Exposição

Nina Pandolfo apresenta telas e instalações inéditas na Galeria Leme

Casada com Otávio Pandolfo, da celebrada dupla osgemeos, a artista inaugura mostra cujo tema são 'descobertas feitas no acaso'

Por: Bruna Ribeiro

Nina Pandolfo
Nina Pandolfo e a pintura em tinta acrílica 'Sem Medo de Ser Feliz' (Foto: Divulgação)

No dicionário, serendipidade se refere a descobertas afortunadas feitas, aparentemente, por acaso. O vocábulo dá nome à nova exposição de Nina Pandolfo, 36 anos, na Galeria Leme. Até 11 de outubro, a artista expõe sete telas, duas instalações e três esculturas.

Conhecida na cena do grafite na cidade, ela conta que as obras ilustram e propõem situações inusitadas. Em uma instalação que simula o ninho de um joão-de-barro, por exemplo, quis oferecer aos frequentadores a experiência de entrar na casa do pássaro - a diferença é que tem 2 metros de altura. "Quando o bichinho entra em nossa casa, temos diversas reações. Como seria entrar na casa dele?", sugere.

Uma caixinha de música de quase 1 metro com uma bailarina dançando também promete chamar atenção, além das pinturas com nomes sugestivos povoadas por suas "bonecas" características: "Em Busca do Caminho do Sol" e "Sem Medo de Ser Feliz". 

Paulista de Tupã, a artista se mudou para a capital com apenas seis meses. Iniciou sua trajetória pintando quadros e só depois experimentou o grafite. "Eu achava que os artistas plásticos estavam colocando seus trabalhos nas ruas, assim como existe o teatro de rua. Eu não comecei como outros grafiteiros, que saíram do hip hop."

Casada com Otávio Pandolfo, da celebrada dupla osgemeos, ela acredita que grafitar em São Paulo se tornou algo perigoso. "Tenho amigos grafiteiros que já foram assaltados e, infelizmente, a cidade está cada vez mais violenta. O prazer que você tem se torna uma tensão." Em entrevista a VEJASÃOPAULO.COM, Nina falou mais sobre a carreira e a nova exposição. Confira:

Suas pinturas trazem sempre figuras femininas. Qual a inspiração? Eu tenho quatro irmãs mais velhas, todas mulheres. A primogênita é quinze anos mais velha que eu e a mais nova, cinco. Portanto, nasci em um universo muito feminino e participei da vida de mulheres em diversas fases. Elas são uma grande influência.

Quando começou a pintar telas, já que ficou conhecida no cenário do grafite? Poucas pessoas sabem, mas eu pintava telas antes de fazer grafite. Sempre fui curiosa e quis experimentar diferentes superfícies, como troncos de árvores, pedras e, por fim, paredes. Em 1991, comecei a pintar pela cidade. Eu achava que os artistas plásticos estavam colocando seus trabalhos nas ruas, assim como existe o teatro de rua. Eu não comecei como outros grafiteiros, que saíram do hip hop.  

Prefere telas ou muros? Gosto muito de pintar na tela, pois você consegue entrar nela e colocar mais detalhes. Na exposição, por exemplo, coloquei formigas e joaninhas. Na rua, você não consegue fazer isso. Além disso, a rua já era violenta nos anos 90. Hoje em dia é muito mais. Tenho amigos grafiteiros que já foram assaltados e, infelizmente, a cidade está cada vez mais violenta. O prazer que você tem se torna uma tensão.

A vida em São Paulo influencia o seu trabalho? Pode ser que sim, porque aqui há uma mistura muito grande de estilos. Se você andar no centro, vai ver gente mais voltada para o punk. Nos Jardins, moças de salto alto. Há diferentes tribos e isso é muito legal. Eu nasci em Tupã, mas vivo aqui desde os meus seis meses de idade.   

Como escolheu as obras de Serendipidade? São todas inéditas. O nome da mostra significa "descobertas feitas no acaso". Por isso, tento fazer com que a pessoa amplie a visão dela sobre as coisas. Uma delas, por exemplo, é um ninho gigante de joão-de-barro. Como um passarinho pode conseguir fazer algo tão resistente? Queria que as pessoas tivessem a própria percepção disso, mudando o ângulo de visão. Quando o passarinho entra em nossa casa, nós temos diversas reações. Como seria entrar na casa deles? Para entender essa proporção, fiz um ninho de 2 metros de altura. 

Quais os projetos futuros? Tenho um convite para voltar a expor na Inglaterra, mas quero abrir primeiro minha mostra aqui para depois pensar em outras ideias. Tenho propostas também de museus e galerias no Brasil. Por enquanto, tudo está em stand by.

Fonte: VEJA SÃO PAULO