Exposições

“Olhar com Outro Olhar” tem interatividade ao extremo

Mostra no Museu do Futebol leva espectadores a experimentar a visita como se fossem deficientes visuais

Por: Jonas Lopes - Atualizado em

Olhar com Outro Olhar - Museu do Futebol - 2223
Bancadas com a mesma imagem exibida em relevo (à esq.), em alto contraste (à dir.): flexibilização do conceito de normalidade (Foto: Fernando Moraes)

Uma das principais qualidades das mostras do Museu do Futebol, tanto as temporárias quanto as do acervo, sempre foi a interatividade. Essa característica é explorada ao extremo na nova montagem do espaço, Olhar com Outro Olhar. Com ela, o museu pretende induzir o público a vivenciar a visita como se fosse deficiente visual. A inspiração, segundo o curador Leonel Kaz, surgiu de pesquisas recentes sobre a relação entre o nosso cérebro e a tecnologia. “Queremos questionar e flexibilizar o conceito de normalidade”, diz Kaz.

Olhar com Outro Olhar - Museu do Futebol - 2223
Campo de futebol em forma de maquete: estímulo à sensibilidade (Foto: Fernando Moraes)

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Três obras integram “Olhar com Outro Olhar”. Em uma delas, o visitante entra em uma sala escura e, por meio de fotografias alternadas com rapidez e a balbúrdia produzida por quatro caixas de som, conhece o futebol de cinco. No esporte, praticado por cinco jogadores, somente o goleiro enxerga. Os atletas se localizam através da fala, e a torcida só pode se manifestar nos gols. Na instalação “Veja Bem”, de Paulo Climachauska, as letras se turvam aos poucos numa tabela de oftalmologista. Há ainda uma fotografia exibida em cinco versões: braile, relevo, alto contraste, maquete e audiodescrição. Só no final o espectador poderá ver a imagem em si. “Trata-se de uma maneira de estimular os sentidos”, diz a diretora executiva do museu, Clara Azevedo.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO