Plano B

Perdeu o filme da Mostra? Veja dez boas opções do circuito

Moonrise Kingdom, de Wes Anderson, e Cosmópolis, de David Cronenberg, são alguns dos longas com requisitos para agradar aos cinéfilos

Por: Redação VEJINHA.COM - Atualizado em

MOONRISE KINGDOM
Bruce Willis e Frances McDormand em cena do filme de Wes Anderson, Moonrise Kingdom (Foto: Divulgação)

Para os precavidos, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo pode trazer algumas surpresas nem sempre agradáveis. A mais comum: sessões esgotadas. Os cinéfilos mais experientes sabem que comprar ingressos com antecedência é uma precaução necessária para não perder aquele filme comentadíssimo (clique aqui para ver a programação completa).

Mesmo para os mais cuidadosos, contudo, existe o risco de voltar para casa mais cedo. A seguir, confira dez opções em cartaz no circuito que, sem as filas quilométricas da Mostra, podem salvar o dia de quem não teve tanta sorte no evento cinematográfico mais importante do ano:

  • Versátil cronista da cidade de São Paulo desde a década de 80, o diretor paulistano assina aqui seu trabalho mais redondo, embora o humor, uma de suas especialidades, apareça apenas de relance. Pudera. Em seu primeiro drama de época, a ação transcorre na capital paulista no inverno de 1971, em pleno regime militar. Na trama, Emílio de Mello interpreta um diretor de teatro viciado em jogatina que está montando uma peça bancada pelo Partido Comunista. Como deve favores, recebe uma intimação de um militante para esconder dois homens procurados pela polícia. A saída é refugiar a dupla no casarão onde mora Lilian (Julia Ianina), a namorada de seu irmão (Geraldo Rodrigues). Detalhe: Lilian vive com o avô, um general de exército aposentado (papel de Walmor Chagas). Também roteirista, Giorgetti foge de qualquer estereótipo ou clichê daquele período, focando seu registro na classe média e nos artistas afetados pela repressão no país. Estreou em 07/09/2012.
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  • Desde seu filme anterior, “Um Método Perigoso”, o diretor canadense se apegou a um tipo de “cinema falado”, plugado em enredos complexos e narrativa emperrada. O auge se dá com este drama futurista que tem estilo e excentricidades em meio a muito blá-blá-blá. Robert Pattinson, o vampiro da saga “Crepúsculo”, arrisca-se num papel mais denso interpretando Eric Packer, um bilionário do mundo das finanças de Nova York. No dia em que o presidente americano passa pela cidade, ele insiste em cortar o cabelo longe de sua região. Seu segurança o alerta para os perigos que podem ocorrer durante o trajeto, como protestos violentos e tentativas de assassinato. Assim como o roteiro, a jornada, a bordo de uma limusine, será acidentada. Casado com uma ricaça com quem não se dá bem, Packer tem tudo dentro do carro: de um banheirinho particular a um espaço para transar (com a personagem de Juliette Binoche). Em sua crítica ao capitalismo selvagem, Cronenberg peca pelo excesso de ideias e palavras, mas acerta na concepção visual quase arrebatadora. Enquanto o veículo se desloca lentamente pelas ruas de Manhattan, ações dentro dele rolam soltas. Estreou em 07/09/2012.
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  • Na região da Grande Paris, vivem os casais Jean e Annie (Guy Bedos e Geraldine Chaplin) e Albert e Jeanne (Pierre Richard e Jane Fonda) mais o viúvo paquerador Claude (Claude Rich). Eles são amigos há décadas e, embora felizes, os sinais da idade começam a aparecer. Jeanne tem um câncer terminal, mas decidiu não contar a Albert, que já apresenta lapsos de memória. Claude, afeito a transas com garotas de programa, não possui o mesmo coração da juventude. Parte, então, de Jean e Annie, ambos com a saúde em dia, a proposta de todos morarem juntos na casa deles. Além da ajuda mútua, a vida comunitária permite a troca de experiências e um contato diário próximo. O grupo contrata um jovem alemão (Daniel Brühl) para auxiliá-los. Para um ator idoso, deve ser um prazer imenso interpretar um ótimo personagem principal. Com gosto e rugas no rosto (exceto a esticada Jane Fonda), o elenco mostra-se afinado e com fôlego de sobra. Entre a graça e a morte iminente, o diretor e roteirista Stéphane Robelin comanda seu segundo longa-metragem sem choro nem vela. Prefere fazer um registro real da velhice oferecendo reflexões prudentes e comoções contidas. Estreou em 12/10/2012.
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  • Parece inesgotável o talento do diretor Breno Silveira para dar vida a histórias comoventes e genuinamente brasileiras — vide o recente e, infelizmente, pouco visto À Beira do Caminjho. Depois do acerto com 2 Filhos de Francisco, o realizador retorna com outra cinebiografia de artistas nacionais, agora centrada na trajetória pessoal e musical de Luiz Gonzaga (1912-1989) e seu filho, Gonzaguinha (1945-1991). Embora a carreira de ambos seja um dos carros-chefe, o mote está na relação amarga entre eles. O início se dá com o reencontro em 1980. Gonzagão, já um astro decadente, recebe a contragosto em sua casa, em Pernambuco, Gonzaguinha, um sucesso nas rádios. Rei do baião, o cantor de Asa Branca relembra, então, as passagens mais marcantes de sua vida. Saído da cidade de Exu enxotado por um coronel, ele desistiu da carreira militar para tentar a sorte como artista no Rio de Janeiro. Entre passado e presente, o roteiro enfoca desde seu primeiro casamento, com uma dançarina (papel de Nanda Costa), até sua ascensão na música a partir dos anos 40. Em pouco mais de duas horas, o drama promove um passeio por um Brasil nostálgico, envolto em preciosa direção de arte de Cláudio Amaral Peixoto (O Palhaço) e situações afetivas emocionantes. O elenco, encabeçado por Chambinho do Acordeon, que faz Gonzaga dos 27 aos 50 anos, e Julio Andrade, intérprete de Gonzaguinha adulto, dá conta muito bem do recado. Com Luciano Quirino e Silvia Buarque. Estreou em 26/10/2012.
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  • No estado da Virgínia, durante a época da Lei Seca, a família Bondurant sobrevive contrabandeando uísque. O primogênito Forrest (Tom Hardy, o vilão do novo Batman) e Howard (Jason Clarke), seu irmão do meio, são os líderes da empreitada. Jack (Shia LaBeouf), o caçula, quer participar dos negócios ilícitos, mas os outros o consideram inexperiente. O rapaz vai provar maturidade e tino para o crime após conhecer o famoso mafioso Floyd Banner (Gary Oldman). Diretor de A Estrada (2009), John Hillcoat conta com recriação visual impecável em seu drama policial baseado em fatos verídicos. Atuações inspiradas e uma trama em movimento constante também contribuem para o bom resultado. No entanto, fazem falta uma marca autoral e envolvimento mais firme para que o longa saia da plataforma do convencional. Com Guy Pearce e Jessica Chastain. Estreou em 12/10/2012.
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  • Inspirada em uma história real, a comédia dramática já foi lançada em DVD e Blu-ray. O que poderia render um dramalhão lacrimoso virou uma espirituosa trama capaz de tirar do sério um tema espinhoso. François Cluzet, em excelente desempenho, interpreta Philippe, um milionário tetraplégico de Paris que busca um cuidador. Quando conhece Driss (Omar Sy), Philippe parece ter encontrado a pessoa certa. Vindo da periferia, pobre, negro e malandro, Driss não tem carta de referência, mas possui autoestima inabalável, além de uma contagiante alegria de viver. Como quer alguém que não o veja com piedade, o ricaço o contrata. Estreou em 31/08/2012.
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  • Um dos mais alternativos diretores americanos, Wes Anderson é cultuado por seus filmes de roteiros inusitados e personagens esquisitos. Muitas vezes, acerta em cheio, como em Os Excêntricos Tenenbauns (2001) e Viagem a Darjeeling (2007). Em outras, exagera na dose de maluquices, a exemplo de A Vida Marinha com Steve Zissou (2004). Em seu novo e singular trabalho, o humor segue a linha minimalista e nada estridente da comédia. Os protagonistas da trama, ambientada numa ilha na costa de New England em 1965, são os adolescentes Sam (Jared Gilman) e Suzy (Kara Hayward). Ele é órfão e está no acampamento de escoteiros liderado pelo personagem de Edward Norton. Suzy vive com os pais (Bill Murray e Frances McDormand) e não cansa de espiar de binóculo o horizonte. Há um motivo para isso: a garota planejou uma fuga com Sam. Ao se encontrar, o casal apaixonado vai enfrentar barreiras físicas e emocionais. Com Bruce Willis. Estreou em 12/10/2012.
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  • Riqueza de material de arquivo inédito, pesquisa apurada e depoimentos esclarecedores fazem a diferença neste documentário. Um dos movimentos culturais mais festejados da história brasileira, o tropicalismo durou pouco. Entre 1967 e 1968, Caetano Veloso e Gilberto Gil, dois dos maiores expoentes, lançaram canções de vanguarda que, diferentemente de outras músicas da época, criticavam o período militar de uma forma mais anárquica e pop. O auge se deu no disco Tropicália ou Panis et Circensis. Além de Gil e Caetano, a obra reuniu Gal Costa, Tom Zé, Os Mutantes, Nara Leão, a poesia de Torquato Neto e Capinam e os arranjos de Rogério Duprat. O movimento se estendeu ao cinema novo de Glauber Rocha e ao teatro de José Celso Martinez Corrêa. De uma forma envolvente e criativa, o documentarista Marcelo Machado (sócio nos anos 80 de Fernando Meirelles na produtora Olhar Eletrônico) relembra passo a passo do surgimento do tropicalismo: dos festivais da Record ao exílio de Caetano e Gil, em Londres, por meio de imagens tiradas do baú. Trata-se, portanto, de um amplo e rico painel musical e visual, tratado sem preguiça nem presunção. Estreou em 14/09/2012.
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  • Resenha por Miguel Barbieri Jr.: Casada e mãe de dois filhos, Claire (Marie Gillain), de 32 anos, é juíza na cidade de Lyon, na França. Seu agitado cotidiano sofre um forte abalo: ela descobre que tem um tumor no cérebro e poucos meses de vida. Claire decide esconder sua morte iminente da família e ajudar Céline (Amandine Dewasmes), uma moça que pediu dinheiro emprestado a uma financeira e, sem condições de pagar, está sendo processada. Para isso, encontra a ajuda do colega de profissão Stéphane (Vincent Lindon). Diretor de "Bem-Vindo" (2009), Philippe Lioret entrelaça uma história de tribunal com drama familiar numa fita de tom emocional sem apelações. Até mesmo as sequências previsíveis são superadas pela entrega total dos atores aos papéis e pela sinceridade na abordagem de temas duros. Ao lado de "Intocáveis", ainda em cartaz, trata-se de mais um bom exemplo da recente filmografia francesa. Estreou em 21/09/2012.
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  • Americano de 42 anos, Chbosky já se aventurou pelo cinema e pela TV. Dirigiu um longa-metragem em 1995 (The Four Corners of Nowhere), escreveu o roteiro do musical Rent (2005) e foi um dos criadores do seriado Jericho. Seu melhor desempenho, porém, está na adaptação para o cinema do livro homônimo de sua autoria, lançado no Brasil pela editora Rocco. Também diretor, ele transformou seu romance em um pequeno grande filme. A sensibilidade da literatura passou para as telas sem escalas. Na trama, Charlie (Logan Lerman, o D’Artagnan de Os Três Mosqueteiros) é um rapaz de 15 anos cujo melhor amigo cometeu suicídio. Na escola, os colegas nem o notam. Sua vidinha besta, contudo, vai sofrer uma guinada quando conhece Patrick (o ótimo Ezra Miller, protagonista de Precisamos Falar sobre o Kevin) e Sam (Emma Watson, a Hermione de Harry Potter), que enxergam nele uma pessoa bacana e decidem arrancá-lo da solidão. Mesmo entre um e outro clichê, este rito de passagem da adolescência para a vida adulta encanta. Estão lá as dúvidas existenciais, o primeiro beijo, a balada de estreia... Talvez pelo assunto atemporal, Chbosky não situa exatamente o ano da história. Oitentista, a deliciosa trilha sonora ataca de The Smiths, Cocteau Twins e Crowded House e há um sublime Bowie retrô (Heroes). Quando o roteiro casa cenas tocantes com a música pop, a emoção cresce conforme o volume aumenta. Estreou em 19/10/2012.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO