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O que acontece nesta quinta (7): cinema

Selecionamos alguns filmes para assistir hoje

Por: Redação VEJINHA.COM - Atualizado em

Violeta Foi para o Céu
A atriz Francisca Gavilán em 'Violeta Foi para o Céu': drama biográfico dirigido por Andrés Wood, de “Machuca” (2004) (Foto: Divulgação)

+ O que fazer no feriado

  • Resenha por Tiago Faria.: O cineasta franco-polonês Roman Polanski estava confinado em seu chalé suíço quando começou a desenvolver a comédia “Deus da Carnificina”. Era início de 2010. Enquanto os jornais relembravam o motivo escandaloso da prisão domiciliar — o abuso sexual cometido em 1977 contra uma adolescente de 13 anos —, ele se afeiçoava mais e mais à peça teatral da francesa Yasmina Reza, encenada em São Paulo no ano passado. A identificação fazia sentido: compacto, o texto original isolava personagens e público entre as paredes de um apartamento. Proibido de entrar nos Estados Unidos, o autor de “O Pianista” usou efeitos visuais e um estúdio parisiense para ambientar a história em Nova York. Selecionado para a competição do Festival de Veneza de 2011, o longa-metragem não trai em nada o espírito da dramaturgia e, com um elenco afiado, perfila as obsessões (e as ironias irresistíveis) do realizador de dramas igualmente asfixiantes, como “Faca na Água”, “O Bebê de Rosemary” e “A Morte e a Donzela”. Desta vez, porém, ele dá preferência a um humor cáustico e nervoso. Uma breve cena externa abre e fecha a trama. Dois meninos brigam, e um deles leva uma surra. A partir daí, o roteiro concentra-se na guerra entre dois casais de classe média alta. A fim de selarem um acordo de paz, Michael e Penelope Longstreet (papéis de John C. Reilly e Jodie Foster), pais da vítima, recebem em sua casa Nancy e Alan Cowan (Kate Winslet e Christoph Waltz), cujo rebento iniciou a crise. Ao implodir a polidez de tipos supostamente tão sensatos, o diretor dispara uma provocação contra a hipocrisia dos politicamente corretos. Os selvagens, aqui, ocupam a sala de estar. Estreou em 07/06/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: No terceiro (e mais empolgante) episódio da cinessérie de animação, a Dreamworks (mesmo estúdio de "Shrek" e "Kung Fu Panda") faz uma aposta acertada na ação. Na trama, a girafa Melman, a hipopótama Gloria, o leão Alex e a zebra Marty criam um plano para deixar a África, onde levam uma vida muito pacata. Eles querem voltar para o zoológico onde moravam, no Central Park, em Nova York, e, no itinerário da aventura, fazem escalas em Monte Carlo, Roma e Londres. Estreou em 07/06/2012.
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  • Resenha por Tiago Faria: No drama biográfico “Violeta Foi para o Céu”, o diretor chileno Andrés Wood, do ótimo Machuca (2004), parece ter se desafiado a criar um filme tão intenso quanto o temperamento da também chilena Violeta Parra (1917-1967), uma das artistas latino-americanas mais completas do século XX. O esforço compensou. Com lirismo e emoção, o realizador construiu uma narrativa compatível com a obra vibrante da compositora, poetisa e pintora, símbolo forte da canção popular e folclórica de seu país. Vencedor da competição internacional do Festival de Sundance no início deste ano, o tributo evita o caminho fácil do didatismo e investe em um registro tomado por liberdades poéticas. Escrito a partir do livro homônimo escrito pelo filho da cantora (Ángel Parra), o roteiro não confunde o espectador mesmo ao embaralhar os principais episódios da vida de Violeta — da infância miserável ao suicídio. Nos trechos mais tocantes, as melodias de Volver a los 17, En los Jardines Humanos e El Gavilán definem o ritmo da trama, engrandecida por uma interpretação formidável de Francisca Gavilán. A atriz veste as contradições de uma mulher combativa, que jamais se afastou de suas maiores fontes de inspiração: o campo e o povo. Estreou em 07/06/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: Virou tendência transformar histórias infantis em filmes para o público adulto. Enquanto "A Garota da Capa Vermelha" foi uma desastrosa versão de Chapeuzinho Vermelho, "Espelho, Espelho Meu", lançado em abril, optou pelo viés do humor para levar às telas o conto da Branca de Neve. Mais bem-sucedido, "Branca de Neve e o Caçador" traz uma adaptação vigorosa e com algumas licenças para a fábula dos irmãos Grimm. Na trama, a princesa (Kristen Stewart) passa os dias infeliz e aprisionada. Tudo por causa de sua madrasta (Charlize Theron), que lhe tomou o trono após a morte do rei. A mocinha, porém, consegue fugir e, inconformada, a vilã contrata um caçador (Chris Hemsworth, o Thor) para abatê-la. Viúvo, o rapaz encontra Branca de Neve na Floresta Negra, um lugar infestado de criaturas assustadoras e de onde poucos humanos saíram vivos. Há outras alterações no original: o príncipe encantado (papel de Sam Caflin) é um amigo de infância da protagonista e os anões agora são oito e interpretados por excelentes atores de estatura normal, como Ian McShane, Ray Winstone e Toby Jones — há um bom truque para deixá-los pequeninos. Esqueça o desenho animado de Walt Disney da década de 30. O tom aqui mostra-se sombrio, dramático e sem ingredientes para agradar à criançada. Trata-se de uma relevante estreia do cineasta Rupert Sanders. Ele dá conta do recado ao imprimir um ritmo enérgico à narrativa, além de estar bem escudado em um time de especialistas. Entre eles, a figurinista Colleen Atwood (vencedora do Oscar pelo musical "Chicago") e Andrew Ackland- Snow, diretor de arte da cinessérie "Harry Potter". Sorte da plateia: sai a breguice de "Espelho, Espelho Meu" e entra um imponente visual medieval que faz ainda mais diferença entre os dois longas-metragens. Estreou em 1º/06/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: Em um desconcertante momento deste drama alemão, estudantes ouvem o octogenário polonês Stanislaw Krzeminski (papel de Ryszard Ronczewski), sobrevivente do holocausto, narrar sua trajetória. Um garoto, então, pede ao idoso que mostre a identificação impressa no braço, recebida no campo de concentração de Auschwitz. Faltam tato e bom-senso ao rapaz quando ele conclui que a tatuagem está muito apagada. A cena resume bem o espírito do enredo ao revelar o descaso da juventude com os trágicos episódios da II Guerra. Na trama, em vez de servir no Exército, Sven (Alexander Fehling) opta por sair de Berlim e prestar serviços comunitários na Polônia. Entre suas tarefas, deve zelar por Krzeminski — ambos vão ter de dividir as mesmas instalações, no museu de Auschwitz. Além de estranhar o idioma, Sven sofre com a hostilidade por causa de sua origem. Sem nenhum sentimentalismo, o filme enfoca uma Europa cada vez mais afastada de seu passado. Estreou em 1º/06/2012.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO