Comportamento

Mais de vinte livros de colorir serão lançados até o fim do ano

Um dos pioneiros do segmento para adultos, Jardim Secreto, lançado pela Editora Sextante em novembro, já vendeu mais de 300 000 cópias

Por: Jussara Soares

livros de colorir
Catarina Lopes e Walter Tierno: ilustrações românticas para o Dia dos Namorados (Foto: Fernando Moraes)

Passatempo preferido da época de criança, a pintura nunca deixou de ser uma paixão para a headhunter Ana Gabriela Mingrone, de 28 anos. Por falta de opções, saciava a vontade de pintar, até pouco tempo atrás, preenchendo almanaques infantis. “Era o que tinha disponível”, conta. Tudo mudou com a chegada dos livros de colorir para adultos, a exemplo de Jardim Secreto, lançado pela Editora Sextante por aqui em novembro do ano passado (já vendeu mais de 300 000 cópias desde então). Atualmente, Ana Gabriela se debruça com sua coleção de lápis de cor sobre mandalas, florestas, insetos e outras ilustrações rebuscadas. “É relaxante”, explica.

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O sucesso surpreendente de livros do gênero provocou uma corrida para abastecer o mercado com outras obras (além de Jardim Secreto, existem hoje mais trinta títulos nessa linha para os aficionados, entre nacionais e importados). Até o fim do ano, nada menos que 23 trabalhos análogos chegarão às livrarias paulistanas pelas mãos de cinco selos. Desse total, quinze têm lançamento agendado entre os meses de maio e junho. “Ninguém sabe quanto tempo vai durar essa febre nem se ela vai continuar com uma temperatura tão alta”, diz Ibraíma Dafonte Tavares, editora executiva da Alaúde, responsável pelas obras Jardim Encantado, Fantasia Celta e Mil e Uma Noites.

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Como os títulos deixam evidente, os leitores-pintores foram inundados num primeiro momento com temáticas de natureza, esoterismo e magia. A ideia agora é variar o cardápio na segunda onda de lançamentos para não cansar os adeptos do gênero. A Ediouro, por exemplo, entra nessa briga apostando em quatro livros com motivos florais. Dois deles (a 19,90 reais cada um) terão páginas em formato de cartão-postal. Depois de coloridas, elas podem ser destacadas e dadas como presente. Os demais, de modelo tradicional, chegarão ao consumidor pelo valor de 14,90 reais, bem abaixo da média dos concorrentes (29,90 reais). “Quem tiver mais criatividade vai conquistar mais espaço nesse momento”, acredita Bernadette Caldas, gerente de marketing da Ediouro.

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Outra tendência que se anuncia são os animais para colorir. No próximo dia 18, a Alaúde começa a distribuir Aves do Paraíso e Gatoterapia (29,90 reais a unidade). Os felinos ainda terão duas publicações exclusivas: uma pelo selo Galera e outra pela Sextante. Aliás, essa última, que lidera as vendas com Jardim Secreto e Floresta Encantada, tenta conter o avanço da concorrência com Reino Animal, de Millie Marotta. A obra sai no próximo mês com uma tiragem de 200 000 exemplares. “Há muita coisa surgindo nesse segmento, mas nos esforçamos para manter a qualidade artística”, afirma Nana Vaz de Castro, gerente de aquisições da Sextante. Na sequência, depois dos bichos, será a vez de países e cidades serem explorados como tema. Alaúde e Sextante preparam trabalhos com desenhos de Índia, Japão, Nova York e Paris.

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Ana Gabriela: atividade para desestressar (Foto: Mario Rodrigues)

A maioria das produções tem os direitos comprados no exterior. Como não há tradução, em pouco tempo conseguem chegar ao território nacional. A onda de colorir, no entanto, começa a abrir portas a artistas brasileiros. É o caso do escritor e ilustrador paulistano Walter Tierno e da designer Catarina Lopes, de Jundiaí. A dupla foi contratada pela Best Seller para criar cinquenta desenhos do livro Amor em Todas as Cores, para o Dia dos Namorados. Ela desenvolveu uma tipografia estilizada com frases de amor, enquanto ele concebeu casais, anjos e, adivinhem, gatos. “É um trabalho artesanal, feito a mão”, conta Tierno. A mesma editora também contratou a tatuadora paulistana Danee Suave para criar o livro Feito Tatuagem, previsto para junho.

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Na Livraria Cultura, essas obras ocupam as seis primeiras posições de vendas do gênero não ficção. Ainda não ganharam uma seção específica nas lojas do Conjunto Nacional e do Shopping Bourbon, mas ficam expostas em “ilhas” junto de caixas de lápis de cor. Os fãs costumam se reunir por lá a fim de compartilhar técnicas de pintura, exibir vídeos e fotos de sua arte, publicados também nas redes sociais. Os grupos criados no Facebook e perfis do Instagram ajudaram a popularizar a terapia das cores.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO