Comportamento

Novo "clube das mulheres" faz leilão de homens

Clientes de uma casa em Moema pagam até 150 reais por um show particular de um dos dançarinos musculosos

Por: Juliene Moretti - Atualizado em

Surgido nos anos 90, o Clube das Mulheres fez sucesso com shows de dançarinos seminus fantasiados de bombeiros, médicos e policiais, entre outros. O espetáculo, que continua em cartaz na Vila Olímpia, ganhou agora um concorrente na cidade. Trata-se do The Secret’s Club, em Moema, uma festa semanal onde as clientes fazem um leilão para ficar a sós por alguns minutos dentro de uma cabine com as estrelas do show.  A balada ocorre todas as noites de quinta e é preciso se cadastrar no site www.thesecretslcub.com.br para ter acesso ao lugar, que cobra uma entrada de 55 reais.

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O negócio começou a funcionar no mês passado por iniciativa do empresário Evaldo Shiroma em um ponto antes ocupado por um clube de swing. Por noite, reúne até oitenta frequentadoras. O ambiente é escuro e a maior parte das mesas ficam ao redor do palco (algumas estão instaladas em um mezanino). No tablado, rapazes descamisados de abdômen esculpido se revezam em desfiles.

No ponto alto da noite, por volta das 20h, ocorrem os leilões dos rapazes (até hoje, o maior lance ficou em 150 reais por dez minutos de show particular). A vencedora leva o “prêmio” para um dos quartos no segundo andar da boate. O local tem uma janela vazada de madeira e um funcionário do clube fica do lado de fora contando o tempo e fiscalizando para que não ocorram exageros. “Valem massagens, carícias e até beijo na boca. Para por aí”, diz  Shiroma.

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Os rapazes, com idades entre 20 e 25 anos, ganham 50 reais de cachê para participarem da festa e embolsam integralmente o dinheiro do leilão. Na noite da última quinta (17), acompanhada pela reportagem de VEJA SÃO PAULO, oito deles viraram “mercadorias”. Um narrador vai chamando ao palco os galãs. Os lances começam a partir de 50 reais e vão subindo -- 70, 90, 100...  Uma das vencedoras foi uma mulher casada e com três filhos. Ela bateu o martelo por 150 reais e levou um moreno sarado parecido ao Hulk da seleção brasileira.  “Fiz por pura diversão”, contou a cliente.

Antes de sumir dali por alguns instantes com o prêmio, a vencedora do pregão precisa passar no caixa para prestar contas. Os rapazes mais requisitados ganham cerca de 400 reais por noite com o negócio do leilão.  Um deles, morador da Zona Sul, garante que não há outros encontros com as mulheres fora da casa. Com 24 anos, trabalha também como modelo em exposições e feiras. Não tem namorada e acredita que seria um problema para ela. “Minha mãe sabe e acha engraçado. Não estou fazendo nada de errado, não tenho relações sexuais. Venho só para divertir as meninas”, afirmou.

Segundo o dono do empreendimento, Evaldo Shiroma, que também comanda a Erotika Fair há dezoito anos, maior feira de produtos eróticos do país, o objetivo é entreter as mulheres em um happy hour mais divertido. “Aqui é um lugar onde elas podem conversar e dançar com os rapazes sem ter que se preocupar com o que vão pensar delas”, diz.

Em uma noite típica, as conversas nas mesas, regadas a champanhe, costumam girar sobre trabalho, família e até as rotinas da casa. Enquanto isso, os meninos andam pela pista usando apenas sunga, máscara e tênis. A maioria das freguesas já conhece os garotos. São frequentadoras desde quando a casa abriu em junho. “Sempre fazemos por aqui um encontro entre as meninas”, explicou uma delas, que parecia a mais entusiasmada da turma. Em sua bolsa, havia sprays e cremes para usar a sós com os dançarinos. “Decidimos experimentar essa nova boate porque alguns dos homens do Clube das Mulheres precisam se aposentar, já estão meio passadinhos”, completou. Focca Barreto, produtor do show em questão, que tem mais de duas décadas de existência, não dá importância a essa tipo de crítica. “As cópias não duram muito no mercado e estamos sempre renovando nossa equipe de rapazes”, afirma.  

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Os garotos do Secret’s capricham no atendimento. Sentam à mesa das clientes, dão beijinhos de boas-vindas, fazem elogios ao pé do ouvido e tiram as mulhers para dançar no meio da pista. “Além de a gente se divertir, dar risadas com as amigas, eles são fofos e atenciosos. Faz bem para a autoestima”, explicou outra cliente.

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Entre um e outro leilão, há vários shows de strip-tease na noite. Em um deles, um toureiro entra no palco e as mulheres na plateia sacam o celular para fazer fotos e vídeos. A performance dura pouco mais de 5 minutos e ele sai do palco vestindo apenas uma capa. A noite termina por volta das 23h30, quando todos os meninos já passaram pelo palco. Tanto os garotos quanto as clientes conversam sobre amenidades até a última delas pagar a conta, com um sorriso de satisfação na boca. Shiroma acompanha todo o movimento agradecendo a presença delas no local e avisando que na próxima quinta tem mais diversão.  

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Fonte: VEJA SÃO PAULO