Cinema

Em "O Corvo", Edgar Allan Poe vira personagem de uma trama criminal

Suspense aborda os últimos dias de vida do sombrio escritor de histórias de terror

Por: Miguel Barbieri Jr.

O Corvo - 2270
Poe (John Cusack) e o detetive (Luke Evans): cuidadosa recriação de época (Foto: Divulgação)

Mestre dos contos de horror, o escritor americano Edgar Allan Poe morreu em 1849, aos 40 anos. Quatro dias antes, foi encontrado vagando feito louco pelas ruas de Baltimore. As drogas e o álcool o levaram a tal ponto de decadência. Muito se especula sobre os motivos reais de sua trajetória errática — depois da morte da mulher, em 1847, ele tentou o suicídio. O suspense policial “O Corvo” (mesmo nome de um de seus poemas) é mais um capítulo a apresentar uma versão ficcional dos últimos momentos do autor.

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O roteiro traz um enredo cuja conclusão mostra-se plausível: a obra de Poe o teria levado à insanidade. Na interpretação de John Cusack, o personagem passa por um período conturbado. Embora reconhecido nas altas-rodas, tropeça nas sarjetas de tanto beber e vive em atrito com a direção do jornal que publica seus artigos. Uma série de assassinatos o obrigará a tomar outro rumo. Como o matador usou o mesmo método de fuga de “Os Assassinatos da Rua Morgue”, escrito por Poe, o detetive Emmett Fields (Luke Evans) suspeita do criador do texto. No segundo crime, outro indício contra ele: um serial killer retalhou um crítico literário segundo a macabra ideia de “O Poço e o Pêndulo”. Para piorar, a jovem Emily Hamilton (Alice Eve), namorada de Poe, foi raptada. A fim de provar sua inocência, ele se une a Fields para encontrá-la.

James McTeigue, diretor do criativo “V de Vingança” (2005) e do abominável “Ninja Assassino” (2009), assina aqui seu trabalho mais convencional e menos pretensioso. Respaldado em cuidadosa recriação de época, o realizador se rende um pouquinho à sanguinolência para agradar à geração fã de “Jogos Mortais”. O forte, contudo, está no duelo psicológico, por vezes torturante, a que o protagonista é submetido. Em argumento original, importa menos a fórmula do “whodunit“ (quem matou?) e mais as supostas elucidações dos mistérios envolvendo essa notável figura da literatura.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO