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Obras causam transtornos e irritam paulistanos

Veja o que dizem moradores e frequentadores de regiões que passam por construções e o prazo em que elas, finalmente, terminam

Por: Bruna Ribeiro - Atualizado em

Obras em Pinheiros
Obra quebrou ruas e calçadas para construção de novas redes de esgoto, de distribuição de água, iluminação e eletricidade, em Pinheiros (Foto: Adriano Conter)

As obras de infraestrutura são as mais importantes para uma cidade, mas também as mais perturbadoras. Antes de chegar o tão esperado metrô ou aquele corredor de ônibus que promete solucionar os problemas do trânsito, são meses de barulho, poluição e reclamação dos moradores do entorno.

“A prefeitura fecha as ruas, sem avisar. Você fica rodando para achar um caminho simples, porque tudo é mal sinalizado. A falta de informação é o que mais irrita”, diz a farmacêutica Eliane Ataides, 38 anos, moradora da Rua Sumidouro, em Pinheiros.

A região passa por obras que são parte do projeto de reconversão urbana do Largo da Batata e Entorno, que inclui a ampliação do sistema viário local, recuperação de calçadas com infraestruturas como drenagem, redes coletoras de esgotos e valas subterrâneas destinadas ao enterramento das redes aéreas de energia elétrica. As construções exigem que ruas e calçadas sejam quebradas, o que interrompe o tráfego local e causa barulho e poluição.

Embora as grandes obras tenham impacto no funcionamento da cidade, elas são absolutamente necessárias, defende Rosana Helena Miranda, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. “A população tem de conviver com o transtorno por um período para a solução de um problema do futuro”, disse.

Para a professora, falta transparência e diálogo do governo com a população sobre os impactos que as obras vão causar durante o período. “O que irrita é que um dia você acorda com uma obra ao lado da sua casa, sem saber o que está acontecendo”, afirma. “É preciso aprimorar essa relação do poder público com a população de São Paulo. Se você sabe quando a obra vai começar, o que será feito e qual será o benefício futuro, você se torna mais tolerante”.

Veja cinco obras que irritam os paulistanos atualmente, os depoimentos dos moradores e frequentadores das regiões e os prazos em que as construções, finalmente, terminam.

 

Viaduto Orlando Gurgel

A obra: recuperação estrutural da passagem afetada pelo incêndio ocorrido na favela do Moinho, em 17 de setembro, que fica embaixo do viaduto. Ele liga a zona norte da capital à Avenida Rio Branco, região central da cidade.

Quando começou: setembro de 2012

Quando termina: março de 2013

Custo: não estimado, pois foi uma obra de emergência.

O que incomoda: “O meu ônibus teve de mudar o itinerário, pois não pode passar mais no viaduto. Eu já demorei 40 minutos até o metrô São Bento e agora preciso pegar o ônibus em outro ponto, longe daqui”, reclama a consultora de seguros Eliane Grana, 21 anos.

O fim justifica o meio? Na opinião da própria consultora, o transtorno se justifica pelo risco que o viaduto afetado no incêndio representa para a região. “Se não houvesse a reforma, arriscaria a vida de muitas pessoas, tanto as que vivem na favela embaixo do viaduto, quanto as que passam por ele”.

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Obra de infraestrutura no Largo da Batata, em Pinheiros (Foto: Adriano Conter)

Largo da Batata

A obra: construção de um terminal de ônibus e garagem subterrânea. É parte de um projeto de recuperação do Largo de Pinheiros, chamado Projeto de Reconversão Urbana do Largo da Batata e Entorno, que prevê praças e novas áreas verdes, ampliação do sistema viário e recuperação de calçadas.

Quando começou: a primeira fase, com desapropriações e demolições, começou no final de 2007. A segunda fase, que iniciou com a construção do terminal de ônibus, garagem subterrânea e recuperação das ruas e calçadas, começou em janeiro de 2012.

Quando termina: parte da obra - que inclui o terminal de ônibus com capacidade para atender 140 mil passageiros por dia e a garagem subterrânea com 430 vagas - deve ser inaugurada em 15 de dezembro. A finalização das ruas e calçadas está prevista para março de 2013.

Custo: R$ 146,4 milhões.

O que incomoda: o comerciante José Sousa, 40 anos, diz que o principal problema é o impacto no trânsito. “Quando [a obra] começou, fizeram alguns desvios e o trânsito ficou terrível. Cheguei a demorar 1 hora da Rua Vital Brasil até o metrô Faria Lima”. Segundo ele, o comércio também foi prejudicado na região, pois o acesso foi dificultado com tantas interdições. Além disso, a reforma nas calçadas provocou quedas de pedestres e o acesso para deficientes também foi prejudicado.

O fim justifica o meio? “Espero que sim! Ou a tendência é piorar?”, questiona o comerciante.

 

Pinheiros

A obra: construção de novas redes de esgoto, redes de distribuição de água, iluminação pública e valas subterrâneas para as redes de energia elétrica e de telecomunicações. É o mesmo projeto que afetou o Largo da Batata, o Projeto de Reconversão Urbana do Largo da Batata e Entorno.

Quando começou: janeiro de 2012.

Quando termina: março de 2013

Custo: R$ 146,4 milhões (todo o projeto)

O que incomoda: Moradores se queixam da falta de informação. “A obra não acaba nunca. A prefeitura fecha as ruas, sem avisar. Você fica rodando Pinheiros para achar um caminho simples, porque tudo é mal sinalizado”, disse a farmacêutica Eliane Ataides, 38 anos, moradora da rua Sumidouro, em Pinheiros.

O fim justifica o meio? “Eu acho que tudo é válido, se for terminado, porque muitas vezes eles começam a obra e não te dão um prazo para terminar”, diz a moradora.

Canteiro da Avenida Sumaré em obras
Canteiro da Avenida Sumaré em obras: redução da calçada faz pedestres se arriscarem na rua (Foto: Adriano Conter)

Avenida Sumaré

A obra: recuperação do passeio central. A reforma prevê ainda o nivelamento da pista que é usada para caminhadas, a fim de evitar acidentes e deixá-la mais atrativa ao público.

Quando começou: junho de 2012

Quando termina: dezembro de 2012

Custo: R$ 2,1 milhões

O que incomoda: Quem passa todos os dias na região reclama do impacto no trânsito e a consequente poluição. “Às vezes o trânsito é prejudicado, porque eles deixam cavaletes”, diz o auxiliar contábil Dorival Mendes Viana, 62 anos, que caminha pela via a caminho do trabalho. Segundo ele, o lixo acumulado da obra também prejudicou a região.

O fim justifica o meio? Para o auxiliar contábil, a obra pode reduzir acidentes na área. “A rua estava muito perigosa. Havia muitos atropelamentos, porque, como não havia um caminho bom para caminhar, as pessoas andavam muito perto da guia e eram atropeladas”, disse.

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Calçada da Avenida Faria Lima em obras (Foto: Adriano Conter)

Calçadas da Faria Lima

A obra: padronização das calçadas de modo a oferecer acessibilidade e ciclovia no canteiro central da via. A ciclovia da Faria Lima será feita entre a Rua dos Pinheiros e a Avenida Cidade Jardim, no canteiro central, ligando a estação do metrô Faria Lima ao restante da avenida.

Quando começou: setembro de 2011

Quando termina: A revitalização do passeio entre as avenidas Rebouças e Cidade Jardim foi entregue em novembro. O trecho entre a Rua dos Pinheiros até a Av. Rebouças, com extensão de 0,7 km, segue em obras com previsão de entrega para primeira quinzena de dezembro.

Custo: Cerca de R$ 10 milhões

O que incomoda: “Muita sujeira e o caminho ficou estreito para o volume de pessoas, que é grande, principalmente no começo. Algumas pessoas caíram e se machucaram. Já cheguei a ver piso tátil colocado de forma errada, que conduzia até uma árvore ou parede”, disse o designer Frederico Almeida, 28 anos.

O fim justifica o meio? “De certa forma, sim. É um transtorno muito grande, mas é difícil pensar em uma forma de amenizar isso, pois tiveram de quebrar tudo”, afirma ele.

Fonte: VEJA SÃO PAULO