Cidade

Novas passarelas: empresas privadas constroem, reformam e mantêm

Pontes para pedestres na capital são adotadas por shoppings, supermercados e bancos

Por: Filipe Vilicic - Atualizado em

A passarela na altura do número 890 da Avenida Eusébio Matoso estava em situação deplorável. Mendigos dormiam embaixo da estrutura, a falta de iluminação atraía ladrões à noite, não havia elevadores para facilitar a vida de idosos e deficientes físicos e uma lixarada acumulava-se em suas duas entradas. Uma modalidade de parceria entre o poder público e empresas privadas mudou esse cenário. A prefeitura associou-se a um banco que, em troca de placas com sua marca exibidas no local, patrocinou a revitalização não só da ponte para pedestres como de duas praças em seu entorno: a Eugène Boudin e a Antônio Sabino. "Notamos que estava perigoso para nossos funcionários e clientes passar por lá", afirma Marcos Caetano da Silva Filho, diretor de comunicação do Unibanco. Foi gasto ali 1,2 milhão de reais. "Além da reforma e da manutenção da passarela, decidimos torná-la um exemplo de sustentabilidade." Entregue no fim do ano passado, a passarela ganhou dois elevadores, piso de borracha reciclada e painéis de energia solar que abastecem uma televisão instalada em uma das pracinhas. Devido ao toque ecológico e a sua cor, recebeu o apelido de Passarela Verde.

Outras quatro passarelas da cidade foram beneficiadas com a combinação de investimentos das duas esferas. O hipermercado Extra investiu 4 milhões de reais para erguer uma na Avenida Juscelino Kubitschek, no Itaim. Os shoppings Market Place e Morumbi bancaram outra, na Avenida Chucri Zaidan. Há casos em que as obras são feitas por órgãos públicos e mantidas pelas empresas. É o que acontece com a ponte Miguel Reale, que abre caminho para os pedestres entre a estação de trem Cidade Jardim e o Parque do Povo. Foi construída pela Secretaria do Estado dos Transportes Metropolitanos, e os gastos com limpeza e manutenção são responsabilidade da operadora de planos de saúde Omint, que desde setembro passado desembolsa 3?700 reais mensais. O mesmo vale para outra passarela da Avenida Eusébio Matoso, adotada pelo Shopping Eldorado em 2006. "Quando uma empresa assume os cuidados com um espaço público, nossas equipes podem dedicar-se a outros trabalhos", explica um dos entusiastas da iniciativa, Andrea Matarazzo, secretário das Subprefeituras.

Na Eusébio Matoso: a prefeitura construiu, um shopping cuida

Na Juscelino Kubitschek: hipermercado pagou 4 milhões de reais

Na Chucri Zaidan: ligação entre dois shoppings que a ergueram

Fonte: VEJA SÃO PAULO