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O que fazer neste sábado (04): cinema

Três bons filmes para assistir hoje

Por: Redação VEJA SÃO PAULO on-line

Cópia Fiel - 4
No estilo de Abbas Kiarostami: diretor privilegia diálogos e longos planos-sequência (Foto: Laurent Thurin Nal)

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  • O diretor turco radicado na Itália Ferzan Oztepek ("A Janela da Frente") sabe como poucos juntar héteros e homossexuais em um caldeirão de problemas pessoais comuns. Neste drama, ele usa a autenticidade para enfocar os reveses da vida e mostrar a importância dos amigos. Uma dúzia de personagens é apresentada aos poucos. Bem-sucedido escritor, Davide (Pierfrancesco Favino) divide seu espaçoso apartamento em Roma com o namorado, Lorenzo, o narrador (Luca Argentero) da história. Por lá também vivem Sérgio (Ennio Fantastichini), ex-companheiro de Davide, e o casal Nelav (Serra Yilmaz), uma tradutora turca, e o policial Roberto (Filippo Timi). O grupo se completa com a astróloga Roberta (Ambra Angiolini) e o par formado pelo bancário Antonio (Stefano Accorsi) e pela psicóloga Angelica (Margherita Buy). Entregue a atores competentes, o texto abarca desde a traição conjugal até o uso de drogas. Estreou em 03/06/2011.
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  • Antes ou depois do premiado e controverso "Gosto de Cereja" (1997), o cineasta iraniano Abbas Kiarostami quase sempre manteve o foco nos problemas e no povo de seu país — tanto em ficções, caso de "Através das Oliveiras" (1994), como nos documentários, a exemplo de "10 sobre Dez" (2003). De uns anos para cá, o diretor decidiu radicalizar ainda mais. No dificílimo "Shirin", de 2008, fez um registro das expressões faciais de uma plateia feminina diante da exibição de um filme romântico. Há algo também de inusitado, complexo, original e bem mais animado no drama "Cópia Fiel", que deu a Juliette Binoche o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes do ano passado. Em sua primeira fita rodada na Europa, Kiarostami acompanha a jornada de uma francesa na Itália. Dona de uma galeria em Arezzo, na Toscana, a quarentona interpretada por Juliette assiste, por vezes distraída, à palestra do escritor britânico James Miller (papel do barítono William Shimell). Trata-se de uma apresentação calorosa sobre as obras de arte e suas reproduções, as tais cópias fiéis. Após um breve encontro em sua loja, a personagem leva James para um passeio no encantador vilarejo de Lucignano. Tudo se passa num único dia. No bate-papo com a dona de um café, a protagonista muda o rumo da trama dizendo ser mulher do escritor. Os diálogos entre eles, antes impessoais e na língua inglesa, passam a ser em francês e atingem esferas mais íntimas. Quanto há de verdade e mentira no argumento de Kiarostami? Talvez nem mesmo o próprio fosse capaz de revelar. E é justamente sob o signo do insolúvel que faz a brincadeira de "Cópia Fiel" ficar ainda mais curiosa e fascinante. Em formidável jogo de cena, os dois atores (sobretudo Juliette) se desdobram para dar conta de atuações sob longos planos-sequência, uma especialidade do realizador, aqui se reafirmando como um dos mais instigantes do cinema atual. Estreou em 18/03/2011.
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  • Diretor de seriados de TV, Richard J. Lewis surpreende em seu segundo longa-metragem, injustamente ignorado nas indicações ao Oscar deste ano — concorreu apenas ao prêmio de melhor maquiagem. No papel principal, o hábil Paul Giamatti interpreta o produtor de televisão Barney Panofsky. Quando um livro sobre seu passado inglório é publicado, Barney passa a se lembrar de suas histórias de amor, sexo e amizade. Começa na Itália da década de 70 enfocando seu relacionamento com uma ruiva bipolar (Rachelle Lefevre). Tempos depois, no Canadá, Barney sente-se pressionado a se casar com uma ricaça judia (Minnie Driver), mas, na festa do matrimônio, encontra a mulher da sua vida: uma locutora de rádio de Nova York, interpretada por Rosamund Pike. São quarenta anos de uma trajetória regada a incertezas, acasos e fatalidades. Baseado no livro “A Versão de Barney”, de Mordecai Richler (1931-2001), lançado no Brasil pela Companhia das Letras, o realizador dá conta muito bem do recado apoiado por sutis recriações de épocas, narrativa absorvente e atuações exemplares — inclui-se aí a participação de Dustin Hoffman, que faz o pai do protagonista. Estreou em 21/04/2011.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO