Imóveis

No requinte do lar

Quanto custa morar em ruas supervalorizadas, onde o metro quadrado de área construída de apartamentos e casas de alto padrão chega a valer 15 000 reais

Por: Fabio Brisolla - Atualizado em

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Avaliado em 100.000 reais, o lustre de cristal Baccarat decora a sala de jantar. No living, a tapeçaria na parede, trazida da Bélgica, vale 150.000 reais. Salas e varandas somam quase 500 metros quadrados, um gasto estimado em 300.000 reais com o mármore crema marfil.

Tudo no dúplex do Edifício Villa Gallici, no Itaim, é assim, diferenciado. Com 800 metros quadrados e preço estimado em 7 milhões de reais, o imóvel é uma das estrelas no restrito universo das moradias classe AAA da cidade — são considerados de altíssimo padrão edifícios com apartamentos que valem mais de 4 milhões de reais. Para alcançar tal cifra, não é só a metragem que conta. Os imóveis desse nível precisam apresentar ótima qualidade construtiva, com atributos como isolamento acústico, pé-direito com mais de 3 metros, aquecimento em todas as torneiras e sistema de climatização central, além, é claro, de segurança, localização privilegiada e arquitetos de grife. Das 25.480 unidades lançadas entre janeiro e setembro deste ano, 319 apartamentos e 45 casas (1,4% do total) custam mais de 1,5 milhão de reais.

Nos últimos doze anos, apenas dezessete prédios, com 288 apartamentos acima de 4 milhões de reais, foram erguidos na capital, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

No topo da lista está o Edifício Parque Alfredo Volpi, na Cidade Jardim, com apartamentos de 950 metros quadrados, avaliados em 15 milhões de reais. Concluído pela Cyrela em 2006, o prédio tem apenas oito andares. Na Vila Nova Conceição, outra jóia do segmento: o L’Essence, onde cada um dos dezoito apartamentos de 720 metros quadrados vale 13,5 milhões de reais — ou seja, 19.000 reais o metro quadrado. Pelo menos cinco empreendimentos nesse padrão, que serão concluídos nos próximos meses, vão dar o que falar. É o caso do Adolpho Carlos Lindenberg, no Morumbi, com unidades de 1.220 metros quadrados avaliadas em 10 milhões de reais. São seis suítes, uma delas com sauna no banheiro, adega e terraço gourmet com churrasqueira. “A crise no mercado financeiro deflagrada há dois meses provocou um momento de paralisia”, diz Charles Nader, diretor de incorporação da construtora Adolpho Lindenberg. “Mas acreditamos que um bom empreendimento possa ser uma alternativa segura de investimento.”

Para fisgarem o cliente certo, as construtoras apostam cada vez mais em pesquisas. “O morador de um apartamento de alto padrão ficou mais jovem”, conta Itamar Berezin, arquiteto dos edifícios L’Essence, na Vila Nova Conceição e no Jardim América. Há uma década, ele projetava moradias de luxo para pessoas de 50 anos. “Agora encontro proprietários com 35 anos.” Outra estratégia é adaptar os espaços internos. As sacadas, por exemplo, ganharam destaque. No Edifício Tuias, do Condomínio Parque Cidade Jardim, os terraços têm 100 metros quadrados. “A varanda passou a ser uma segunda sala ou, em alguns casos, um espaço gourmet”, diz Pablo Slemenson, arquiteto dos prédios residenciais e comerciais instalados em torno do Shopping Cidade Jardim. O crescente interesse dos novos proprietários na culinária começa a chamar atenção dos profissionais da área. “Tenho planejado apartamentos com duas cozinhas”, afirma a arquiteta Débora Aguiar. “Uma delas é uma área para o dono da casa receber os amigos enquanto se distrai em frente ao fogão.”

Tecnologia do mundo dos Jetsons também é requisito básico. Usando um controle único ou até mesmo o celular, é possível acionar ar-condicionado, chuveiro ou banheira; subir ou descer cortinas; abrir a porta de casa; ajustar um cenário ideal para as luzes do quarto ou da sala. “Há cinco anos, montei uma equipe para desenvolver uma linha de produtos ligados à automação residencial”, conta o empresário Leonardo Senna, dono da I-House. Sua empresa criou uma moderna banheira acionada por celular, com design assinado pelo arquiteto Guto Índio da Costa. A novidade custa 32.000 reais. Um sistema integrado, com chuveiro, banheira, cortinas, portas e luzes automáticas, sai a partir de 50.000 reais. Mais do que uma vitrine de extravagâncias e de consumismo desenfreado dos privilegiados na pirâmide social brasileira, esse mercado imobiliário de luxo é hoje um setor importante da economia. Desde 2005, calcula-se que os novos lançamentos desse segmento tenham movimentado cerca de 1,6 bilhão de reais na cidade.

 

Endereços nobres

Saiba quais são os cinco apartamentos mais caros à venda na cidade*

Parque Alfredo Volpi

Cidade Jardim

950 metros quadrados

R$ 15.000.000,00

L’Essence

Vila Nova Conceição

730 metros quadrados

R$ 13.500.000,00

L’Essence Jardins

Jardim América

740 metros quadrados

R$ 11.000.000,00

Clermont-Ferrand

Vila Nova Conceição

650 metros quadrados

R$ 9.000.000,00

George Sand

Jardim Europa

800 metros quadrados

R$ 9.000.000,00

* A lista não inclui apartamentos de cobertura

Fontes: Coelho da Fonseca, Lopes, Sotheby’s Brasil e VNC Negócios Imobiliários

Projetos promissoresCinco empreendimentos recém-lançados já estão entre os mais cotados do mercado imobiliário*

Adolpho Carlos Lindenberg

Morumbi

1.220 metros quadrados

R$ 10.000.000,00

Franz Schubert

Jardim Paulistano

620 metros quadrados

R$ 8.900.000,00

Tuias – Parque Cidade Jardim

Morumbi

770 metros quadrados

R$ 7.700.000,00

Manacás – Parque Cidade Jardim

Morumbi

520 metros quadrados

R$ 5.100.000,00

The Place

Moema

470 metros quadrados

R$ 5.200.000,00

* A lista não inclui apartamentos de cobertura

Fontes: Coelho da Fonseca, Lopes e Sotheby’s Brasil

Fonte: VEJA SÃO PAULO