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Sexto protesto contra a Copa reuniu 500 pessoas e percorreu cerca de 10 km

Manifestantes saíram do Tatuapé fecharam faixas da Radial Leste, chegaram até a Praça da Sé e, às 23h30, dispersaram sem grandes confrontos

Por: Fábio Lemos Lopes - Atualizado em

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O sexto protesto com o tema "Não vai ter Copa" ocorreu nesta terça-feira (29) no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo. A concentração começou às 18h30 em frente à estação Tatuapé do metrô. No convite feito pelo Facebook , 3 700 pessoas confirmaram presença, mas apenas 500 compareceram, número que foi diminuindo com o passar das horas.

No começo da noite, a Polícia Militar não permitiu que ficassem na Radial Leste. Eles foram isolados na Rua Tuiuti por duas horas, ao lado do metrô. Black blocs - eram quinze ao menos - queimaram um álbum de figurinhas da Copa no local. A PM anunciou, por meio do Twitter, que três menores haviam sido apreendidos portando estilingue, faca e pedra nas mochilas.

Às 20h20, os manifestantes começaram a caminhar (a príncípio iriam até o Itaquerão), mas as principais vias do Tatuapé estavam fechadas pela Tropa de Choque. Durante o dia, houve rumores de que o objetivo dos manifestantes era chegar ao estádio que vai receber jogos do Mundial. A Gaviões da Fiel até chegou a convocar os torcedores do Corinthians para proteger a construção.

Sem alternativas, seguiram então pela Rua Domingos Agostim, caminharam em frente ao Sesc Belenzinho e, às 21h, conseguiram ocupar duas faixas da esquerda da Radial no sentido centro.

Na via, a PM tentou deter um manifestante, o que gerou um princípio de tumulto. Para conter a multidão, policiais usaram spray de pimenta. Logo depois o participante foi liberado.

O grupo depois andou toda a Radial até um acesso para a Avenida 23 de Maio e por volta das 23h chegou até a Praça da Sé. A PM criou um cordão de isolamento para os manifestantes, que - como de costume - fizeram um jogral. Após 10 quilômetros de caminhada, o ato se encerrou sem nenhum grave incidente.

Outros atos

A primeira manifestação contra a Copa, em janeiro, ficou marcada pela violência. Um fusca pegou fogo com uma família dentro logo após passar por um colchão em chamas. O fogo foi ateado por black blocs, que também quebraram bancos, vidraças de prédios residenciais e ônibus. No fim, 146 pessoas foram detidas. Um manifestante, Fabrício Chaves, levou dois tiros de policiais.

No segundo protesto, em fevereiro, 262 pessoas foram detidas. A PM usou a tática do "kettling" (chaleira, em inglês), cercando manifestantes preventivamente, antes que qualquer distúrbio ocorresse. Jornalistas também acabaram detidos e agredidos

A terceira manifestação, em março, reuniu 1 500 pessoas no Largo da Batata, segundo a Polícia Militar. Cerca de 1 700 policiais acompanharam a marcha. Ao chegar à Avenida Paulista, um grupo depredou a agência de um banco e um estabelecimento comercial. Na ocasião, estações do metrô chegaram a ser fechadas e usuários foram impedidos momentaneamente de sair.

No quarto ato, 800 manifestantes marcharam pacificamente da Praça do Ciclista até a Praça da República, na região central, também no mês de março. O protesto lembrou o caso de corrupção no metrô de São Paulo e não teve nenhuma pessoa detida.

O quinto protesto, por fim, ocorreu em abril. Com cerca de 1 000 manifestantes, o início na Avenida Paulista foi tranquilo. Depois, muros e relógios públicos foram pichados no trajeto em direção à Avenida Rebouças e black blocs danificaram agências bancárias na Avenida Vital Brasil. Cinquenta e quatro pessoas foram detidas. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO