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O que acontece nesta quinta (23): cinema

Bons filmes para assistir hoje

Por: Redação VEJA SÃO PAULO on-line

Meia-Noite em Paris
'Meia-Noite em Paris': capital francesa é cenário da nova comédia de Woody Allen (Foto: Divulgação)

+ O que fazer nesta quinta (23)

  • Diretor de seriados de TV, Richard J. Lewis surpreende em seu segundo longa-metragem, injustamente ignorado nas indicações ao Oscar deste ano — concorreu apenas ao prêmio de melhor maquiagem. No papel principal, o hábil Paul Giamatti interpreta o produtor de televisão Barney Panofsky. Quando um livro sobre seu passado inglório é publicado, Barney passa a se lembrar de suas histórias de amor, sexo e amizade. Começa na Itália da década de 70 enfocando seu relacionamento com uma ruiva bipolar (Rachelle Lefevre). Tempos depois, no Canadá, Barney sente-se pressionado a se casar com uma ricaça judia (Minnie Driver), mas, na festa do matrimônio, encontra a mulher da sua vida: uma locutora de rádio de Nova York, interpretada por Rosamund Pike. São quarenta anos de uma trajetória regada a incertezas, acasos e fatalidades. Baseado no livro “A Versão de Barney”, de Mordecai Richler (1931-2001), lançado no Brasil pela Companhia das Letras, o realizador dá conta muito bem do recado apoiado por sutis recriações de épocas, narrativa absorvente e atuações exemplares — inclui-se aí a participação de Dustin Hoffman, que faz o pai do protagonista. Estreou em 21/04/2011.
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  • Lançada em 2008, a animação "Kung Fu Panda" era uma divertida brincadeira com filmes de artes marciais. A ideia de um herói pançudo e atrapalhado que fazia de sua falta de jeito uma arma contra um inimigo mais habilidoso rendia boas piadas visuais. Sua jornada de autoaceitação ficou bem resolvida em pouco mais de uma hora e meia de história, e uma continuação parecia desnecessária. Mas a arrecadação de cerca de 630 milhões de dólares pelo mundo tornou-se a justificativa de que os produtores precisavam para lançar "Kung Fu Panda 2". Por sorte, os criativos roteiristas encontraram um novo fio condutor para o personagem, e agora ele parte em busca de suas origens. O passado do urso panda Po (voz de Jack Black no original e de Lúcio Mauro Filho na versão dublada) está ligado ao do pavão Shen. Expulso do palácio por sua arrogância, o vilão arma um plano de vingança e ameaça pôr fim ao kung fu. Cabe ao protagonista e aos seus aliados, os Cinco Furiosos, defender o Vale da Paz. Muito mais ágil, mas ainda bonachão, Po procura na infância as respostas para ajudá-lo em sua luta. A ação carnavalesca toma conta de boa parte da fita e às vezes cansa. Não faltam, porém, bons motivos para rir, como a cena do empolgado discurso do protagonista antes do confronto final. Tecnicamente mais evoluído, o filme traz ainda benfeitas cenas de flashback desenhadas a mão. Estreou em 10/06/2011.
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  • Há quinze anos, um acidente aéreo interrompeu a mais surpreendente ascensão de uma banda na história do pop nacional. Em apenas sete meses, os Mamonas Assassinas venderam 2,8 milhões de cópias de seu único disco de estúdio, de 1995. Na época, Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel Reoli e Sérgio Reoli se tornaram peças fundamentais na guerra dominical pela audiência, alternando aparições em programas de auditório da Globo e do SBT. O documentário "Mamonas para Sempre" tenta explicar, driblando a simples tietagem, o que havia de tão fenomenal naqueles cinco descontraídos jovens de Guarulhos. A ideia inicial do diretor Cláudio Khans era realizar um filme ou uma minissérie de ficção. Mas ele não conseguiu resistir à força do acervo reunido durante três anos de pesquisa. Familiares e amigos do quinteto cederam fotos pessoais, vídeos caseiros e muitas lembranças, o que rendeu um retrato completo do grupo. Do início de carreira, quando tentaram o rock sério com o grupo Utopia, à transformação baseada no humor escrachado, tudo foi registrado. No auge do sucesso, eles faziam oito shows por semana em todo o Brasil. E tinham sempre uma câmera VHS ou H-8 nas mãos, com a qual captavam a energia das apresentações. O maior acerto na edição do vasto material foi não tentar mostrá-los como gênios intocáveis. Havia divergências internas, o sucesso repentino levou os rapazes a fazer algumas escolhas erradas e nenhum deles mediu o peso da superexposição. Nada ficou de fora. Além de imagens poderosas no palco e nos bastidores, a fita ganha bastante com os depoimentos sinceros de pessoas ligadas aos músicos. Entre elas, o empresário Rick Bonadio, que não esconde nada sobre o comportamento deles. São vários momentos divertidos e marcantes, mesmo para quem nunca foi fã das manjadas Pelados em Santos e Robocop Gay. Estreou em 17/06/2011.
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  • Em seu atual giro pelo mundo, Woody Allen parou na França para fazer um dos seus filmes mais graciosos dos últimos anos. Em Paris, um roteirista americano (Owen Wilson) com pretensão de ser escritor se distancia de sua noiva consumista (Rachel McAdams), de seus sogros conservadores e dos amigos esnobes dela. Cansado do vazio da vida moderna, ele prefere caminhar sozinho à noite para se inspirar. Depois da meia-noite, porém, descobre uma cidade diferente, atemporal, como sempre sonhou. O cineasta colocou inúmeras referências culturais para destacar o charme parisiense, principalmente aquele perdido no passado. De quebra, lembrou-se de quando viveu lá como um jovem comediante querendo escrever romances. Estreou em 17/06/2011.
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  • A forma roliça de Gérard Depardieu cai bem para o físico de Germain, protagonista do drama, que mora num vilarejo no centro-oeste da França, vive de bicos e namora uma motorista de ônibus. Tipo humilde e de coração sem tamanho, teve uma infância problemática ao lado da mãe destemperada. Com dificuldades de aprendizado, cresceu complexado, sobretudo pelas humilhações sofridas por não saber ler perfeitamente. Esse cara bonachão, porém, vai ganhar uma chance de ouro ao conhecer a simpática velhinha Margueritte (a atriz Gisèle Casadesus) numa praça. No contato diário com a letrada nonagenária, Germain descobre a riqueza dos livros. O tema pode parecer árido, mas o experiente diretor-roteirista Jean Becker (de "Conversas com Meu Jardineiro") tira da frente qualquer sinal de marasmo ou literatice, injetando certo humor nos conflitos dramáticos. Nascida do acaso, a amizade de Germain e Margueritte consegue arrebatar a plateia pela extrema dedicação de um ao outro. O espectador, portanto, se vê fisgado em meio a histórias íntimas tratadas com autenticidade, alguns clichês e muita sensibilidade. Estreou em 27/05/2011.
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  • No início do século XIX, em Londres, Saartjes Baartman (Yahima Torres), uma robusta jovem negra sul-africana é apresentada como uma criatura selvagem em um degradante número de circo. Apesar de ser livre e ter armado a encenação com seu chefe, o holandês Hendrick (Andre Jacobs), ela não consegue resistir à humilhação pela qual passa no palco todas as noites. A apresentação acaba revoltando a sociedade britânica e, ao mesmo tempo, chamando a atenção de cientistas evolucionistas, que a enxergam como o elo perdido entre o homem e o macaco. O filme consegue provocar grande desconforto no espectador com o tratamento desumano dispensado à protagonista. Ainda mais sabendo que o roteiro se baseia em fatos reais. Estreou em 17/06/2011.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO