Arte

Cinco motivos para participar de eventos de performance nesta semana

Mostras Verbo e Movimenta, promovidas por galerias paulistanas, rolam entre terça (26) e domingo (31)

Por: Julia Flamingo - Atualizado em

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Performance GRUA, que acontece em deslocamento entre o Largo da Batata e a Galeria Mezanino (Foto: Divulgação)

Nesta semana, o cenário das artes de São Paulo se volta para a performance. Dois grandes eventos dedicados à arte reúnem, ao todo, cerca de quarenta artistas que fazem apresentações gratuitas ao público em três diferentes locais da cidade.

A primeira mostra, a Verbo, é o maior e mais antigo evento do tipo. Promovida pela Galeria Vermelho, já entra em sua 12º edição. Entre terça (26) e sexta (29), reúne mais de vinte artistas na galeria da Consolação com apresentações diárias a partir das 20h.

A segunda edição da Movimenta, mostra da Galeria Mezanino, ocorre entre quarta (27) e domingo (31). As apresentações gratuitas ocupam o espaço expositivo da galeria, em Pinheiros, e também o Largo da Batata, onde as ações como GRUA acabam atraindo a atenção de transeuntes e motoristas desavisados.

Não se convenceu? Aqui estão os cinco motivos pelo qual você deve assistir às apresentações:

Dias e Riedweg_Nada Quase Nada
Dupla Dias & Riedweg apresenta cartazes com oitenta frases de personalidades públicas (Foto: Ana Alexandrino)

1 - Você começa a achar que a sua locura é normal

O carioca Mauricio Dias e o suíço Walter Riedweg apresentam a ação Nada Quase Nada, entre uma sala de debate e uma apresentação de um programa na TV. Com senso de humor e uma carga pesada de crítica, a performance conta com uma parede repleta de centenas de lambe-lambes. Os cartazes reproduzem oitenta citações de personalidades públicas, de políticos a jogadores de futebol, de socialites a artistas e filósofos. Vestida de preto e coberta com máscaras de látex, a dupla passa quarenta minutos lendo, de forma encenada, cinco contos do escritor suíço Robert Walser, que viveu sob internações manicomiais. Diante de tantas loucuras, você começa a achar que suas loucuras são totalmente normais.

Terça (26), às 21h, na Galeria Vermelho

2 - Você também pode virar artista

Em Centro de Pesquisa de Ideologia das Imagens, Maurício Ianês recebe os visitantes para papear. Depois de uma entrevista pessoal amigável, pede que seu interlocutor sugira alguma imagem que simbolize a sua visão da história, da política ou da sociedade contemporânea. Ianês procura o desenho em um computador e o imprime. Ele fará parte de uma coleção na parede da galeria, em que o artista cria uma narrativa da histórial atual.

Terça (26) a sexta (29), entre 20h e 23h, na Galeria Vermelho

3 - Sua manifestação é mais do que bem-vinda

Completamente despido  - literalmente - de qualquer visão política, Marcelo Cidade lê um texto com o nome de diversas revoluções. Enquanto isso, o artista nu é fuzilado por cimento úmido, arremessado pelo público.

Quinta (28), às 20h30, na Galeria Vermelho

renan marcondes
Saltos de 30 centímetros de altura são protagonistas da performance de Renan Marcondes (Foto: Divulgação)

4 - Em poucos minutos, seu ponto de vista pode mudar

Em Como um Jabuti Matou uma Onça e Fez uma Gaita de um de Seus Ossos, o jovem Renan Marcondes - que vem ganhando cada vez mais notoriedade no cenário da performance paulistana - é subjugado por um sapato laranja. O público observa o performer de cima: ele se movimenta lentamente sem conseguir se levantar, já que o salto de 30 centímetros o impede. Sem manter uma postura ereta e dominadora, passa a ter uma posição de fragilidade. Ao mesmo tempo, nos faz pensar na objetivação da mulher.

Sexta (29), às 19h30, na Galeria Mezanino

5 - Você percebe que sua concentração, paciência e equilíbrio já foram para o brejo

Durante quinze horas (cinco horas por dia), o artista Alexandre D’Angeli apresenta a performance O Leitor. Ele projetou uma mesa que, em vez de um tampo, traz uma caixa com 100 quilos de areia preta. Ali, estão enterrados doze livros, de autores como Samuel Beckett, Haroldo de Campos, Virginia Wolf e Hilda Hilst, que ele desenterra para ler trechos, a cada dois minutos contados por uma ampulheta.

Quinta (28) a sábado (30), das 14h às 19h, na Galeria Mezanino

Fonte: VEJA SÃO PAULO