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'O Médico e o Monstro': conheça o protagonista do musical, Nando Prado

Galã da 'Broadway brasileira' divide o seu tempo entre o canto, a banda de rock, a atuação e as artes plásticas

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

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Nando Prado, na sala de sua casa: instrumentista e escultor, está em seu sétimo musical (Foto: Mario Rodrigues)

No corredor de acesso aos camarins do Teatro Bradesco, no Bourbon Shopping, o silêncio só é quebrado pelas notas de um piano. Em uma tarde de terça-feira, o ator e cantor paulistano Nando Prado, de 31 anos, protagonista do musical Jekyll & Hyde — O Médico e o Monstro, está concentrado na frente do instrumento que estuda desde a infância. Ele ensaia uma partitura como se em poucas horas fosse apresentá-la ao público. “Oh, desculpe”, apressa-se o artista ao perceber que não está sozinho na sala. “Toco todos os dias, mas, como ando meio sem tempo, aproveito qualquer horário livre.”

Tal cena pode parecer inusitada ao ser associada àquele que é conhecido atualmente como o galã dos musicais produzidos em São Paulo. Depois de brilhar em sete produções do gênero, entre elas ‘A Bela e a Fera’ (2002), ‘Chicago’ (2004), ‘O Fantasma da Ópera’ (2005) e 'Miss Saigon' (2007), era natural que ele — boa-pinta, de olhos azuis, com 85 quilos distribuídos em 1,87 metro — fosse alçado a tal posto, ainda que pareça determinado a escapar de várias formas.

Nando Prado toca piano, sax, violão e guitarra. Integra a banda de rock eletrônico Donna John há dezesseis anos. “Esse é meu maior exemplo de perseverança”, afirma. “Não encontramos gravadora, todos dizem que fazemos mais do mesmo, mas sei que um dia vamos estourar.” Ao encerrar a temporada de ‘Miss Saigon’, em dezembro de 2008, o artista passou o ano seguinte investindo, sem sucesso, no futuro do grupo. Tirava o sustento de outra de suas facetas, a de artista plástico, produzindo esculturas de ferro. Sua obstinação é tanta que, no quarto do apartamento onde mora, no bairro da Aclimação, instalou um suporte no teto, que, rebaixado à altura da cama, permite que ele alcance o teclado mesmo deitado. “Se um violonista pode tocar enquanto descansa, por que não um pianista?”, brinca.

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Nando Prado como um dos protagonistas de Miss Saigon (Foto: Mario Rodrigues)

Foi a devoção pela música que levou Nando a descobrir o teatro. Ele procurou cursos de interpretação para aprimorar a performance nos shows e, logo depois de assistir à montagem brasileira do musical ‘Rent’, em 2000, passou duas semanas em Nova York, conferindo clássicos do gênero, como ‘Cabaret’ e ‘Miss Saigon’. Voltou as energias para entrar nesse mercado ascendente em São Paulo. “Soube que o Gabriel Villela testaria o elenco do ‘Rent’ para a montagem da 'Ópera do Malandro' e, como namorava uma menina que participaria da audição, dei um jeito de me infiltrar”, lembra o ator, que foi selecionado, principalmente, pelo talento como instrumentista.

Muito centrado e meticuloso, Nando Prado calcula os passos de uma carreira que, em uma década, já colheu frutos consideráveis. “Quem trabalhou comigo sabe quanto cumpro meus compromissos e que não dou chilique nos bastidores.” O diretor Jorge Takla, responsável por sua escalação para ‘Vítor ou Vitória’ (2001) e ‘Chicago’, endossa essas qualidades. “Não existe barreira para o Nando. Quando começamos a ensaiar ‘Chicago’, ele mal sabia dançar e tinha pouquíssima noção de balé ou jazz, mas estudou tanto que, na estreia, já arrebentava.”

Atualmente, depois das cinco sessões semanais de ‘Jekyll & Hyde — O Médico e o Monstro’, ele coleciona elogios pela interpretação do médico Henry Jekyll, que, ao se tornar cobaia da própria experiência, se transforma no maléfico Edward Hyde. Ao ganhar o papel, o ator devorou o romance do escocês Robert Louis Stevenson, que originou a peça.

Usou pesos de 5 quilos nas canelas durante a semana anterior à estreia para dar credibilidade ao caminhar do vilão Hyde. “Eu tenho disciplina em tudo o que faço; é natural, e não uma obrigação”, diz ele. O reconhecimento diante do novo espetáculo tem levado Nando Prado a repensar a carreira. “Eu sei que forço muito a barra em relação à música, mas devo diversificar meu trabalho e investir no lado de ator, fazer televisão e cinema”, acredita ele, que namora a atriz e cantora Gianna Pagano, do elenco de ‘Cats’. Para quem desbravou o restrito mundo dos musicais, parece questão de tempo.

Fonte: VEJA SÃO PAULO