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Monges abrem as portas do Mosteiro de São Bento para brunch dominical

Beneditinos querem inaugurar uma nova tradição, sempre no último domingo de cada mês

Por: Mariana Barros - Atualizado em

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Santa ceia: mesa de doces das chefs Lia e Marcela Tulmann (Foto: Fábio Knoll)

Todos os dias, por volta de 4 e meia da tarde, o Mosteiro de São Bento, no centro, é envolto em um aroma doce. O cheiro emana dos quitutes recém-saídos dos fornos da padaria, localizada no andar inferior do edifício, onde os monges preparam seus tradicionais pães, bolos e sobremesas. Suavemente, espalha-se pelo hall, pelas salas de reunião, pelo jardim e pelos corredores do colégio e da faculdade que funcionam no complexo. Aos poucos, adentra também na área mais restrita, a clausura, acessada apenas pelos 42 religiosos que ali vivem. A essência, misto de mel, amêndoas, chocolate, canela, maçã e açúcar mascavo, invade quartos, salas de música e refeitório até, finalmente, começar a subir aos céus. A partir deste domingo (29), esse momento celestial poderá ser apreciado não só pelo olfato, mas por todos os cinco sentidos. Iguarias elaboradas pelos monges, hoje vendidas nas lojas do mosteiro e do Jardim Paulista, serão servidas em um brunch no edifício histórico. Criado em 2007, o evento, que não teve periodicidade definida, acabou sumindo do calendário de atividades dos beneditinos. Retorna agora com previsão para ocorrer no último domingo de cada mês, acompanhado por exposição e venda de peças de arte sacra e embalado por música erudita ao vivo. “Estamos inaugurando uma nova tradição”, diz o irmão João Baptista Barbosa Neto, produtor cultural do mosteiro e representante exemplar dessa tendência: ao receber a reportagem, vestia seu tradicional hábito escuro e modernos calçados de borracha Crocs. Além de cuidar da biblioteca e do calendário de atividades, que inclui cursos e palestras, o monge mantém um blog sobre eventos culturais do mosteiro (www.culturageralsaibamais.wordpress.com).

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Imagens religiosas no salão onde é servido o brunch (Foto: Mario Rodrigues)

Os quitutes beneditinos serão apenas parte do menu criado pelas chefs Lia e Marcela Tulmann, responsáveis pelo restaurante da sede social do Jockey Club, na Rua Boa Vista, região central, e pelo Lia Giorno, no Shopping Jardim Sul. Mãe e filha, a dupla já organizou eventos no mosteiro e encomendou doces para ocasiões especiais, como o bolo Laetare, o preferido de Lia. “Quer ir para o céu? Então, é lá”, brinca. Nesta primeira edição, deverão integrar o cardápio salmão marinado acompanhado de creme azedo, guacamole e crostinis; palmito pupunha assado com manteiga de ervas; terrine de berinjela, mascarpone e tomate seco; e terrine de ovos com ovas de capelim. Haverá ainda massas, pães, queijos, saladas e uma grande mesa de doces. A comilança sai por 99 reais, com uma taça de espumante. Durante o banquete, os convidados podem adquirir ou apenas apreciar obras de arte sacra expostas no salão — entre elas, segundo o irmão João Baptista, esculturas barrocas do século XVII. O brunch tem início às 12 horas, após a missa das 10, em que os monges entoam cantos gregorianos acompanhados por um órgão. A cerimônia acontece na igreja do mosteiro, chamada Nossa Senhora da Assunção, embora muitos se refiram erroneamente a ela como Igreja de São Bento.

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Mesas postas no salão do Mosteiro de São Bento (Foto: Mario Rodrigues)

A ordem estabeleceu-se em São Paulo em 1598, quando só havia jesuítas e carmelitas, no mesmo lugar onde permanece. Da construção original, porém, não sobrou nada, já que após décadas de abandono foi preciso realizar uma série de reformas. No fim do século XIX, após o imperador dom Pedro II proibir que ordens eclesiásticas recebessem novos noviços, o mosteiro chegou a ter um único monge residente, e o espaço foi invadido por famílias pobres, deteriorando-se. Beneditinos enviados da Alemanha aportaram na cidade para recuperar as instalações, e o edifício, tal como o conhecemos, foi concluído em 1914. Dos tempos remotos, foram preservadas raridades como o exemplar de uma Bíblia de 1496, tesouro da biblioteca a que apenas os monges têm acesso. Pesquisadores e alunos podem consultar o acervo, forte em obras de história, em salas separadas e mediante aprovação dos religiosos.

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A fachada do mosteiro, de 1914 (Foto: Mario Rodrigues)

Brunch no Mosteiro. Largo São Bento,

s/nº, centro, ☎ 2440-7837. R$ 99,00. Grátis

para crianças de até 10 anos. Venda de convites

neste sábado (28), no Mosteiro, das 9h às

11h30 e das 13h30 às 18h, e no restaurante

Lia Giorno, no Shopping Jardim Sul. Estac.

c/manobr. (R$ 15,00).

Fonte: VEJA SÃO PAULO