Acidente

Mais um caso de mutilação e morte no trânsito. Até quando?

Motociclista morreu após ter perna decepada em colisão com caminhonete, na Zona Sul, no terceiro caso semelhante em menos de dois meses

Por: Redação VEJASAOPAULO.COM - Atualizado em

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Motociclistas trafegam entre carros na Marginal Pinheiros (Foto: Mário Rodrigues / Veja São Paulo)

Na madrugada desta quinta (2), a cidade presenciou mais um caso de mutilação em acidente de trânsito. Desta vez, dois ocupantes de uma moto ficaram feridos na colisão com uma caminhonete e um deles perdeu a perna, que segundo testemunhas ficou pendurada no para-brisa do veículo, e acabou morrendo no hospital.

De acordo com o 47º DP, no Capão Redondo, onde o caso foi registrado, o jovem Everton dos Santos Pinto, de 20 anos, que estava na garupa da moto, foi levado ao Hospital Municipal do Campo Limpo com a perna direita amputada. Ele não resistiu a uma cirurgia de emergência e morreu por volta das 7h40 da manhã. O outro ocupante da moto continua internado. 

O caso ocorreu na estrada de Itapecerica da Serra, na Zona Sul, por volta de 1h. Segundo a polícia, o motorista da caminhonete, um estudante de engenharia de 25 anos que dirigia sozinho, aguardou o resgate no local e ligou para o resgate. Levado ao 47º DP para prestar depoimento, ele relatou que a moto invadiu a contramão. O jovem foi submetido a exames e liberado em seguida. O caso foi registrado como lesão corporal culposa (quando não há intenção). 

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O motoqueiro Gedilson José da Silva teve a perna decepada em acidente e faleceu no dia seguinte (Foto: Arquivo Pessoal)

O acidente ocorre há pouco mais de uma semana de outro motociclista, o carteiro Gedilson José da Silva, de 40 anos, ter tido a perna decepada numa batida com outro veículo quando ia trabalhar, na Vila Brasilândia, no último dia 25. Levado a um hospital da Zona Sul, Silva não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte. Em depoimento, o condutor do veículo, de 23 anos, disse não ter percebido que o impacto havia mutilado a perna do carteiro e que não prestou socorro por temer represálias de outros motociclistas.

Confira entrevista exclusiva com a esposa do carteiro morto em acidente

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David Santos Sousa: para trabalhar, jovem fazia rapel para limpar arranha-céus da cidade (Foto: Reprodução)

Em março, o ciclista David Santos de Souza, de 21 anos, foi atropelado na Avenida Paulista, e teve o braço direito amputado. O atropelador, o estudante de psicologia Alex Siwek, de 22 anos, também fugiu sem prestar socorro e deixou o local com o braço da vítima, que ele jogou no Córrego do Ipiranga, na Avenida Doutor Ricardo Jafet, na Zona Sul. Horas depois, o jovem voltou à própria casa, guardou o carro na garagem e dirigiu-se a pé a delegacia para se entregar.

Adaptando-se a uma nova rotina, o jovem que trabalhava como limpador de vidros de edifícios vem realizando testes com uma prótese que irá receber como doação do empresário Nelson Nolé, de Sorocaba. 

A CET não compilou os números de acidentes de trânsito deste ano. Em 2012, foram registrados 438 casos de morte com motociclistas --um pequeno decréscimo em relação a 2011, quando 512 morreram.  Os pedetres respondem pela maior parte das mortes no trânsito da capital, com 540 vítimas em 2012 e 52 foram ciclistas.

Fonte: VEJA SÃO PAULO