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Sétimo ato contra a Copa termina com conversa entre manifestantes e a PM

Protesto pacífico reuniu cerca de 350 pessoas na Praça da Sé e seguiu até a Avenida Paulista

Por: Felipe Schmieder - Atualizado em

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O sétimo protesto contra a Copa terminou na noite deste sábado (24) na Avenida Paulista, centro de São Paulo, sem incidentes. Manifestantes e a Polícia Militar até conversaram no fim do evento sobre o sucesso da operação. Cerca de 350 pessoas se concentraram na Praça da Sé a partir das 14h e andaram até a Rua da Consolação com cartazes anarquistas, do movimento GLS e de apoio às recentes greves em punho. No fim, já na Praça do Ciclista, um pequeno grupo queimou bandeiras do Brasil e um álbum de figurinhas do Mundial de futebol.

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Todo o ato foi acompanhado de perto pela Tropa de Choque, que deslocou 400 homens. Logo no começo, eles cercaram a Catedral da Sé para evitar depredações. Mascarados com escudos nas mãos circulavam entre os manifestantes. Oito enfermeiros, estudantes e brigadistas também seguiram o percurso com soro, gazes e luvas em iniciativa independente.

Por causa da chuva e do pequeno número de ativistas reunidos, o grupo demorou para começar a caminhada, iniciada somente às 17h.  Antes, por volta das 16h, o comércio na região central chegou a fechar as portas após um princípio de confusão. A polícia apertou o cerco e levou para o 1º DP um manifestante que recusou a deixar seu carro passar por revista. Segundo a PM, seu nome é Iranildo Brasil e faz parte dos advogados que apoiam a causa. Foi detido por desobediência, desacato e por suspeita de transportar coquetéis molotov. Uma hora depois, Iranildo voltou com policiais para seu veículo e, após averiguação, foi solto.

Logo no começo da manifestação, participantes distribuíram comida quente para moradores de rua. Bem no meio da Praça da Sé, um quiosque da operadora Claro chamava a atenção. Andreza Souza de Oliveira montou seu ponto de venda com outras sete colegas itinerantes. Ela disse que não tinha medo e que só queria fazer comércio. Outra figura que não passou despercebida foi José de Freitas, conhecido como “vovô da passeata”. Aos 87 anos, ele não perde um ato desde junho do ano passado.

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Na avaliação de José Eduardo Bexiga, tenente-coronel da PM, a operação foi “maravilhosa”. Quando a maioria já se dispersava, Bexiga afirmou para manifestantes que abusos ocorridos em outros atos estão sendo investigados.

Outros atos

A primeira manifestação contra a Copa, em janeiro, ficou marcada pela violência. Um fusca pegou fogo com uma família dentro logo após passar por um colchão em chamas. O fogo foi ateado por black blocs, que também quebraram bancos, vidraças de prédios residenciais e ônibus. No fim, 146 pessoas foram detidas. Um manifestante, Fabrício Chaves, levou dois tiros de policiais.

No segundo protesto, em fevereiro, 262 pessoas foram detidas. A PM usou a tática do "kettling" (chaleira, em inglês), cercando manifestantes preventivamente, antes que qualquer distúrbio ocorresse. Jornalistas também acabaram detidos e agredidos

A terceira manifestação, em março, reuniu 1 500 pessoas no Largo da Batata, segundo a Polícia Militar. Cerca de 1 700 policiais acompanharam a marcha. Ao chegar à Avenida Paulista, um grupo depredou a agência de um banco e um estabelecimento comercial. Na ocasião, estações do metrô chegaram a ser fechadas e usuários foram impedidos momentaneamente de sair.

No quarto ato, 800 manifestantes marcharam pacificamente da Praça do Ciclista até a Praça da República, na região central, também no mês de março. O protesto lembrou o caso de corrupção no metrô de São Paulo e não teve nenhuma pessoa detida.

Já o quinto protesto ocorreu em abril. Com cerca de 1 000 manifestantes, o início na Avenida Paulista foi tranquilo. Depois, muros e relógios públicos foram pichados no trajeto em direção à Avenida Rebouças e black blocs danificaram agências bancárias na Avenida Vital Brasil. Cinquenta e quatro pessoas foram detidas.

O sexto, por fim, também foi realizado em abril, no Tatuapé. Aproximadamente 500 pessoas percorreram 10 quilômetros, da Radial Leste até a Praça da Sé. O ato não teve incidentes graves. Um pequeno grupo de black blocs queimou um álbum de figurinhas da Copa, e a PM apreendeu estilingues, facas e pedras.

Fonte: VEJA SÃO PAULO