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Mustache e os Apaches lança disco de estreia no Auditório Ibirapuera

Inspirado nas jug bands americanas, quinteto mostra repertório autoral neste domingo (8)

Por: Mayra Maldjian - Atualizado em

Mustache e os Apaches
A banda Mustache e os Apaches (Foto: Andrei Andi)

A banda Mustache e os Apaches, que fez das ruas palco para suas performances, lança neste domingo (8), no Auditório Ibirapuera, seu disco de estreia. Com onze faixas, o álbum homônimo é uma extensão autoral do repertório de asfalto apresentado pelo quinteto gaúcho-mineiro radicado na capital paulista, cujos integrantes atendem por Pedro Pastoriz (voz, violão e banjo), Tomás Oliveira (contrabaixo e voz), Axel Flag (voz e percussão), Jack Rubens (bandolim) e Lumineiro (washboard, antiga tábua de lavar roupa transformada em instrumento musical). 

Inspirados nas jug bands americanas, apontadas como precursoras do blues, e nos espetáculos do Circo Vaudeville, uma das formas de arte mais populares dos EUA do fim do século XIX, os excêntricos rapazes de cabelos volumosos e bigode começaram a tomar as esquinas e bares da cidade há cerca de três anos. Na época, moravam em um casarão no bairro de Perdizes, batizado de Brick House, onde tudo começou. Ali, ensaiaram os três números que marcariam o início de uma próspera carreira: Smokey Joe’s Cafe (The Coasters), Belleville Rendez-vous (Mathieu Chedid) e Just a Gigolo (standard famoso na voz de Louis Prima).

“Logo que o Pedro se mudou para a casa, ele falava sobre montar uma banda para tocar na rua, nesse formato atual. Falava sobre skiffle, dixieland, as bandas de New Orleans. Começamos a tirar algumas músicas e na mesma semana fomos para a esquina de casa tocar”, lembra Lumineiro, que classifica o som da banda como “meio blues, meio folk, meio jazz, meio calabresa, meio mussarela”. Ele coleciona quatro washboards –a primeira, confeccionada por um amigo, é sua favorita.

O quinteto passou a alternar shows nos espaços públicos por temporadas em palcos de casas de shows da cidade, como o finado Studio SP e, mais recentemente, o novo bar Riviera. Participaram da novela Cheias de Charme, da Globo, do curta-metragem Modo Ave, de Beto Brant e Lu Brites, e engataram uma turnê pela Europa. “Foram trinta dias de viagem, onze cidades, mais de vinte shows. Eu achei que a gente ia chegar lá e a galera ia perguntar: ‘E a bossa nova?”. Ninguém perguntou”, conta Pedro. Durante essa guinada, do meio do ano passado para cá, os amigos resolveram reunir composições próprias para gravar o disco, cuja produção é assinada por Guilherme Destro.

“Antes de criar a banda cada um já compunha suas coisas. Com o passar do tempo a gente vai criando intimidade e colocando nossas músicas na roda”, fala Tomás. Daí saíram as faixas Harry Nilsson, que conta o dia tedioso do personagem-título na cidade depois de se barbear, e a maluca Twang, que ganhou até clipe. Não pense você que essa guinada na carreira afastou o quinteto das ruas. Volta e meia eles passam o chapéu em Perdizes, na Vila Madalena e na região da Avenida Paulista. “Por muito tempo foram esses trocados que pagavam nossas contas”, lembra Tomás. Segundo Lumineiro, o público foi se acostumando com a arte de rua, que é muito mais comum em outros países. “Hoje a resposta das pessoas é mais espontânea, elas vão até o chapéu.”

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Fonte: VEJA SÃO PAULO