Paulistanas Nota 10

Amigas comandam ONG que oferece cursos e creche para pessoas carentes

Por ano, a Obra do Berço, liderada por Vera Helena Pires Dias e Maria Bernadette Anhaia Mello de Magalhães, ajuda cerca de 3 000 crianças e jovens

Por: Mariana Rosário

Vera Helena Pires e Maria Bernadette de Magalhães paulistano nota 10
“Eu me dedico a isso há quase quarenta anos e amo o que faço” Vera Helena (à esq.) (Foto: Leo Martins)

Em 1977, Vera Helena Pires Dias tinha acabado de se casar e estava terminando a faculdade de pedagogia na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Na época, chamou sua atenção o serviço comunitário da obra do Berço, que distribuía enxovais para bebês necessitados, e ela resolveu ajudar. Três anos depois, chegava à organização Maria Bernadette Anhaia Mello de Magalhães. Formada professora e atuando como decoradora, Bernadette tomou gosto pela coisa e passou a se dedicar integralmente à causa. A dupla juntou forças para repensar a dinâmica da entidade e assumiu, em meados da década de 80, o comando do projeto, até então tocado por senhoras tricoteiras.

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A primeira medida das amigas foi mudar o formato de entrega dos kits-maternidade. Para receber a doação, as mães teriam de participar de palestras e aulas sobre alimentação, higiene e economia doméstica, realizadas na sede da ONG, na Vila Mariana. “Elas ficavam muito felizes ao final dos eventos”, lembra Bernadette.

Daí para a frente, a iniciativa só cresceu. Hoje, oferece gratuitamente o serviço de creche, atendimento odontológico e cursos profissionalizantes para adolescentes. São três unidades, uma na Rua Borges Lagoa, uma no Jardim Rebouças e a outra no Jardim Ingaí, todas na Zona Sul da cidade. Esse último endereço teve o prédio cedido pela prefeitura. A administração municipal auxilia no orçamento da instituição desde 1998.

Atualmente, cobre aproximadamente 60% dos 500 000 reais gastos mensalmente para manter os trabalhos. O restante é arrecadado por meio de encontros beneficentes, como brechós e bingos idealizados por Vera e Bernadette. Voluntárias, elas não ganham salário pelos esforços. Tiram o sustento de rendimentos de negócios familiares.

Por ano, a Obra do Berço ajuda cerca de 3 000 crianças e jovens, entre 3 meses e 18 anos. Apesar do time de 130 funcionários remunerados, ainda falta muito para que a instituição acompanhe a demanda da região. Prova disso é a fila de espera por uma vaga em uma das creches, que chega a 500 nomes. “Queremos atender cada vez mais crianças”, afirma Vera. “Eu me dedico a isso há quase quarenta anos e amo o que faço.”

Obra do Berço. www.obradoberco.com.br.

Fonte: VEJA SÃO PAULO