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O que acontece nesta terça (1º): cinema

Selecionamos alguns filmes para assistir hoje

Por: Redação VEJINHA.COM - Atualizado em

As Idades do Amor - 2267
Monica Bellucci e De Niro: casal improvável e cheio de química em "As Idades do Amor" (Foto: Divulgação)

+ O que fazer nesta terça (1º)

  • A forma roliça de Gérard Depardieu cai bem para o físico de Germain, protagonista do drama, que mora num vilarejo no centro-oeste da França, vive de bicos e namora uma motorista de ônibus. Tipo humilde e de coração sem tamanho, teve uma infância problemática ao lado da mãe destemperada. Com dificuldades de aprendizado, cresceu complexado, sobretudo pelas humilhações sofridas por não saber ler perfeitamente. Esse cara bonachão, porém, vai ganhar uma chance de ouro ao conhecer a simpática velhinha Margueritte (a atriz Gisèle Casadesus) numa praça. No contato diário com a letrada nonagenária, Germain descobre a riqueza dos livros. O tema pode parecer árido, mas o experiente diretor-roteirista Jean Becker (de "Conversas com Meu Jardineiro") tira da frente qualquer sinal de marasmo ou literatice, injetando certo humor nos conflitos dramáticos. Nascida do acaso, a amizade de Germain e Margueritte consegue arrebatar a plateia pela extrema dedicação de um ao outro. O espectador, portanto, se vê fisgado em meio a histórias íntimas tratadas com autenticidade, alguns clichês e muita sensibilidade. Estreou em 27/05/2011.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: O diretor Giovanni Veronesi pode ser considerado uma espécie de Daniel Filho da Itália. Se o brasileiro encontrou a fórmula do sucesso na popular cinessérie "Se Eu Fosse Você", o toscano anda pela mesma trilha com "Manual do Amor". O primeiro longa-metragem foi lançado por aqui em 2006 e, ruim de bilheteria, fez o segundo ficar inédito. "As Idades do Amor" é o título brasileiro do terceiro filme. Embora não seja um nome ruim, a comédia romântica pende mais para os conflitos amorosos do que para um retrato da paixão nas várias etapas da vida. Como em quase todas as fitas divididas em episódios, há um desnível entre eles, e o mesmo ocorre aqui. Na mira da primeira história está um casal na faixa dos 30 anos. O advogado Roberto (Riccardo Scamarcio), apaixonado por sua noiva (Valeria Solarino) e de casamento marcado, faz uma viagem a trabalho à Toscana. Lá, seus sentimentos serão bagunçados ao conhecer a loira Micol (Laura Chiatti). Atirada e sensual, ela quer levá-lo para a cama. Na segunda trama, o sexagenário apresentador de TV Fabio (papel do comediante Carlo Verdone) garante fidelidade à mulher até o dia em que uma psiquiatra lhe dá uma cantada irresistível. Fechando o ciclo, Robert De Niro, atuando em eficiente italiano, vive um professor americano aposentado de volta a Roma. Entre suas poucas vontades, há os saudosos papos com o zelador interpretado por Michele Placido. Mas a chegada da bela quarentona Viola (Monica Bellucci), filha de seu amigo, o fará rever o futuro. O humor à moda italiana nem tenta camuflar o machismo. Vide o comportamento das três protagonistas: mentirosa, dissimulada ou psicopata bipolar, melhor não revelar qual delas apresenta-se posteriormente assim. Se o primeiro enredo ganha pontos pela transformação profissional do personagem de Riccardo Scamarcio, o segundo cai na armadilha dos clichês. Romance mesmo, daqueles à moda antiga, só no último capítulo. De Niro e Monica, com 21 anos de diferença e química surpreendente, formam um par improvável num conto de amor delicado e universal. Estreou em 27/04/2012.
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  • O ator argentino Ricardo Darín é um nome tão conhecido dos brasileiros que a maioria de suas fitas lançadas aqui vira sucesso. Foi assim desde "O Filho da Noiva" (2001) até "Um Conto Chinês" (2011). Fazer páreo ao astro portenho não parece tarefa fácil. Mas há exceção: Abel Ayala, protagonista ao lado de Darín de "A Dançarina e o Ladrão". À época das filmagens, em 2008, o rapaz tinha apenas 20 anos e já mostrava potencial de um Davi para roubar a cena desse Golias do cinema latino-americano. Também argentino, Ayala ganhou o prêmio de revelação dos críticos de seu país no primeiro trabalho, El Polaquito (2003). Quatro anos depois, interpretou o jovem Maradona numa biografia do craque. Dirigido pelo espanhol Fernando Trueba, seu novo longa-metragem foi inspirado no livro "O Baile da Vitória", do chileno Antonio Skármeta, autor do romance que deu origem a "O Carteiro e o Poeta" (1994). Nesta trama, ambientada no Chile do fim da década de 90, quando o ditador Augusto Pinochet se refugiou em Londres, Ayala vive Ángel Santiago e Darín, Nicolás Vergara Grey. Ambos saem da cadeia no mesmo dia e com propósitos distintos. Nicolás, notório assaltante e espécie de herói para os chilenos, quer apenas reencontrar a família e refazer a vida. Ángel, um ladrãozinho pé de chinelo com energia e insistência invejáveis, tenta convencê-lo a participar do roubo de uma grana preta pertencente a Pinochet. Enquanto isso, o moço se encanta pela dançarina muda e órfã Vitória (Miranda Bodenhofer). Trueba ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1993 por "Sedução" e, em 2009, "A Dançarina e o Ladrão" foi escolhido pela Espanha para concorrer ao mesmo prêmio. Em narrativa fluente, o realizador mistura gêneros em proposta curiosa, porém não totalmente satisfatória. Enquanto drama político, a trama traz pontos de interrogação. Sua sobrevivência vem através do doce romance e da ágil aventura, sempre mais críveis e interessantes. Se Darín apenas cumpre o contrato e Miranda Bodenhofer só mostra talento (e olhe lá) como bailarina, o drama tem em Ángel e em seu intérprete um trunfo surpreendente. Estreou em 30/03/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: A estranha fita de tintas cômicas segue a linha do trabalho do diretor finlandês de "O Homem sem Passado" (2002). Quase sempre privilegiando focos de luz nos rostos dos personagens, a esplêndida fotografia de Timo Salminen emoldura uma espécie de fábula dramática, embora seu desfecho seja alto-astral. Falada em francês, a história, ambientada no Havre, região portuária no norte da França, mostra os apuros pelos quais passa o sexagenário Marcel Marx (André Wilms). Ele ganha uns trocados como engraxate, sobrevive das doações de seus vizinhos comerciantes e tem uma mulher doente (papel de Kati Outinen). Para piorar, tenta ajudar um menino do Gabão (Blondin Miguel), que entrou ilegalmente no país, a fugir de um inspetor da polícia, papel de Jean-Pierre Darroussin. Estreou em 02/03/2012.
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  • Carioca radicada em São Paulo, a cineasta Mara Mourão está se saindo uma documentarista sensata. Sete anos atrás, registrou o trabalho dos Doutores da Alegria; agora, parte para algo mais ambicioso. Em "Quem Se Importa", ela foi atrás de pessoas dispostas a dedicar seu tempo a praticar o bem, no Brasil e em mais seis países. São líderes de organizações e entidades sem fins lucrativos que querem desde erradicar a miséria no planeta até dar aparato jurídico a presidiários sem condições financeiras. Entre os brasileiros estão Eugênio Scanavino, médico responsável por um barco-hospital que atende a regiões remotas da Amazônia, e Rodrigo Baggio, da ONG Comitê para Democratização da Informática (CDI), de inclusão digital. Há ainda histórias estrangeiras edifcantes, emotivas e muito curiosas. Um exemplo: o monge budista que treina ratos para detectar a tuberculose na Tanzânia. Criativa, a realizadora recheia os depoimentos com imagens de filmes como "Koyaanisqatsi" (1982), "Estamira" (2004) e "Favela Rising" (2005) e animações, além de flagrantes dos entrevistados em plena atividade. Estreou em 13/04/2012.
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  • Com 1,5 milhão de hectares, a Suiá-Missú, no Mato Grosso, foi a maior fazenda do Brasil. Na década de 70, começou um imbróglio que dura até hoje. Os índios xavantes, até então os únicos habitantes da região, foram transferidos para 600 quilômetros longe dali por causa da chegada dos fazendeiros. Hoje, a situação é a ainda mais crítica e o documentário da estreante paulista Maria Raduan consegue dar conta de registrar os impasses. A então Suiá-Missú virou palco da disputa dos índios (que retornaram ao lugar de origem), proprietários de terra (como o americano John Carter), grileiros e sem-terra — todos à espera de uma resolução do governo federal. Para piorar, os revoltosos chegam a atear fogo nas florestas, provocando um desastre ambiental de grandes proporções. Enxuta na duração, a fita toca numa ferida exposta e retrata através de um microcosmo da Amazônia um painel de um Brasil dissonante. Estreou em 20/04/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: Diretor de "A Cela" (2000) e do recente "Imortais", o indiano Tarsem Singh realiza aqui seu melhor trabalho. Mas isso não quer dizer muita coisa porque seus filmes anteriores eram medíocres. A ideia é fazer uma releitura da fábula de Branca de Neve, subvertendo a história original compados irmãos Grimm ao injetar feminismo, mudanças e modernizações. Enquanto comédia, às vezes funciona, sobretudo quando Julia Roberts, posando de Rainha Má e numa acertada atuação, está em cena. O enredo cobre a trajetória da jovem Branca de Neve (Lily Collins), perseguida por sua madrasta após a morte do pai. O reinado vive seus piores dias e a rainha, além de deixar o povo passando fome, precisa encontrar um príncipe rico para equilibrar o orçamento. Mas o bonitão Alcott (Armie Hammer) se encanta mesmo é por Branca de Neve. Sem que o pretendente saiba, a rainha manda seu fiel súdito (Nathan Lane) matá-la. Ele, porém, a deixa sobreviver e, com a ajuda dos sete anões, a mocinha vai reverter o jogo. Adepto de um visual espalhafatoso, o realizador exagera na direção de arte e nos figurinos e o que se pretendia luxo vira brega. Estreou em 06/04/012.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO