Educação

Empresas cobram mensalidade para acesso ilimitado a cursos on-line

Netflix dos estudos: aulas vão desde administração, fotografia e gastronomia a outras mais curiosas, como ensinar crianças a dormir e montagem de food truck

Por: Adriana Farias

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Fabio Neves na ilha de transmissão do iped.tv, na Mooca: 69 000 usuários (Foto: Rodrigo Dionisio)

Após ingressar na faculdade de fonoaudiologia na FMU, em Santo Amaro, a estudante Natália Oliveira partiu à caça de cursos extracurriculares para complementar o ensino universitário. Em pouco tempo, encontrou um de audiologia infantil e outro de administração — ambos sem sair de casa. “Fiz o primeiro como apoio à formação básica, e o segundo, para ajudar a abrir um consultório próprio.” Uma das vantagens: os dois módulos (e quantos outros queira ver) estão incluídos na mensalidade do iped.tv.

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Criado em setembro, o serviço disponibiliza seu acervo de 600 títulos por uma taxa fixa, que varia de 19,90 reais (acesso restrito) a 59,90 reais (plano familiar). Desde o ano passado, uma série de empresas paulistanas (algumas com mais de uma década no mercado de ensino a distância) tem oferecido opções semelhantes.

São todos projetos educacionais que se valem do mesmo modelo da Netflix, a bem-sucedida empresa americana que oferece ao assinante acesso ilimitado a milhares de filmes, séries e outros vídeos em catálogo para ver em qualquer aparelho que se conecte à internet.

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Natália Oliveira: lições de negócios para abrir consultório (Foto: Rodrigo Dionisio)

Só o iped.tv fatura 1,3 milhão de reais mensais com 69 000 usuários (36 000 paulistanos). Os vídeos são gravados ou transmitidos ao vivo, direto dos cinco estúdios na Mooca. A produção de cada um custa em média 15 000 reais, incluindo objetos de cena e o cachê de palestrantes e atores.

O principal concorrente é o eduK, com 85 000 adeptos, que pagam de 19,90 a 29,90 reais por acesso a um portfólio que inclui atualmente 700 programas — cada um com média de nove horas de duração. Do centro de filmagem, no Panamby, saem as lições de temas que vão de gastronomia (a cozinheira Palmirinha Onofre já foi recrutada para ministrar um deles) a fotografia de nu.

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A aposta é em um setor com milhões de interessados em potencial. “Em época de crise econômica, as pessoas buscam alternativas para conseguir renda extra”, diz o engenheiro Robson Catalan, sócio ao lado de Eduardo Lima e Bernardinho, do vôlei. “Empreender é uma das opções, e esses cursos se apresentam como uma solução rápida e barata.”

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O engenheiro Robson Catalan, sócio ao lado de Eduardo Lima, no centro de filmagens da eduK no Panamby (Foto: Rodrigo Dionisio)

A professora de pintura Simone Lhen se encaixa nesse perfil. Seu ateliê, no Tatuapé, tem registrado fuga de alunos nos últimos tempos (as turmas com oitenta pessoas de antes se desidrataram para cerca de dezoito atualmente). “Decidi fazer aulas de fotografia e de negócios para diversificar minha atuação.”

O resultado foi um pequeno estúdio para retratos de recém-nascidos, aberto há cinco meses, onde cobra até 1 200 reais por um trabalho. Focada em repetir histórias assim, uma plataforma com apelo explícito no nome, a meusucesso.com (65 000 usuários), tem a mesma pegada.

Criada por Flávio Augusto da Silva, idealizador da escola de idiomas Wise Up, funciona na Vila Olímpia e cobra mais caro: 75 reais por 200 programas com dez horas cada um. Todos eles se dedicam a esquadrinhar a trajetória de um profissional que é referência em sua área, de Ozires Silva, fundador da Embraer, a Facundo Guerra, empresário da noite paulistana.

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A produção de cada vídeo no iped.tv custa em média 15 000 reais, incluindo objetos de cena e o cachê de palestrantes e atores (Foto: Rodrigo Dionisio)

Atrair a atenção de quem vê os cursos para se lançar em novos negócios é uma oportunidade para faturar além das atividades docentes. Há um ano, a Editora Inovação lançou o Canal do Artesanato, que fisgou 10 000 assinantes com mensalidades de 14,90 reais. As cerca de 1 100 aulas, de quinze a trinta minutos cada uma, são integradas a uma loja virtual da própria rede, que permite ao aluno comprar os materiais necessários para confeccionar as peças.

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“Após cada aula eu também interajo com as alunas respondendo aos comentários dentro da plataforma”, explica a professora Ana Cosentino, cujo canal no YouTube sobre patchwork registra 8,7 milhões de acessos. “Pela habilidade que tenho com vídeos, muitas vieram ter aula comigo no canal do artesanato depois que me viram no YouTube”, afirma.

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Lima e Catalan, da eduK: 700 vídeos em catálogo (Foto: Rodrigo Dionisio)

Para quem não está interessado apenas em empreender e precisa mostrar ao mercado o que aprendeu, os cursos livres oferecem certificado mediante provas feitas pela internet. Cabe ao aluno, porém, decidir se deseja assistir à mesma aula várias vezes ou avançar o vídeo em alguns trechos. “Em administração, por exemplo, ele pode pular os capítulos da área de finanças, caso tenha domínio do assunto, e ir direto para a apresentação sobre notas fiscais”, explica o analista de sistemas Fabio Neves, fundador do iped.tv.

Classe portátil

› Canal do Artesanato (canaldoartesanato.com.br) Mensalidade: 14,90 reaisAlguns cursos: patchwork, decoração de festas

› eduK (eduk.com.br) Mensalidade: 19,90 reais(uma única categoria) a 29,90 reais(visualização de todo o conteúdo)Alguns cursos: como fazer uma criança dormir, montagem de food truck, fotografia

› iped.tv (iped.com.br) Mensalidade: 19,90 reaisa 59,90 reais (plano familiar)Alguns cursos: administração, design de calçados, culinária para recém-casados

Meusucesso.com Mensalidade: 75 reaisCursos: estudos de caso de grandes empreendedores

Fonte: VEJA SÃO PAULO