Teatro

Cássio Scapin dá vida ao filósofo Denis Diderot em "O Libertino"

Espetáculo dirigido por Jô Soares acerta no timing cômico e no duplo sentido das situações

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

O Libertino
Cassio Scapin e Luciana Carnieli: jogos de sedução e conflito de ideias (Foto: João Caldas)

Filósofo francês respeitado, Denis Diderot (1713-1784) ficou conhecido como o idealizador, ao lado de Jean le Rond d’Alembert, da “Enciclopédia”, um inventário que pretendia padronizar conceitos em plena era do iluminismo. Sua maior dificuldade foi encontrar uma definição para a palavra moral. É justamente no dia do vencimento do prazo para a entrega do verbete que se passa “O Libertino”, do dramaturgo francês Eric- Emmanuel Schmitt. Adaptada e dirigida por Jô Soares, a comédia traz à tona temas como ética, sexo e relações de poder com base em outro lado de Diderot: o de um mulherengo incorrigível.

+ Os melhores espetáculos em cartaz

+ SP Escola de Teatro oferece oito cursos gratuitos

+ "O Beijo no Asfalto" e a alma transgressora de Nelson Rodrigues

Afiado no histrionismo, Cassio Scapin interpreta o pensador incapaz de se concentrar na tarefa. Sobram motivos para dispersar sua atenção. Uma pintora (papel de Luciana Carnieli) o visita e não tarda para se deitar em seu divã. Enciumada, a esposa dele (Tânia Castello) entra em crise, e uma ninfeta (Luiza Lemmertz), amiga de sua atrevida filha (Érica Montanheiro), o envolve em uma cilada que abala suas convicções.

+ Luiza Lemmertz: a terceira geração de um clã talentoso

Essas cenas isoladas já garantiriam risadas. A direção, no entanto, investe no duplo sentido das situações e salienta as contradições em torno do protagonista, perdido entre a teoria e os fatos. À vontade no timing cômico, o elenco — completado por Daniel Warren — demonstra unidade, mas a surpresa fica por conta de Érica Montanheiro, que, junto de Scapin, leva a diversão do discurso para a prática e assegura a satisfação do espectador.

Fonte: VEJA SÃO PAULO