Negócios

Os empreendedores paulistanos que deram a volta por cima

Conheça pessoas que quebraram a cara e encontraram no fundo do poço as lições para triunfar nos negócios

Por: Bárbara Öberg e Sophia Braun - Atualizado em

Capa - Ed. 2467
Alexandre Serodio: fracasso antes do êxito com o Beleza na Web (Foto: Caio Guatelli)

Que tal abrir um negócio na capital de um estado cujo PIB recuou 4,1% no último ano, com desemprego em alta (8,1%), a meses de uma eleição municipal para lá de imprevisível? Pois, para um número crescente de paulistanos, a resposta é sim, está aí uma ótima ideia. 

Só entre microempreendedores individuais, o crescimento do total de empresas na metrópole foi de 21% no último ano, chegando a cerca de 450 000. Os índices seguem uma tendência nacional, com porcentual recorde de patrões na força de trabalho: 39,3% da população adulta, de 18 a 64 anos, atua no próprio comércio, indústria ou serviço, de acordo com pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) feita com apoio do Sebrae.

Trata-se da maior fração em catorze anos de estudo. Em 2002, a taxa era 20,9%. Em 2014, 34,5%. “Esse é um padrão para épocas de crise, quando muita gente não consegue se recolocar no mercado e se vale do dinheiro da rescisão”, diz Juliano Seabra, diretor da Endeavor, instituição sem fins lucrativos que promove cursos e ajuda a fomentar novos negócios. Uma evidência do estudo: o porcentual de pessoas que trilham esse rumo “por necessidade” pulou de 29% para 44% entre 2014 e 2015.

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O caminho dos que optam por essa direção nunca é dos mais fáceis. Segundo o Sebrae, 22% de quem abre a própria companhia em São Paulo quebra no prazo de dois anos. Um alento é que muitos deles emergem fortes do fundo do poço. Nas páginas a seguir, conheça empreendedores que têm prosperado na cidade depois de passar por experiências amargas. Na lista, boas ideias com pecados fatais na execução que antecederam negócios de êxito, dentro do cenário econômico mais difícil em muitos anos.

“A crise é um momento de várias oportunidades, como vender a empresas que buscam soluções a fim de reduzir custos e ter mão de obra qualificada disponível”, diz Seabra, da Endeavor. O Sebrae, que oferece assessoria a quem quer se lançar no mercado, também tem percebido o aumento de interesse. A Feira do Empreendedor, que a instituição promove, no Pavilhão Anhembi, teve número de visitantes 28% maior que no ano anterior.

De olho no mesmo público-alvo, o Google está em vias de inaugurar um prédio de seis andares na região da Avenida Paulista, batizado de Campus São Paulo. “A ideia é oferecer um espaço para inovar por meio decolaboração, mentoria e estímulo ao networking”, explica André Barrence, diretor do local. Haverá área de coworking e muitas atividades gratuitas. É mais uma oportunidade para aqueles que planejam se projetar em um cenário um tanto inóspito, e que, ao ter sucesso, podem multiplicar oportunidades de emprego e ajudar a cidade e o país a voltar a tempos melhores.

“EU ME SENTIA EM AREIA MOVEDIÇA"

Aos 26 anos, o paulistano Alexandre Serodio ocupava o cargo de diretor nacional de vendas dos cosméticos Jafra, companhia especializada na venda de porta em porta. Vinha de uma ascensão rápida na carreira, mas queria ir além e se tornar o próprio patrão. Juntou-se a um grupo na tentativa de comprar a empresa em que trabalhava, mas as negociações não prosperaram e a relação com o empregador azedou. Acabou dispensado.

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Na ânsia de reinventar-se, investiu 150 000 reais para entrar como sócio em um salão de cabeleireiros, no Itaim, que funcionava ali havia cinco anos. “Foi uma roubada total.” O primeiro lapso, segundo ele: arriscar-se num empreendimento que não conhecia tão bem. Atender clientes era bem diferente de comercializar frascos. “Eu me sentia em areia movediça. Quase tudo o que fazíamos dava errado.”

Em três meses, a sociedade foi desfeita, em meio à ação de despejo do prédio e a outras dívidas. Hoje, passados dez anos, ele comanda o Beleza na Web, um dos principais e-commerces de beleza no país. A lição mais valiosa tirada do fracasso no mundo das tesouras foi a cautela. Com o estoque do salão, Serodio criou uma estrutura inicial com apenas um motoboy e um webmaster. “Pude aprender muito sobre o trabalho de cada um, observar como uma caixa deve chegar à casa do cliente”, conta ele, atualmente à frente de 180 profissionais. “Para ser o dono de uma empresa, você precisa realmente conhecer todos os processos”, enfatiza.

Capa - Ed. 2467 - Alexandre Bráz
Alexandre Bráz: "da noite para o dia, eu tinha quinze funcionários e zero retorno financeiro" (Foto: Caio Guatelli)

O TESOURO ESTAVA NO LIXO

Ecochato de carteirinha, Alexandre Bráz, de 27 anos, abriu, em 2009, o Instituto Muda, com a proposta de oferecer "o planejamento sustentável de condomínios e empresas”. Sim, parecia — e era — algo um tanto amplo demais. Os serviços incluíam minhocário, reúso de água, instalação de placas captadoras de energia solar e solução para o descarte do lixo.

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Para isso, era preciso uma estrutura e mão de obra bastante diversificada, o que jogava os custos lá em cima e tornava o dia a dia complexo. “Eu queria dar conta de tudo e acabava não fazendo nada direito”, reconhece. As más notícias vieram em série. O prejuízo chegou a 20 000 reais em um mês e, em menos de um ano, o sócio desistiu do projeto.

Na mesma época, o caminhão, essencial para a coleta de resíduos, foi roubado. Para não deixar o negócio parado, Bráz comprou um veículo substituto, que “era um muquifo sobre rodas”. Ainda assim, persistiu. “Cheguei a pagar aos prédios de 50 a 100 reais para coletar o descarte reciclável deles e vender.” O contraste das dificuldades foram os prêmios nacionais e internacionais que o instituto recebeu pelo caráter inovador do negócio.

Um investidor suíço fez um aporte de 130 000 reais para uma central de triagem, que acabou se tornando um elefante branco. “Da noite para o dia, eu tinha quinze funcionários e zero retorno financeiro.” Em fevereiro de 2015, ele se deu até o fim do mês para virar o jogo. Funcionou. Ao fechar um grande contrato, teve um alívio de caixa e ganhou visibilidade. A empresa passou a dar lucro e a cartela residencial chegou a ter oitenta clientes. O faturamento estimado em 2016 é de 3 milhões de reais, o dobro do de 2015. “Aprendi que é preciso ter foco. Ao concentrar o trabalho no lixo, passei a atender muito melhor a quem me contrata.”

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Carolina Dassie: "o meu fracasso serviu como uma boa escola" (Foto: Caio Guatelli)

PASSOS NO RITMO CERTO

A licença-maternidade, após a chegada de Maria Fernanda, hoje com 2 anos, mostrou à economista Carolina Dassie que não dava mais para segurar: era a hora de abandonar a estressante rotina na bolsa de valores. “Eu tinha taquicardia só de pensar em pôr meus pés lá de novo”, lembra ela. Hoje, o arrependimento é zero. Ela comanda um clube de assinaturas mensal de aperitivos saudáveis batizado de Hisnëk.

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Fundado em 2014, o negócio começou a dar lucro com apenas seis meses de operação. Os acertos: projeto com baixo custo fixo, com investimento inicial de 60 000 reais, posto em prática rapidamente. Por trás da fórmula vencedora, uma experiência anterior mais tumultuada que a do mercado de capitais. Carolina desembolsou 400 000 reais na produção de comida congelada, mas passou um ano no planejamento e em testes do produto, o que a fez entrar no mercado com um passivo insustentável. “Exagerei no perfeccionismo, contando que a resposta do consumidor seria muito rápida, mas faturei um sexto do que imaginava, no primeiro semestre.”

Na Hisnëk, ela levou três meses no desenvolvimento e deu os primeiros passos em pequena escala, fazendo com que a produção acompanhasse a demanda. “Ao menos, o meu fracasso serviu como uma boa escola.”

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Fabien Mendez: "tentei implementar uma solução estrangeira no mercado brasileiro, em que as são regras são específicas" (Foto: Caio Guatelli)

DE MOTO, NO CAMINHO DO SUCESSO

Na foto ao lado, Fabien Mendez, francês estabelecido em São Paulo há seis anos, pilota uma das 2 500 motos que operam pela Loggi, empresa de entrega que faz 350 000 fretes por mês, 90% deles na capital. Os 10 000 clientes cadastrados incluem grandes empresas como Netshoes, Saraiva e Flores Online. “Percebi que esse nicho era gigante e já passava por um processo de formalização”, diz.

A análise certeira de mercado, curiosamente, já o levou a quebrar a cara em outra iniciativa. Em 2013, ele lançou uma plataforma de carros particulares de luxo por aplicativo, a GoJames. Só não contava com um grande obstáculo que o gigante Uber enfrentou na cidade um ano depois: a proibição de concorrentes do táxi. De cara, dois veículos parceiros acabaram apreendidos por fiscais, o que afugentou os motoristas.

As multas superiores a 1 000 reais logo mostraram que os 200 000 reais investidos seriam insuficientes e, em três meses, Fabien pulou fora. “Tentei implementar uma solução estrangeira no mercado brasileiro, em que as regras são específicas. ”A Loggi foi montada no mesmo ano com 2,6 milhões de reais captados junto a investidores-anjo. “Depois, recebemos 60 milhões de reais em aportes e estamos chegando a outros estados”, comemora.

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Livo Eyewear: loja de óculos começou como e-commerce (Foto: Caio Guatelli)

A DEMORA EM ENXERGAR O EQUÍVOCO

Em 2012, os amigos Guilherme Freire, 30 anos, Arthur Blaj, 28, e Raphael Neves, 31 (na foto, da esquerda para a direita) tiveram uma ideia inovadora: vender óculos pela internet. Aconteceu o que hoje, para eles, parece óbvio: é o tipo de produto que os consumidores resistem em adquirir sem experimentar para ver se ele está de acordo com as proporções do rosto.

Apesar das vendas abaixo da expectativa, o trio insistiu na estratégia da Livo Eyewear por um ano, de olho na vantagem de usar a plataforma digital para cortar custos com intermediários. O e-commerce não produzia a escala necessária para manter o negócio no azul, e o investimento de 800 000 reais escorreu quase todo pelas mãos. Em vez de desistir, porém, eles corrigiram a rota no último momento, à luz do que a turbulência ensinou.

Usaram os derradeiros 40 000 reais para alugar um ponto na Rua Oscar Freire por dois meses. Era tudo ou nada. “Deu tão certo que recuperamos o dinheiro e elevamos o respeito em torno da marca”, avalia Blaj. Atualmente, a Livo possui lojas físicas em cinco endereços prestigiados da cidade, entre eles a Rua dos Pinheiros e o Shopping Iguatemi, e está se preparando para inaugurar mais uma no Aeroporto de Congonhas. Nas contas dos donos, a empresa cresceu 300% em 2015, o ano de sua maior expansão. “Ficamos apegados à ideia original por muito tempo, e isso poderia ter nos matado”, arremata Blaj.

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PRONTOS PARA A BATALHA

O crescimento da legião de patrões

21% é o aumento do total de microempreendedores individuais paulistanos nos últimos doze meses

51% dos que estão se lançando ao mundo dos negócios pertencem ao sexo masculino

39,3% é a porcentagem de empreendedores entre a população adulta do país, o maior índice em catorze anos de estudo

■ 88 dias é o tempo necessário paraa abertura de uma companhia na metrópole

Agradecimentos: Wilson Djavan, treinador da escola de luta Team Nogueira, e Victor Nogueira, maquiador.

  • Cartas da edição 2466

    Atualizado em: 26.Fev.2016

  • O mercado de trabalho é o maior atrativo para os paulistanos, segundo pesquisa
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  • Equipamento é atualizado em tempo real, divulgando total do dia, mês e ano
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  • Instant Article

    Confira as novidades da semana do Terraço Paulistano

    Atualizado em: 1.Dez.2016

    Notas exclusivas sobre artistas, políticos, atletas, modelos e empresários que são destaque na cidade
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  • Denúncias se tornaram o assunto preferido dos moradores da cidade, que abrigará dois protestos neste sábado (27) 
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  • Instant Article / Musical

    Musical 'Wicked' estreia em São Paulo

    Atualizado em: 4.Mar.2016

    O blockbuster milionário chega à capital junto de uma leva de outros espetáculos do tipo
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  • Alessandro Marconi e Carolina Sciotti tocam o projeto Mil Orquídeas Marginais
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  • No @dicadaka, ela dá nova cara a cadernos, latas, retalhos e outros objetos em quinze segundos – e fatura 45 000 por mês
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  • Almoço da firma na favela

    Atualizado em: 26.Fev.2016

    Funcionários dos prédios corporativos ligados ao Shopping Cidade Jardim buscam restaurantes e flanelinhas do vizinho Jardim Panorama para economizar
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  • Dólar alto e mudanças de imposto fazem os preços dispararem; donos de estabelecimentos tomam medidas para evitar fuga de clientes
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  • Instant Article

    Confira as novidades da semana da coluna Bichos

    Atualizado em: 2.Dez.2016

    Fique por dentro das tendências do mundo dos pets
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    As Boas Compras: Sereias e Unicórnios

    Atualizado em: 28.Mar.2016

    Itens que fazem referência aos seres mitológicos são a modinha da vez nas vitrines da capital
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  • Brasileiros

    Bossa

    Alameda Lorena, 2008, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3064 4757

    VejaSP
    4 avaliações

    O restaurante aberto pelo empresário Renato Ratier, dono do clube D-Edge, na Barra Funda, acaba de perder o chef William Ribeiro. As receitas com uma visão moderna da culinária nacional criadas pelo cozinheiro, porém, continuam no cardápio. São pedidas como o acarajé à maneira de um faláfel (R$ 34,00), preparado com grão-de-bico, ingrediente do acepipe típico do Oriente Médio. No salão de bela ambientação, também pode-se provar o filé-mignon de sol com pirão de leite e vinagrete de feijão-fradinho (R$ 69,00) e frutos do mar grelhados ao molho de moqueca com arroz de cereais (R$ 90,00). Cabe um retoque no serviço, gentil mas demorado.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Japoneses

    Junji Sakamoto

    Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2232, Jardim Paulistano

    Tel: (11) 3813 0820

    VejaSP
    1 avaliação

    Se a casa que Jun Sakamoto mantém com seu nome em Pinheiros é cara, do tipo “para ocasiões especiais”, seu Junji, no Shopping Iguatemi, faz a linha “do dia a dia”, ainda que as pedidas não sejam baratas. Vai bem um temaki de atum de alga crocante e no tamanho ideal da mordida (R$ 21,00). Com arroz morninho, os sushis em dupla, como os de peixe-serra (R$ 14,50), devem ser apenas pincelados com shoyu em vez de mergulhados no molho. Servido dia e noite, o teishoku especial (R$ 76,00) é a refeição composta de tartare de salmão com gelatina salgada, carpaccio de peixe branco, sushis, sashimis e missoshiru. Termine com a musse de chocolate (R$ 22,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Latinos

    Killa

    Rua Tucuna, 689, Perdizes

    Tel: (11) 98551 8511

    VejaSP
    13 avaliações

    Voltou a funcionar no minúsculo espaço em que foi inaugurado. O menu foi (bem) enxugado, mas ficou o que interessa: os bons ceviches, saborosos e frescos. Na versão mais simples, o prato custa R$ 33,00. Outra pedida, o arroz chaufa (R$ 58,00) é um pratão de grãos úmidos com frutos do mar, cenoura, pimenta‑do‑reino e kimchi, a acelga oriental apimentada. Por caros R$ 27,00 a torta de banana passa, chocolate e nozes pode pecar pelo sorvete cheio de cristais de gelo.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Drinques

    Barê

    Alameda Lorena, 1892, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3564 2016

    VejaSP
    3 avaliações

    Boa parte do público, na faixa dos 30 e poucos anos, vai ao endereço em busca de agito. No salão da frente, fica o sofá com mesinhas bem próximas umas das outras. A parte de trás tem clima mais intimista e é adorada pelos casais. Depois de um curto período fora, o bartender Rafael Pizanti retornou ao endereço com status de sócio. Incluiu ótimos drinques, como o tranquilim (vodca, Cointreau, pitanga, limão e hortelã; R$ 30,00). Da cozinha comandada por Rodrigo Einsfeld, participante do programa Master Chef Profissionais, escolha o delicado ceviche com tucupi acompanhado de chips de batata-doce (R$ 34,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Chope e cerveja

    Genuíno

    Rua Joaquim Távora, 1217, Vila Mariana

    Tel: (11) 5083 4040

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    1 avaliação

    É um dos redutos tradicionais da Joaquim Távora, a rua mais fervilhante da Vila Mariana. Vê-se todo tipo de gente por lá: casais, cinquentões, o povo da pós-graduação da vizinha ESPM, rapazes falando o tempo todo sobre investimentos... Um ponto em comum? Quase todo mundo toma o chope bem tirado (Brahma, R$ 8,20). Os fãs de uísque têm aopção de entrar para o clube da bebida, ou seja, comprar uma garrafa e deixá-la guardada lá mesmo, para continuar a bebê-la na próxima visita. Na hora de petiscar, a porção de minipães recheados de queijo mussarela e linguiça vem na companhia de um ótimo vinagrete (R$ 29,50).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Sorveterias

    SnowFall Brasil

    Rua Oscar Freire, 48, Pinheiros

    Tel: (11) 3804 8233

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    Sem avaliação

    O ponto não pode ser mais desafiador. Entre duas sorveterias tradicionais italianas na Rua Oscar Freire, esta nova casa de origem coreana abriu as portas em janeiro. Bem diferente das vizinhas Bacio di Latte e Le Botteghedi Leonardo, a SnowFall não oferece opções cremosas. No lugar da massa, entram finas e delicadas raspas de gelo com leite que compõem a sobremesa batizada de neve ou bingsu na Coreia. Entre os oito sabores, saem-se melhor versões orientais, como a que combina pó de chá-verde, doce de feijão-azuki e pedaços de moti — um tipo de bolinho de arroz japonês. No extremo oposto, há uma sugestão de biscoito oreo e outra que junta pedaços de chocolate e cookies mais calda de avelã. Todas custam R$ 17,00, em tamanho pequeno, e R$ 23,00, o grande, que serve, fácil, fácil, duas pessoas. O menu traz ainda smoothies, waffles e macarons recheados de sorvete. Desses últimos, vale avisar, é bom passar longe. Bem melhor, o snowcup de frutas vermelhas (R$ 16,50) é azedinho, refrescante e se assemelha à uma raspadinha. No topo, vai ainda chantili de coco. Uma dica: senão gosta de ambientes concorridos, evite ir nos fins de semana, pois o salão costuma ficar cheio (famílias coreanas e jovens descendentes estão entre os maiores adeptos). É também quando permanece ligada uma máquina de neve artificial que faz a alegria da garotada.

    Preços checados em 24 de fevereiro de 2016.

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  • Só de ler o nome do espetáculo, Chapeuzinho Vermelho, bate uma preguiça da velha história? Pois nesta montagem o diretor Eduardo Leão deixa para trás a mesmice. A graça da peça bem acelerada — são apenas quarenta minutos de duração — está em reconhecer a fábula sem precisar ouvir as batidas falas como “Vovó, que olhos grandes você tem!”. A proposta muda dá certo por causa dos ótimos atores, que se desdobram em caras e bocas e arrancam gargalhadas da plateia. A protagonista (Manuela Figueiredo) e o vilão Lobo Mau (Marcelo Diaz) se revezam entre muitos personagens e mostram sua versatilidade na pele da Vovozinha e do musculoso Lenhador. A bonita trilha sonora assinada por André Abujamra dá ao espetáculo o tom de conto de fadas, além de acompanhar os amalucados personagens em alguns passos de dança. O fim da história todo mundo já sabe, nem precisa de spoiler, mas, mesmo assim, vale a pena não desgrudar os olhos do palco para aproveitar cada segundo. Recomendado a partir de 3 anos. Estreou em 6/2/2016. Até 26/6/2016.
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  • Visto por mais de 2 milhões de espectadores desde a sua estreia, no Rio de Janeiro, em 2005, o monólogo virou série de TV, filme e sustentou a carreira de Mônica Martelli na última década. Ela interpreta Fernanda, uma balzaquiana que, no desespero de se casar, se envolve com os tipos mais improváveis. Ainda que apoiada em diálogos para lá de previsíveis, a peça dirigida por Victor Garcia Peralta rende boas risadas graças ao timing cômico da protagonista. Estreou em 14/4/2007. Até 7/8/2016.
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  • Paula Cohen é uma intérprete de personalidade. Surpreende — e revela sua maturidade — que só agora, com dezoito anos de carreira, ela tenha encarado um solo. Criado com o diretor Pedro Granato, o monólogo cômico traz uma mulher à beira dos 40, colecionadora de micos amorosos. Elvira volta ao Brasil depois de ter o coração despedaçado por um argentino e, mais uma vez, baixa a crista diante da mãe, conta os tostões para o aluguel e sobrevive ao crivo das amigas. Como é atriz, a personagem monta um espetáculo para entender as sucessivas desilusões sentimentais. Granato criou uma ambientação kitsch, remissiva aos filmes de Pedro Almodóvar, e, apoiada na sinceridade, Paula promove uma acertada e divertida autocrítica sobre sua geração. Estreou em 4/10/2014. Até 24/4/2016.
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  • A cantora Bibi Ferreira apresenta o show 4X Bibi em comemoração dos 75 anos de sua carreira. Suas quatro faixas preferidas do repertório são: Nem às Paredes Confesso, de Amália Rodrigues Mano a Mano, de Carlos Gardel L'Accordéoniste, de Édith Piaf That's Life, de Frank Sinatra.
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  • Comédia romântica

    Amor em Sampa
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    2 avaliações
    O casal Carlos Alberto Riccelli e Bruna Lombardi já havia feito de São Paulo palco com personagens tipicamente paulistanos no drama O Signo da Cidade (2007). Em Amor em Sampa, saem de cena tramas densas e entram histórias levadas, na maioria das vezes, na base do bom humor. Os tipos saídos do roteiro de Bruna continuam refletindo as pessoas daqui. Num filme feito em família, Bruna, o marido e Kim Riccelli (o filho deles) dividem-se em várias tarefas. Todos atuam e Kim ainda assina a direção com o pai, a quem coube o melhor e mais sensível papel. Carlos Alberto interpreta Cosmo, um taxista que ama percorrer a cidade de carro e aguenta (na medida do possível) a namorada interesseira (Miá Mello). É Cosmo quem vai guiar o espectador pelas ruas da metrópole e apresentar, entre outros, Mauro (Rodrigo Lombardi), um publicitário às voltas com uma campanha para tornar São Paulo um lugar agradável onde viver. Em enredo multigênero, assim definido pelos realizadores, há graça no relacionamento dos gays, interpretados por Tiago Abravanel e Marcello Airoldi, e no triângulo amoroso formado por duas amigas (Letícia Colin e Bianca Müller) e um diretor de teatro cafajeste (Kim). O romance está no ar na relação entre uma poderosa empresária (Bruna) e um funcionário ambicioso (Eduardo Moscovis) e, mais bem explorado, no comovente caso de Mauro com a estilista Tutti (Mariana Lima). Para dar conta de tantos personagens sem perder o fio narrativo, há duas saídas criativas: números musicais substituem alguns diálogos e, para imprimir um registro realista, paulistanos dão depoimentos sobre sua paixão por Sampa. E a cidade está lá, captada em cartões-postais emblemáticos, como o Auditório Ibirapuera, a Cinemateca, o Copan, o Jockey Club e a Avenida Paulista. Estreou em 25/2/2016.
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  • Não se deixe enganar. White God pode parecer um filme leve da Disney, mas, em seu desenrolar, a trama ganha contornos dramáticos e, muitas vezes, incomoda devido à violência no trato dos animais. Trata-se, contudo, de uma parábola, um eficiente registro fantasioso sobre a estupidez humana em confronto com a inteligência dos bichos. No início da história, a menina Lili (Zsófia Psotta) vai passar uma temporada com seu pai (Sandor Zsoter) quando sua mãe, que tem sua custódia, viaja. A garota leva junto Hagen, seu cão de grande porte e raça mista. Por causar transtornos no apartamento, aos vizinhos e no cotidiano de Lili, o cachorro é abandonado nas ruas. Ela fica arrasada enquanto Hagen tenta encontrar um abrigo. A partir daí, o choque será inevitável para os espectadores mais sensíveis. Hagen vai passar por um processo de transformação física (e emocional) ao cair nas mãos de gente inescrupulosa. White God (Deus branco), mais um acerto do cinema húngaro (ainda estão em cartaz Filho de Saul e O Cavalo de Turim), tem a direção de Kornél Mundruczó, que usou 250 cães para cenas externas de grande impacto. Estreou em 25/2/2016.
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  • Seth Grahame-Smith aproveitou-se do livro Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, para escrever Orgulho e Preconceito e Zumbis, que ganha uma adaptação dirigida sem personalidade por Burr Steers (do drama A Morte e Vida de Charlie). Os personagens são os mesmos da literatura, a começar pela heroína Elizabeth (Lily James). Na Inglaterra do século XIX, a jovem é a primogênita da família Bennet e tem mais quatro irmãs, todas à espera de um bom casamento. Enquanto o aristocrata Mr. Bingley (Douglas Booth) joga seu charme para Jane (Bella Heathcote), o intrépido Mr. Darcy (Sam Riley) parece interessar-se por Elizabeth — e ela por ele. Os relacionamentos, contudo, são ameaçados pela horda de zumbis, que procuram os vivos para se alimentar. Mas os protagonistas estão quase sempre de espada na mão prontos para revidar aos ataques. Embora com produção vistosa e duas ou três piadas espirituosas, o filme cai num limbo — não funciona como romance de época e, muito menos, como sátira às histórias de mortos-vivos. O.k., valeu a intenção. Estreou em 25/2/2016.
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  • O filme mostra a intensa relação entre a dona de casa Antonieta e Gabriel, seu vizinho homossexual. Os personagens se conhecem na primavera de 1938, quando Adolf Hitler visita Benito Mussolini. A convivência faz com que compartilhem dramas e esperanças.
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  • Instant Article

    Recados na pele

    Atualizado em: 26.Fev.2016

Fonte: VEJA SÃO PAULO