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Cinema

Nancy Kato: a brasileira que deu vida à heroína de “Valente”

Paulistana conta como é fazer parte da equipe da Pixar

17.jul.2012 | Atualizada em 18.jul.2012 por Bruno Machado

Após se formar pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, no final dos anos 1980, a paulistana Nancy Kato, de 47 anos, passou a trabalhar como designer.

Posteriormente, foi morar nos Estados Unidos, onde fez um mestrado em computação gráfica. Dos mais de vinte anos em que está naquele país, treze foram dedicados a Pixar – empresa de animação que hoje pertence à Disney.

Responsável pelos efeitos especiais e animação de mais de uma dezena de filmes – como “Os Incríveis” (2004), “Wall-E”(2008) e “Up – Altas Aventuras” (2009) –, a mais recente tarefa de Nancy foi dar vida à princesa Merida, protagonista de “Valente”, que estreia nesta sexta (20).

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Por telefone, ela conversou com VEJINHA.COM:

VEJA SÃO PAULO — O que você fez exatamente em “Valente”?

Nancy Kato — Eu integro a equipe que faz o chamado “character animation”, isto é, que dá vida aos personagens. Trabalhei fazendo toda a animação da protagonista.

VEJA SÃO PAULO — O fato de você ser mulher ajudou a trabalhar com um personagem feminino?

Nancy Kato — Sem dúvida. Como o filme é uma animação muito realista, tudo precisar ser bastante sutil. Sobretudo quanto às expressões e emoções. Merida é muito aventureira, e me identifiquei com ela por causa disso desde o início.

VEJA SÃO PAULO — Como é dar expressão a um personagem?

Nancy Kato — Aqui na Pixar temos uma “acting room”, em que atores fazem poses que são filmadas e depois reproduzidas. Vivo filmando pessoas para me inspirar. Cheguei, inclusive, a filmar meu marido para fazer os movimentos de alguns personagens.

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A paulistana, na Pixar há mais de dez anos: "a protagonista de 'Valente' é aventureira como eu"
(Foto: Divulgação)

VEJA SÃO PAULO — Quanto tempo demorou para que “Valente” ficasse pronto?

Nancy Kato — Essa é uma conta difícil. Fazemos quadro por quadro do filme todo. Somos mais de 70 pessoas no departamento, e mesmo assim, demoramos uma semana para conseguir produzir três ou quatro segundos de filme.

VEJA SÃO PAULO — Como você foi parar na Pixar?

Nancy Kato — Fiz mestrado em Nova York e depois fui trabalhar em Los Angeles, com efeitos especiais. Descobri que a Pixar estava precisando de pessoal e mandei meu portfólio. Na época, a empresa estava refazendo “Toy Story 2” (1999), que ia ser lançado diretamente em home video, mas acabou indo para o cinema. Isso já faz quase 13 anos. Até ganhei uma estátua de bronze do Buzz Lightyear, que é dada para quem está trabalha aqui há mais de dez anos.

VEJA SÃO PAULO — Já está há um tempo nos Estados Unidos. Você se lembra de como era morar em São Paulo?

Nancy Kato — Eu volto a São Paulo quase todos os anos, para rever minha família. A cidade mudou muito. Chega a me assustar. Do aeroporto até minha casa, demoro uma hora no trânsito. Antes não era assim. Lembro que a rua em que eu morava, em Moema, era de terra e eu corria atrás do Seu Arlindo, padeiro que fazia entregas na minha casa. São Paulo parecia uma cidade do interior.

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