Abastecimento

Secretário diz que Estado multará quem consumir mais água

Mauro Arce assumiu a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos na semana passada. Em caso de rodízio, lugares próximos a hospitais serão poupados

Por: Juliana Deodoro - Atualizado em

Mauro Arce
Mauro Arce volta para o comando da Secretaria de Recursos Hídricos (Foto: Carla Romero/Valor/Folhapress)

Em meio à crise de abastecimento em São Paulo, com o reservatório do Sistema Cantareira com 12,3% de sua capacidade nesta quarta-feira (16), o engenheiro Mauro Arce assume a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos, posto que já ocupou no governo Mário Covas e na primeira gestão de Geraldo Alckmin.

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Antes de ser convocado, Arce estava como presidente da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Acostumado a lidar com crises, esteve à frente da pasta na última crise de abastecimento, em 2004, e foi gerente no racionamento de energia de 2001.

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Desde o dia 9 de abril, quando foi anunciado, o secretário relata ter conversado com o governador todos os dias. Entre os principais planos para lidar com a possível falta d'água, ele afirma que será cobrada multa de quem aumentar o consumo. Além disso, garante que não haverá problema na Copa do Mundo. Confira a entrevista para VEJASAOPAULO.COM.

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Como foi o convite e por que o senhor aceitou o posto de secretário neste momento de crise?

Trabalho no governo desde Mário Covas. Atuei na gestão do governador (José) Serra e do doutor Geraldo (Alckmin). Houve essa mudança de secretário por causa do período eleitoral. O governador me chamou e não tive como negar. Foi uma convocação para ajudar nesse processo, pois sozinho ninguém vai resolver nada. Todo dia converso com o governador, se não pessoalmente, pelo telefone. Ele está realmente empenhado porque é um assunto importante.

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Quais medidas estão sendo discutidas?

Vamos criar o ônus para quem consumir mais água. O objetivo é que ninguém seja onerado. Não queremos dinheiro, mas que todas as pessoas atendam e economizem a água até passarmos por essa crise. Estamos administrando agora do lado da demanda, temos uma boa resposta ao plano de bônus, e estamos batalhando para não precisar fazer o rodízio. Estamos dando 30% para quem baixar e vamos dar o ônus de 30% a 35% para quem aumentar.

Quando a multa começará a valer? Como será calculada?

Não temos uma data, vamos reunir as equipes e definir o plano. Vamos avisar a população com antecedência. O ônus será calculado pegando a média de consumo dos últimos meses.

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O governo admitiu que poderá fazer rodízio. Em que momento ele será necessário?

Esse momento muda todo dia. Por exemplo: nesse final de semana choveu e ganhamos três ou quatro dias. A reserva ecológica começará a ser usada no dia 15 de maio e vamos esperar o resultado da ampliação do bônus. A volta do rodízio é problemática. Por isso procuramos, sem perder a noção da segurança, evitá-lo. O ideal seria fazer como em Sacramento, na Califórnia, onde a população simplesmente não usa água em um momento determinado, sem o desligamento.

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Quais regiões seriam afetadas em um primeiro momento?

Se fizermos um rodízio na Avenida Paulista, vamos atingir hospitais, maternidades. Por isso, não podemos fazer naquela região. Vamos poupar lugares próximos a hospitais, por exemplo. Da mesma forma, o bônus foi ampliado para todo mundo, vamos fazer rodízio para todo mundo. Temos que aumentar a abrangência até para fazer realmente uma economia.

Não fazer o rodízio é uma decisão política?

Não, é uma decisão técnica. Se eu conseguir uma redução com o bônus, o efeito pode ser o mesmo do rodízio.

Já há relatos de falta de água. O que aconteceu nesses lugares?

Isso foi por causa da mudança de reservatório. Fizemos manobras para mudar o abastecimento do Cantareira para Guarapiranga. Mesmo em manutenção normal há problemas assim. Se necessário o rodízio será feito, mas será avisado com antecedência.

Há risco de faltar água na Copa do Mundo?

Não. Na energia, por exemplo, o efeito Copa do Mundo é de diminuição. Vai ser feriado em vários dias e muita gente não ficará em São Paulo. Acredito que a Copa será uma fonte de redução espontânea.

Fonte: VEJA SÃO PAULO