Noite

Movimento Elefantes reúne big bands

Na saída do projeto cada espectador decide quanto quer pagar

Por: Giovana Romani - Atualizado em

Como o próprio nome sugere, uma big band costuma ter números superlativos. Sua formação, em geral, reúne entre dez e 25 instrumentistas que tocam saxofone, trombone e trompete, além de uma seção rítmica com baixo, guitarra, bateria e piano. Antes dispersas em shows eventuais, nove dessas orquestras estão unidas desde fevereiro. Elas formam o Movimento Elefantes, que se apresenta em bares e casas noturnas da cidade. Na segunda (3), estreia temporada no Teatro da Vila, na Vila Madalena. A cada semana, dois conjuntos mostram seu som. "É muito difícil viver de música instrumental", afirma o baixista Vinicius Pereira, criador do projeto. "Juntas, as bandas de sopro conseguem atrair a atenção do público e de profissionais do meio artístico." A ideia veio em janeiro, durante uma viagem de trabalho, quando Pereira conheceu a Movida Acústica Urbana, iniciativa de seis grupos de Caracas, na Venezuela. "Fiquei impressionado com a popularidade deles", lembra. Pereira tratou, então, de acionar sua rede de contatos. Em pouco tempo, o Movimento Elefantes funcionava a plenos pulmões.

"Antes de nos juntarmos, chegávamos a ficar quatro meses sem tocar", conta Thiago Alves, um dos líderes da Reteté Big Band. "Agora, fazemos pelo menos duas apresentações por mês." Cada grupo aposta em um estilo diferente. Formados em igrejas evangélicas, os músicos da Reteté, por exemplo, têm repertório inspirado em nomes como Count Basie e Thad Jones, com standards do jazz e algumas composições próprias. A Banda Urbana cria arranjos para canções de Chico Buarque, Gilberto Gil e Djavan, entre outros. Já a Jazzco, com 35 anos de atividade, abre espaço para a improvisação. "Não há concorrência", diz Pereira, que integra o Projeto Coisa Fina, fundado há quatro anos para homenagear o maestro e compositor pernambucano Moacir Santos (1926-2006). O Movimento Elefantes pretende lançar neste mês um DVD com números dirigidos pelo documentarista Pedro Dantas. Essa manada de músicos parece estar mesmo empenhada em conquistar o público a qualquer preço. As performances no Teatro da Vila funcionarão sem valor de entrada estipulado. "Na saída, cada espectador decide quanto vale nos-so show", explica Pereira.

Movimento Elefantes. Teatro da Vila (99 lugares). Rua Jericó, 256, Vila Madalena, 7838-0182. Segunda, 20h. Até dia 31. A partir de segunda (3).

Fonte: VEJA SÃO PAULO