Universidade

Oficial reformado da PM é o novo chefe de segurança da USP

Luiz de Castro Junior é o eleito de João Grandino Rodas para comandar 380 homens

Por: Claudia Jordão

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Luiz de castro e uma das viaturas no Butantã: ele vai comandar 380 homens (Foto: Mario Rodrigues)

Ele é contra a legalização das drogas e dificilmente se separa de seu “três oitão” (como é chamado o revólver calibre 38). Filho, pai, irmão e cunhado de policiais militares, permaneceu por 34 anos na corporação até se aposentar como coronel, no fim de fevereiro.

O sangue de oficial corre em suas veias, mas ele é conhecido pelo perfil humanista: ex-diretor de Polícia Comunitária e Direitos Humanos da PM, posiciona-se contra a pena de morte. Monta a cavalo, adestra cães e gosta de brincar nas praias do Litoral Norte na companhia dos netos, dois meninos de 1 e 3 anos.

Nascido em Mogi das Cruzes (a 63 quilômetros da capital), Luiz de Castro Junior, 52 anos, é o novo superintendente de Segurança da Universidade de São Paulo (USP). Nomeado no dia 29, foi convidado pelo reitor João Grandino Rodas para substituir o professor Adilson Carvalho. É a primeira vez que um policial assume a função. Será responsável por planejar, implementar e manter medidas de segurança nos sete campi da universidade no estado.

Além de prevenir atentados contra o patrimônio e as pessoas — cuidando de praças, podando árvores (sujeira e matagal costumam virar esconderijo para assaltantes) e orientando a população —, ele passa a comandar a Guarda Universitária, com 380 homens (destes, 120 na capital). Entre seus planos estão a capacitação dos funcionários para atender melhor os frequentadores da região, a melhoria nos sistemas de monitoramento e o combate ao crime. Dentro de suas possibilidades, é claro. “Os guardas não andam armados e não têm poder de polícia”, diz Castro. “Mas casos de vandalismo, uso de drogas e outros crimes serão encaminhados a ela.”

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A aproximação da guarda com a PM já é considerada um processo natural. Foi Castro quem, em setembro passado, costurou um convênio entre a universidade e a corporação, o que desde então reduziu os índices de criminalidade no câmpus do Butantã. Na época, a parceria provocou protestos de parte dos alunos, que chegaram a invadir selvagemente o prédio da reitoria. A reintegração foi promovida pela Tropa de Choque.

“Não podemos ignorar que ele é um oficial e que a guarda está sendo militarizada”, discursa o aluno Pedro Serrano, da Comissão Gestora do Diretório Central Estudantil (DCE). “A nomeação de Castro ocorreu em razão de sua formação e atuação em segurança comunitária, direitos humanos e responsabilidade social”, explica o reitor Rodas, que convocou outros dois coronéis reformados para a área.

Com cursos no Japão e no Canadá, o novo superintendente assegura que vai ouvir os envolvidos antes de traçar suas estratégias. “Não sou dono da verdade”, diz ele, que terá à disposição um orçamento próprio, cujo valor ainda será anunciado. Pessoas próximas afirmam que foram reservados 10 milhões de reais para a modernização da guarda e a compra de equipamentos.

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Viaturas da Polícia Militar no câmpus: a parceria resultou em invasões e a Tropa de Choque foi chamada para intervir (Foto: Tiago Queiroz/AE)

MAIS SEGURA

A presença da PM a partir de setembro do ano passado reduziu sensivelmente a incidência de vários crimes na Cidade Universitária

OCORRÊNCIAS            ANTES        DEPOIS

Furtos de veículo                 23                    6

Furtos em geral                  246              156

Roubos de veículo               16                   6

Roubos em geral                 24                 19

Homicídio                                1                    0

Fonte: VEJA SÃO PAULO