Comportamento

Nos tempos de Ghost: o que era moda na capital em 1990

Filme voltou aos cinemas em festival de clássicos da rede Cinemark; confira outros ícones culturais que faziam sucesso em São Paulo na mesma época do lançamento original

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

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Vinte e quatro anos após provocar torrentes de lágrimas com seu drama romântico sobrenatural, o filme Ghost — Do Outro Lado da Vida voltou às salas da capital. O longa estreou originalmente por aqui no dia 1º de novembro de 1990 e, com uma bilheteria acumulada de 500 milhões de dólares (em todo o mundo), tornou-se de um dos ícones daquele ano.

Não foi, no entanto, o único hit na área de cultura e comportamento daquele início de década. Confira abaixo uma lista do que andava bombando em São Paulo enquanto Demi Moore e Patrick Swayze tentavam moldar uma tigela de barro nas telonas:

MÚSICA

Cansado de ouvir "poperô"? Pois a expressão maluca, usada até hoje, surgiu de uma leitura tupiniquim de alguns versos da eletrônica Pump Up The Jam, da banda belga Technotronic, que não deu sossego nas rádios. A canção-símbolo da trilha sonora de Ghost, a balada Unchained Melody, dos Righteous Brothers, só faria sucesso em 1991. Veja o vídeo de Pump Up The Jam:

GASTRONOMIA

Esqueça a pizza e o cachorro quente. A comida rápida daquele ano foi o crepe. Várias casas apostavam na iguaria, composta por uma massa fina com diferentes recheios, doces ou salgados. As mais procuradas eram a Família Busca Crepe, com filiais em shoppings como o Center Norte, a Chez Michou, na Rua Bela Cintra, a La Crepêrie, na Alameda Jaú, e a Amor de Crepe, com várias unidades pela cidade.

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Crepe de morango: iguaria da moda em 1990 (Foto: Eliana Assumpção)

MODA

A calça fuseau (prima jurássica da legging) já havia tentado emplacar alguns anos antes, mas só pegaria mesmo em 1990. Era usada em conjunto com as mais diversas peças, como blazer, camisetas de cotton e até sobretudos. Nos pés das meninas, botinhas de cano curto. Elas ousariam ainda mais naquela temporada ao apostar em cuecas samba-canção como bermuda. Durou pouco, felizmente.

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Calça fuseau: usada com camisetas ou blazers (Foto: Antonio Rodrigues)

FUTEBOL

Era um período de vacas magras para o futebol paulista. Mas, quem diria, o Brasileirão terminou com um clássico. No dia 16 de dezembro, Corinthians e São Paulo jogaram diante de 100 000 pessoas no Morumbi (já coube essa quantidade de gente por lá). Com um gol de Tupãzinho, "o talismã corintiano", aos 9 minutos do segundo tempo, o Timão faturou seu primeiro caneco nacional. Veja o vídeo do gol:

BALADA

O quente da vida noturna estava nas casas de rock. A mais célebre, inaugurada três anos antes, era o Aeroanta, frequentada por músicos e artistas no improvável Largo da Batata, em Pinheiros. Seu sucesso fez surgir uma concorrente, o Dama Xoc, com o mesmo estilo, na vizinha Rua Butantã.

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(Foto: Antonio Milena)

DANÇA

As mulheres usavam minissaias floridas, e os homens, calças brancas largas dobradas até o meio da canela. Só isso já seria papelão suficiente, mas ainda era preciso se requebrar ao ritmo característico, a lambada. O estilo pegou com a música homônima do grupo francês Kaoma, lançada um ano antes. Era executada em casas noturnas e treinada em academias. Considerada sensual, nos anos seguintes seria relegada aos conventos, desbancada por É o Tchan! e afins. Veja vídeo da lambada:

VIDEOGAME

Lançado em dezembro, o Mega Drive, da japonesa Sega, chegava para marcar uma nova geração dos consoles. O game de maior sucesso, Sonic the Hedgehog, tinha como heroi um porco-espinho azul (sim, são os anos 90). Uma revolução se for levado em conta que, até poucos meses antes, ainda jogava-se Atari, cujos personagens mais mirabolantes  lembravam palitos de cabeça quadrada.

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(Foto: Reprodução)

LITERATURA

Um dos primeiros livros escritos por Paulo Coelho, O Alquimista narra a jornada espiritual de um pastor durante uma viagem entre a Espanha e o Egito. Chegou às prateleiras dois anos antes, mas tornaria-se um dos best sellers no início da década seguinte. Na época todo esse sucesso já era meio incompreensível.

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(Foto: Reprodução)

ESPORTE

Na ginástica aeróbica, até os homens vestiam macacões de lycra apertados e com cores berrantes. A modalidade, uma espécie de mix entre balé, ginástica olímpica e dança de rua, ganhou espaço nas academias e tornou-se competição. A cidade sediou alguns torneios internacionais naquele ano, no Ginásio do Ibirapuera.

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Aeróbica: hit das academias (Foto: Miguel Boyayan)

COMPRAS

As principais lojas de eletrodomésticos e de departamentos apostaram em um serviço "revolucionário" para atrair o consumidor: as vendas por telefone. O cliente ligava para reservar o produto e a empresa (veja só) entregava o item em casa alguns dias depois. Entre as pioneiras nesse ramo estavam Casa Centro, Casas Bahia, Arapuã e Ponto Frio.

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Arapuã: uma das principais lojas de departamento do período (Foto: Raul Júnior)

Fonte: VEJA SÃO PAULO