Luxo

O licor escarlate

Com fórmula original do século XVIII, o licor de Alkermes, tradicional ingrediente da gastronomia italiana, chega em poucas unidades à Santa Maria Novella, na rua da Consolação

Por: Patricia Moterani - Atualizado em

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Licor de Alkermes: ingrediente com receita centenária chega a São Paulo (Foto: Divulgação)

Desde 2006 com endereço próprio em São Paulo, a botica florentina Santa Maria Novella, especializada em produtos naturais que vão da perfumaria à culinária, ficou conhecida na cidade por seus cosméticos. “Damos preferência à importação de hidratantes, sabonetes e óleos de banho porque eles têm apelo maior”, diz Rodrigo Mascaretti, diretor-geral da marca no país. Há, no entanto, uma exceção: o licor de Alkermes, único item gastronômico encontrado nas prateleiras – o nome vem do árabe ‘qìrmez’, que significa ‘cor escarlate’. A loja acaba de receber 200 garrafas da bebida, cada uma com 500 ml e preço de 390 reais. É apenas a segunda vez em seis anos de funcionamento da marca no Brasil que o pedido foi feito.

Com fórmula de 1743, escrita por um dos frades dominicanos que dirigiu a perfumaria-farmácia, o licor tem sabor adocicado e origem medicinal, como todos os produtos da SMN. Hoje, realça o gosto de sobremesas doces, como sorvete de sabores neutros, e faz parte da receita original da Zuppa Inglese, um pavê típico italiano. “É um produto-símbolo e muitas pessoas pedem por ele”, afirma Mascaretti. Por ser artesanal – é envelhecido por seis meses em barril de carvalho antes de ficar pronto para consumo – o licor não é comercializado em larga escala.

Antes de ser incorporado pela culinária, o Alkermes era usado para tratar palpitações, falta de ar e até melancolia. A indicação – e também a coloração escarlate – deve-se ao pigmento avermelhado extraído do Cochonila, inseto que lembra uma joaninha, de origem na América Central. Rico em flavonoides e antioxidantes, ele tem ação anti-inflamatória e combate o envelhecimento das células. O licor conta ainda com especiarias como canela-da-Índia, cravo, noz-moscada e cardamomo (um tipo de gengibre), notas de baunilha, laranja e anis azul, açúcar, água de rosas e de flor de laranjeira. Tem teor alcoólico de 35%.

É possível encontrar variações do Alkermes no mercado, com diferenças no processo de produção ou na quantidade de álcool na fórmula. E são elas as usadas (em raras receitas) nos restaurantes paulistanos. Caso do italiano Spadaccino, que serve a sobremesa Zuppa Inglese com um licor escarlate, mas não a versão da Santa Maria Novella (ele é preparado no próprio restaurante e feito a partir da combinação entre essência de Alkermes e álcool de cereais). “Nossos pedidos são feitos essencialmente por quem quer usar a bebida em produções caseiras”, diz o diretor-geral da botica.

Santa Maria Novella. Rua da Consolação, 3 354, Jardins, tel. 3081 0964, www.santamarianovella.com.br

Spadaccino. Rua Mourato Coelho, 1 267, Pinheiros, tel. 3032 8605, www.spadaccino.com.br

Fonte: VEJA SÃO PAULO