Teatro

“O Fio das Missangas” é baseada em contos do moçambicano Mia Couto

Drama em cartaz na Funarte reforça o lirismo do escritor extraindo poesia de tipos oprimidos por um universo de violência

Por: Dirceu Alves Jr.

O Fio das Missangas - 2222
Aline Moreno e Thiago Bugallo: limites estreitos entre a vida e a morte (Foto: Adriana Cavalheiro)

Adaptado por Cássio Pires, o drama O Fio das Missangas reúne sete dos 29 contos publicados no livro homônimo do escritor moçambicano Mia Couto. Nessa coleção de narrativas, os diretores Bruna Bressani e Pedro Lopes aprimoram o tom fantástico do autor e extraem poesia de tipos oprimidos por um universo de violência. Um artista (interpretado por Thiago Bugallo) e um andarilho (papel de Ricardo Oliveira) são obrigados a passar a noite em uma trincheira. Em meio aos destroços de um atentado, representado como um monte de entulhos, eles constroem um painel baseado nas experiências de quem está ao redor. Vivos ou mortos, reais ou imaginários, os personagens narram os fatos que transformaram o destino de cada um.

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Incapaz de salientar a própria sensualidade, uma mulher (a atriz Camila Urbano) coloca fogo na saia. Esse revela-se o melhor de uma série de relatos apoiados na emoção, que traz ainda a relação de um homem (Pedro Simon) com seu cachorro (Rafael Mello) e as contradições de uma presidiária (Aline Moreno) acusada de matar o marido por ciúme. Os diretores alcançam o equilíbrio ao dosar o impacto visual do simplório cenário criado por Wilso Aguiar com as boas interpretações dos sete integrantes do elenco. Como um eficiente provocador também da plateia, o personagem de Bugallo ressalta a importância de cada história para quem as viveu e as define como um tesouro que não pode ser roubado. As palavras de Couto têm mais impacto quando lidas na versão original, mas, em cena, os contos mantêm a força de sua mensagem.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO