Cinema

Mais enxuta, 35ª Mostra exibe 250 filmes a partir de sexta (21)

Embora menor, festival vai apresentar clássicos restaurados e grande vencedor do Festival de Veneza 2011

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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"O Garoto da Bicicleta": premiado em Cannes (Foto: Divulgação)

Em dezembro do ano passado, quando descobriu um câncer em estágio avançado, Leon Cakoff, criador e diretor da Mostra Internacional, tomou uma decisão: a 35ª edição de seu evento cinematográfico seria menor, para que ele tivesse mais tempo de cuidar da saúde. E assim foi feito. Entre sessões de quimioterapia e internações (na sexta,14, ele morreu no Hospital São José), conversou com patrocinadores, esteve no Festival de Cannes, em maio, e ajudou a escolher as fitas. Com a garra e a força de uma leoa, Renata de Almeida, sua mulher e peça fundamental no evento desde 1989, liderou então a equipe para não deixar a peteca cair.

Além de um cardápio mais enxuto, os organizadores tomaram outra resolução: exceto as reprises de clássicos, entrariam na programação apenas produções inéditas no Brasil. Ou seja: os filmes do Festival do Rio, cujo término será na terça (18), não vão passar em São Paulo. Trata-se de uma atitude ousada, pois implica abrir mão, por exemplo, de “A Pele que Habito”, o novo trabalho do diretor espanhol Pedro Almodóvar. “Foi uma decisão do Leon. É uma experiência, e só vamos avaliar se houve algum prejuízo no fim”, afirma Renata. Isso, porém, não significa esvaziamento de conteúdo. A partir de sexta (21), 250 longas-metragens — quase a metade de 2010 — serão projetados em 21 salas.

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Mesmo disputando produções com o festival carioca, a Mostra, que tem grande prestígio no exterior, trará dois grandes vencedores de Cannes: “O Garoto da Bicicleta”, comovente drama dos irmãos belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne (“A Criança”), e “Era uma Vez na Anatólia”, do turco Nuri Bilge Ceylan (“3 Macacos”), ambos laureados com o Grande Prêmio do Júri. Ainda da competição francesa, chegam o argentino “Las Acacias”, o russo “Elena”, o japonês “Hanezu”, o francês “Pater” e “Habemus Papam”, o aguardado trabalho do realizador italiano Nanni Moretti (“O Quarto do Filho”).

Para o encerramento, virá o vencedor do Leão de Ouro do recente Festival de Veneza: “Fausto”, do russo Aleksandr Sokurov. Igualmente atraente está a seção de reprises. “Taxi Driver” (1976), de Martin Scorsese, “Laranja Mecânica” (1971), de Stanley Kubrick, e “1900” (1976), de Bernardo Bertolucci, retornam em cópias restauradas. Do cineasta Elia Kazan (1909-2003), um dos homenageados, serão revistas dez fitas, entre elas as magistrais “Uma Rua Chamada Pecado” (1951) e “Sindicato de Ladrões” (1954), ambas estreladas por Marlon Brando.

O Brasil marca presença em cerca de setenta títulos, capitaneados por Selton Mello e sua formidável comédia dramática “O Palhaço”, vencedora de quatro troféus no Festival de Paulínia: melhor direção, roteiro, figurinos e ator coadjuvante, para Moacyr Franco. Mesmo com o festival mais “enxuto”, duro será escolher entre tantas e tantas opções.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO