Exposição

Mostra Revolução Genômica explica sobre campo mais badalado da ciência

Recursos interativos, painéis luminosos e até um laboratório. É assim que a mostra Revolução Genômica explica aos visitantes sobre o estudo do material genético dos organismos

Por: Gisele Kato - Atualizado em

Logo na entrada, uma máquina compara as seqüências genéticas dos mais diferentes seres vivos. Descobrir que temos 95% de genes em comum com o chimpanzé talvez não cause espanto. Ninguém fica indiferente, no entanto, quando o aparelho indica o índice de semelhança com o camundongo (89%), ou com o arroz (11%). Mais adiante, em um laboratório, assistentes preparam uma mistura de morango, água, sal e detergente, que ajuda na quebra das moléculas da fruta. Jogam a combinação em um tubo de ensaio e adicionam álcool. Em poucos minutos, assistimos à emersão de filamentos brancos, saídos da massa vermelha, acumulada no fundo do vidro. Tchan, tchan, tchan, tchan! Eis o DNA do morango, com todas as informações determinantes para suas características.

Montada no Pavilhão Armando de Arruda Pereira, a antiga sede da Prodam, no Parque do Ibirapuera, a mostra Revolução Genômica é uma espécie de cartilha para esse universo tão em voga desde o surgimento da ovelha Dolly, onze anos atrás. Resultado de uma parceria entre o Instituto Sangari e o Museu de História Natural de Nova York, a exposição divide-se em três módulos principais, pensados de forma a não só apresentar o tema ao público como também evidenciar a interferência dos estudos de genoma no nosso dia-a-dia. Para que os visitantes entendam como se relacionam os dados presentes nos genes de todos os organismos, há muitos recursos interativos, painéis luminosos, modelos de células e cromossomos.

Ao acervo trazido dos Estados Unidos, as curadoras Eliana Maria Beluzzo Dessen e Monica Teixeira acrescentaram os avanços brasileiros na área. Desde 2000, a Fapesp financia as pesquisas nacionais sobre genética, voltadas principalmente para uma melhoria nas técnicas de agricultura: "Mapeamos recentemente dois tipos de bactéria que atacam as laranjeiras", conta Eliana. "Também desenvolvemos café e cana-de-açúcar mais resistentes a variações climáticas." Terminado o passeio, expressões como transgênicos e células-tronco embrionárias passam a fazer mais sentido. Diretora do Instituto Sangari, Bianca Rinzler acredita que iniciativas assim ajudam muito na educação. Seu acordo com o museu de Nova York estende-se por mais cinco anos e prevê uma dezena de exposições ligadas à ciência durante esse período. "Ainda no segundo semestre, vamos organizar na cidade uma mostra sobre Einstein", promete Bianca.

Revolução Genômica. Pavilhão Armando de Arruda Pereira (antigo prédio da Prodam). Parque do Ibirapuera, portão 10. Informações, 3468-7400. Terça a sexta, 9h às 20h; sábado, domingo e feriados, 10h às 20h. R$ 15,00 e R$ 7,00 (meia-entrada). A bilheteria fecha uma hora antes. Grátis no último domingo de cada mês. Até 13 de julho.

Fonte: VEJA SÃO PAULO