha oportunidade de redescoberta. Com o título de Sobre Ratos e Homens, a montagem comandada pelo encenador Kiko Marques reforça a visão realista do original ao sobrepor a individualidade ao idealismo e à amizade. Ricardo Monastero e Ando Camargo interpretam respectivamente os difíceis papeis de George e Lennie. Em um dueto afinado, eles imprimem empatia e consistência em dois papeis complementares em seus contrastes que facilmente poderiam escorregar na caricatura. O primeiro é baixo, franzino e prático; o segundo, tem força física, mas demonstra atraso intelectual e ingenuidade. Eles vivem de fazer bicos e sonham em ter a própria terra para garantir a sobrevivência. O emprego em uma fazenda reacende a possibilidade de concretização do ambicioso projeto. A presença de uma enigmática mulher (representada por Natallia Rodrigues), no entanto, surge como entrave para esse plano. Como diretor, Marques conseguiu um equilíbrio nas interpretações raro de se obter em um elenco numeroso, no caso de oito atores, e esse feito se deve basicamente ao respeito pela dramaturgia e o desvio de qualquer excesso. Nada parece mais importante que as palavras de Steinbeck e, assim, o recado é dado, aliviando qualquer tom panfletário em nome de um caráter humano. Com Luiz Serra, Gustavo Vaz, Cássio Inácio, Luciano Schwab e Tom Nunes. Estreou em 17/3/2016. Até 28/7/2016.
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  • No país do vale-tudo dos musicais, a trajetória efêmera da banda Mamonas Assassinas até que demorou para render um exemplar do gênero. Dirigido por José Possi Neto, O Musical Mamonas equivoca-se ao tratar o quinteto, morto em 1996, em um acidente aéreo, sete meses depois de estrear o disco, como se fosse detentor de uma obra capaz de sustentar um espetáculo. A dramaturgia de Walter Daguerre supervaloriza a curta história profissional do grupo, contada de forma linear em uma sequência de cenas arrastadas que totalizam quase três horas de duração. Por outro lado, Bento (Yudi Tamashiro), Dinho (Ruy Brissac), Júlio (Adriano Tunes), Samuel (Elcio Bonazzi) e Sérgio (Arthur Ienzura) são mostrados sem nenhuma variação de caráter ou comportamento. Eles não namoram, não fazem farras, não sofrem nem demonstram deslumbramento com a fama, sendo apresentados o tempo inteiro como rapazes brincalhões e inconsequentes. A ausência dessa faceta humana limita a identificação da plateia, que se envolve com os personagens somente durante a execução das populares canções do roteiro. Pelo menos, o elenco protagonista tem carisma para segurar o espírito irreverente do conjunto nessas interpretações, e Ruy Brissac aproxima-se da figura de Dinho. Já no time coadjuvante, um ator chama atenção: trata-se de Patrick Amstalden, versátil nos quatro personagens que defende, entre eles o produtor Rick Bonadio. Miguel Briamonte responde pela direção musical. Estreou em 11/3/2016. 
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  • O Free Jazz Festival nasceu em 1985 e foi rebatizado algumas vezes. Chamado agora de Brasiljazzfest, chega à sua 31ª edição em plena forma, com programação simultânea em São Paulo e no Rio. Uma das atrações mais aguardadas é o baterista Antonio Sanchez. Os ingressos para ver sua banda, Migration, na sexta (1º/4), no Auditório do Ibirapuera, estão esgotados. Mas os fãs dos solos improvisados e vigorosos do artista mexicano não ficarão na mão. No domingo (3/4/2016), ele se apresenta no palco externo do espaço. A performance gratuita será acompanhada da projeção em um telão de Birdman, filme premiado de Alejandro Iñarritu. Boa parte das músicas do longa foi composta por Sanchez. As batidas com suingue jazzístico que marcam a transição de uma cena para outra garantiram ao baterista o Grammy de melhor trilha sonora no ano passado.
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  • Estilos variados

    Dukke

    Rua Funchal, 619, Vila Olímpia

    Tel: (11) 3333 3302

    Sem avaliação

    A disputa pelo público frequentador da Vila Olímpia ficou mais acirrada desde dezembro. Foi quando o empresário Gustavo Alckmin, primo beeem distante do governador, inaugurou o Dukke, onde antes funcionava o Bar Fidelis. Atraem a clientela, sempre de visual bem montado, o espaço amplo de 860 metros quadrados (200 deles só de pista) e a miscelânea musical das festas. A principal noitada é a Quinta Farra. Nesta semana, depois do EDM de Calvin Harris, hits do R&B, como Watch Nae Nae, de Silentó, ou Lean on, do Major Lazer, mais faixas de funk e arrocha preparam o clima para a chegada do convidado, Buchecha. Ele apresenta as novidades do disco Funk Pop (2015) e os sucessos da sua antiga dupla.

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  • Paixão é sofrimento

    Atualizado em: 24.Mar.2016

Fonte: VEJA SÃO PAULO