Noite

Baladas: exposição reúne fotos e objetos

Mostra promovida por marca de vodca traça trajetória de casas noturnas paulistanas de 1970 aos dias de hoje

Por: Isabella Villalba - Atualizado em

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Pista de dança da Toco, casa noturna da Zona Leste que recebia até 3000 pessoas por noite (Foto: Acervo pessoal Toco)

Quem for ao Castelinho da Brigadeiro Luís Antônio a partir de sexta (1º) encontrará na porta a hostess Adriana Recchi, figura bastante conhecida dos baladeiros paulistanos. Até aí, sobretudo para quem está acostumado a frequentar casas noturnas na cidade, nada fora do normal. Há duas diferenças, no entanto.

+ Fotos: Exposição relembra baladas de 1970 aos dias de hoje

Em primeiro lugar, o que rola no charmoso imóvel em estilo art nouveau não é uma festa, mas uma exposição — a primeira ali realizada. Além disso, será uma projeção de Adriana (e não a própria) quem dará as boas-vindas. Assim começarão as visitas à mostra ‘Smirnoff@ nightlife’, que reúne fotos marcantes de gente idem, feitas durante os últimos quarenta anos da vida noturna paulistana. “Escolhemos esse período porque a experiência de frequentar pistas de dança começou a ser mais intensa a partir dos anos 70”, diz a DJ Claudia Assef, diretora e editora de conteúdo da mostra.

Cada década ganhou um cômodo próprio dentro do Castelinho. Nesses ambientes, tudo remeterá à época. A trilha sonora, montada pelos disc-jócqueis mais requisitados das respectivas fases, reunirá sucessos que embalavam as noitadas. “A primeira vez que toquei ‘Walk This Way’, do Run DMC, um dos primeiros rappers dos anos 80, no Madame Satã, jogaram latas em mim”, relembra um deles, o DJ Mau Mau. Na decoração, peças que eram parte do mobiliário de boates — por exemplo, dois lustres do Lov.e, ponto de encontro de fãs de música eletrônica entre 1997 e 2008. 

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A drag Paulette Pink: personalidade GLS dos anos 90 (Foto: Celia Saito)

Outro destaque promissor diz respeito ao look dos notívagos. Quem contribuiu para a exposição foi o costureiro Heitor Werneck, criador da grife Escola de Divinos, sucesso de figurinos dos agitos das décadas de 90 e início dos anos 2000. “Emprestei várias peças, como uma camiseta que pertenceu ao Sid Vicious, do Sex Pistols”, conta ele. Um bar com drinques característicos de cada década servirá as bebidas. Por isso, a entrada é proibida para menores de 18 anos. “Fizemos uma grande pesquisa para lembrar nomes de drinques”, diz Claudia Assef.

A exposição faz parte de uma iniciativa que acontece em outros treze países. Cada lugar escolheu uma maneira de consultar seus moradores sobre o que existe de melhor na balada nacional. As ideias serão reunidas por representantes e servirão de base para preparar uma grande balada em um dos países participantes, a ser definido no fim de novembro. “Queremos fazer a troca cultural. Estimular a discussão sobre a noite brasileira e dividir isso com o mundo”, conta Piero Franceschi, um dos idealizadores do projeto.

Fonte: VEJA SÃO PAULO