Exposição

Três mostras trazem a produção de fotógrafos nascidos no país

Confira o trabalho de Mario Cravo Neto, Klaus Mitteldorf e Sebastião Salgado

Por: Jonas Lopes - Atualizado em

Sebastião Salgado - fotografia elefante - Genesis
Elefante no Parque Nacional de Kafue, Zâmbia. 2010. Sebastião Salgado (Foto: Sebastião Salgado)

A criação de fotógrafos nascidos no Brasil pode ser vista em três exposições em cartaz na cidade. Conhecido por abordar a tradição cultural afro-brasileira em um tom mítico e sagrado,o baiano Mario Cravo Neto (1947-2009) tem 250 imagens feitas em Nova York, bem no início da carreira, exibidas na boa mostra Butterfies and Zebras.

Já o paulistano Klaus Mitteldorf expõe 350 imagens realizadas em três décadas, na Faap. As séries da década de 80, caso de Last Day of Spring e Norami, revelam-se datadas. Salva-se o bom conjunto Introvision, no qual os registros aparecem distorcidos e desfocados.

Integram Genesis, no Sesc Belenzinho, 245 registros de regiões quase intocadas pelo homem, feitos por Sebastião Salgado. Montanhas, desertos, forestas, tribos indígenas e animais são retratados pelo mineiro nas obras em preto e branco.

Confira:

  • A produção do fotógrafo baiano, morto em 2009, ganhou importância pelo estilo inconfundível e impactante. Em seus trabalhos, a tradição cultural afro-brasileira exibe um tom quase mítico, explicitado pelo uso constante de preto e branco e pelos contrastes marcantes. Com curadoria de Diógenes Moura, a mostra Butterflies and Zebras reúne 45 fotos dessa fase mais conhecida, clicadas de 1980 a 1999. Mas parte fundamental da montagem compõe-se de um conjunto inédito de 250 imagens coloridas, realizadas no período em que o artista viveu em Nova York, no fim dos anos 60. Naquela época, na verdade, ele não estava voltado para o gênero fotográfico: dedicava-se à pintura e à escultura e seguia à procura de novos caminhos. Os registros revelam um olhar atento para a correria da metrópole, em especial nas ruas e estações de metrô. De 27/7/2013 a 10/11/2013.
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  • Três décadas de carreira do fotógrafo paulistano são celebradas com a retrospectiva Work: Photographs 1983-2013. Em meio às 350 imagens escolhidas pelo curador Rubens Fernandes Junior estão fotos feitas para ensaios de moda, campanhas publicitárias e até capas de discos. O resultado decepciona. Várias das séries, principalmente aquelas realizadas na década de 80, revelam-se datadas e com um pé no kitsch, caso de Last Day of Spring e Norami. Com textos de parede em cores de pouca legibilidade e excesso de elementos sonoros e visuais por toda parte, a montagem pouco ajuda. Salva-se o bom conjunto Introvision, no qual os registros aparecem distorcidos e desfocados. Até 27/10/2013.
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  • Sempre envolvido em projetos grandiosos, o fotógrafo mineiro radicado em Paris exibe no Sesc Santo André o mais recente resultado de suas incessantes andanças mundo afora. Muito bem organizada pela curadora e mulher do artista, Lélia Wanick Salgado, em cinco núcleos temático-geográficos, a mostra Genesis reúne 245 imagens de regiões praticamente intocadas pelo homem, feitas entre 2004 e 2011. Montanhas, desertos, florestas, tribos indígenas e animais são retratados nas fotos, todas em preto e branco. Embora em certos momentos sentimentalize um pouco os flagrantes, Salgado consegue criar impressões escultóricas no registro de dunas, da cauda de uma baleia e de uma enorme geleira. Chama atenção ainda um elefante em um parque da Zâmbia. Vale dizer que a qualidade principal da exposição é trazer o contraste gritante entre locais imunes ao caos moderno e o modo como vivemos hoje, acelerado e dependente da tecnologia. Até 4/3/2014. Jornada de desafios: durante a empreitada, Salgado foi obrigado, por exemplo, a voar de balão para clicar um grupo de búfalos africanos. + Sebastião Salgado: "'Genesis' fecha para mim um ciclo de histórias"
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Fonte: VEJA SÃO PAULO