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O que acontece neste domingo (29): cinema

Bons filmes para assistir hoje

Por: Redação VEJINHA.COM - Atualizado em

Raul - o Início, o Fim e o Meio
'Raul - o Início, o Fim e o Meio': o nascimento do rock pela atitude de Raul Seixas (Foto: Divulgação)

+ O que fazer neste domingo (29)

  • Os irmãos Vladimir e Walter Carvalho seguiram na mesma direção em recentes trabalhos. Consagrado documentarista, Vladimir rememorou a ascensão das bandas brasilienses da década de 80 em "Rock Brasília — Era de Ouro". Premiado diretor de fotografia de Central do Brasil, Walter foi atrás da trajetória completa de Raul Seixas. Figura emblemática da música brasileira, o Maluco Beleza morreu em 1989, mas ainda possui uma legião de fãs. No entanto, o documentário "Raul — O Início, o Fim e o Meio" não se restringe a eles. Todos os ingredientes de uma boa cinebiografia estão lá. Cronologicamente e sem perder o fio da meada, o realizador vai do nascimento de Raul, na Salvador de 1945, à morte, 44 anos depois. Volta à Bahia para mostrar o fascínio do cantor por Elvis Presley na adolescência e o surgimento de Raulzito e Os Panteras, seu primeiro disco, gravado em 1968, no Rio de Janeiro. O sucesso, contudo, veio a partir dos LPs Krig-Ha Bandolo! (1973), contendo "Metamorfose Ambulante" e "Ouro de Tolo", e "Gita" (1974), trazendo, além da faixa-título, "Medo da Chuva" e "Sociedade Alternativa". Bom de papo e persistente, Walter Carvalho chegou a duas ex-esposas, três ex-companheiras, três filhas e um neto, alguns deles morando nos Estados Unidos — apenas Edith, a primeira mulher, se recusou a dar entrevista. O escritor Paulo Coelho, seu mais notório parceiro musical, não economizou palavras e lembrou ter apresentado a Raul as drogas, do ácido ao chá de cogumelo. Há outros trunfos, como apresentar personagens excêntricos entre os noventa entrevistados. Exemplos: Cláudio Roberto, coautor de "Rock das Aranhas" e "Cowboy Fora da Lei", e Edy Star, integrante do disco "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10", de 1971. Muitas imagens-relíquia também estão presentes, entre elas um show de 1975 no qual o roqueiro lê o texto da tal Sociedade Alternativa, formada a partir da "filosofia de vida" do bruxo inglês Aleister Crowley (1875-1947), e cenas do obscuro filme em super-8 "Contatos Imediatos do Quarto Graal", em louvor ao satanismo. Levado em narrativa hipnótica, o documentário tem algumas apelações, como fazer sua humilde secretária voltar ao apartamento onde ele foi encontrado morto ou mostrar seu rosto no caixão. Talvez sejam tentativas de comover a plateia. Nem precisava. Só de ouvir as canções do Maluco Beleza os espectadores já se emocionam. Toca Rauuul! Estreou em 23/03/2011.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: Francês de Marselha, o diretor de "A Cidade Está Tranquila" (2000) e "Marie-Jo e Seus Dois Amores" (2002) reúne sua turma de atores prediletos e roda em sua cidade natal mais uma crônica atual, com temas contundentes e discussões oportunas. O drama está centrado no par formado por Marie-Claire (Ariane Ascaride) e Michel (Jean-Pierre Darroussin). Em grave situação financeira, o estaleiro onde ele trabalha dispensa vinte funcionários. Michel, responsável por escolher os demitidos em sorteio, também vai para o olho da rua. A tristeza é recompensada dias depois: os parentes oferecem ao casal uma viagem com tudo pago para a Tanzânia, em uma lugarejo aos pés do Monte Kilimanjaro. Não tarda, porém, para que ladrões invadam a casa deles e roubem o dinheiro e as passagens. Por acaso, Michel descobre quem foi um dos assaltantes. Trata-se do jovem Christophe (Grégoire Leprince-Ringuet), seu ex-companheiro de trabalho que, para sustentar dois irmãos menores, partiu para o crime. Estreou em 06/04/2012.
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  • Diretor de "Paris, Texas" (1984) e "Asas do Desejo" (1987), o alemão Wim Wenders deu início ao projeto de registrar o trabalho da coreógrafa Pina Bausch no início de 2009. Mas a parceria sofreu um baque no meio daquele ano, quando Pina morreu, aos 68 anos, de um câncer descoberto cinco dias antes. Mesmo assim, o realizador retomou o documentário dando continuidade de filmar as coreografias concebidas por Pina ao longo da carreira dela. A fita abre com "A Sagração da Primavera" e apresenta outros momentos marcantes, como "Café Müller", também usado na cena de abertura de "Fale com Ela", de Pedro Almodóvar. Wenders recorre a registros no palco e, brilhantemente, leva a trupe para locações escolhidas a dedo na Alemanha — são formidáveis as passagens pela fotogênica Wuppertal, cidade onde está sediada a companhia de dança de Pina. Outra ideia sensacional está no uso do 3D — é obrigatório que o filme seja visto neste formato. Pensando por Wenders em três dimensões, o longa-metragem ganha profundidade e joga o espectador para dentro das montagens, como se estivesse colado aos dançarinos. Contudo, não espere um roteiro informativo. Há, por exemplo, raras aparições da própria Pina e, assim mesmo, em cenas de arquivo. Trata-se de uma produção refinada e para quem gosta da combinação da dança com teatro. Wenders, porém, comete um deslize: ao recolher depoimentos dos bailarinos, as belas apresentações são interrompidas com palavras óbvias e redundantes. Estreou em 23/03/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: O diretor se projetou em Hollywood com a elogiada fita policial "Narc" (2002), lançada diretamente em DVD no Brasil. O ego nas alturas o fez meter os pés pelas mãos em "A Última Cartada" (2006) e "Esquadrão Classe A" (2010), trabalhos movidos a barulheira e violência ilimitáveis. A boa notícia: este suspense dramático, além de comedido na ambição e nada pretensioso, é o seu melhor filme. Não há muitas explicações para a origem dos poucos personagens. Sabe-se que eles trabalham numa refinaria de petróleo no Alasca e vivem num ambiente hostil. De volta para casa, os colegas embarcam num avião, que acaba caindo em uma montanha. A maioria deles morre. Além de enfrentar o frio e a neve, os sobreviventes serão rodeados por lobos. Sem esperança de resgate, seis homens decidem procurar ajuda. Com elenco reduzido, tensão e aflição constantes e extraordinárias locações no Canadá, o longa-metragem é mais um eficiente capítulo do tema homem versus a natureza selvagem. Liam Neeson faz o protagonista em meio a nomes menos conhecidos. Estreou em 20/04/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: Nascido em Hong Kong e radicado nos Estados Unidos, o cineasta Wayne Wang, sempre que pode, aborda em seus filmes as origens orientais. Neste drama, há duas histórias ambientadas na China em épocas distintas. Na Pequim de hoje, Sophia sofre um grave acidente, adiando os planos de sua melhor amiga, Nina, de se mudar para Nova York. Já em 1829, tem início a amizade de Flor da Neve e Lírio. Ainda meninas, elas são obrigadas por uma tradição a enfaixar os pés para mantê-los pequeninos. Crescem em vilarejos diferentes, mas deixam prevalecer os laços de união. Os enredos tocam num assunto em comum: a laotong, expressão chinesa usada para a amiga eterna e de todas as horas. Enquanto a trama no presente retrocede, a do passado avança, sem que o roteiro tropece ou a narrativa se perca no tempo. Mesmo com apelo de novelão, a fita entretém e comove, além de trazer o brilho de Li Bingbing e Gianna Jun, revezando-se como as quatro protagonistas. Estreou em 20/04/2012.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO