Urbanismo

Morumbi: nova avenida promete descongestionar o trânsito do bairro

Nova via deve custar 17 milhões de reais e servirá de atalho à Marginal Pinheiros.

Por: Maria Paola de Salvo - Atualizado em

Paciência é uma virtude necessária para os motoristas que cruzam os limites do Morumbi. Congestionamentos estressantes tomam conta do bairro durante quase todo o dia. "O tráfego está sempre ruim, vive parado", diz o empresário Olavo Egydio Setubal Júnior. Morador de um condomínio ao lado do Parque Burle Marx, ele demora cerca de uma hora no período da manhã para chegar ao trabalho, no Jabaquara. "Existem poucas vias de saída para a Marginal Pinheiros." Para alcançar as duas pontes que ligam o bairro à outra margem do rio, só há duas opções: as avenidas Giovanni Gronchi e Morumbi, ambas saturadas. "Outro dia perdi vinte minutos só para sair de uma das pontes e chegar à Avenida Guilherme Dumont Villares", conta a revisora Roseli Gonçalves, que gasta duas horas diárias para vencer o percurso entre sua casa, em São Caetano, e a região do Panamby, onde trabalha.

A partir do segundo semestre de 2008, a rotina de Setubal, Roseli e de todos os moradores do bairro tem boas chances de mudar. Uma nova avenida a ser implantada em paralelo à Giovanni Gronchi, a Itapaiúna/Perimetral Paraisópolis – denominação ainda provisória –, servirá de atalho à Marginal Pinheiros. Com 3,7 quilômetros, a via começará na Rua Doutor Flávio Américo Maurano e seguirá até o fim da Rua Itapaiúna, a cerca de 1 quilômetro da Ponte João Dias (veja mapa ). "O objetivo é distribuir melhor o tráfego daquela área", afirma o secretário adjunto de Infra-Estrutura Urbana e Obras, Marcos Penido.

Saturada, a Avenida Giovanni Gronchi é um dos principais eixos de circulação do Morumbi e chega a receber, no pico da manhã, 400 carros além de sua capacidade máxima, de 2 400 veículos por hora. Segundo estimativas da Secretaria de Infra-Estrutura Urbana e Obras, até 40% de todo esse fluxo poderá migrar para a nova perimetral. Para dar conta do movimento, ela terá mão dupla, com duas faixas em cada sentido, e um canteiro central de 2 metros entre as pistas.

Prevista no Plano Diretor da cidade e com construção em etapas, a obra deve custar 17 milhões de reais. O trecho da Rua Itapaiúna de 1 quilômetro hoje de terra será asfaltado. O 1,2 quilômetro restante deve margear Paraisópolis, a segunda maior favela de São Paulo, e faz parte de um programa de urbanização. "A rua vai melhorar o acesso da população aos serviços de coleta de lixo e de transporte", diz Gilson Rodrigues, presidente da União de Moradores de Paraisópolis. "Com poucas opções de ônibus, hoje temos de ir a pé até a Vila Sônia", acrescenta, referindo-se a um bairro vizinho.

O traçado da obra, porém, tem dividido as opiniões dos moradores. Enquanto a Associação Panamby comemora a conquista da avenida pela qual luta há pelo menos quatro anos, a Sociedade de Moradores do Morumbi, que representa a ala residencial da região, vê a novidade com preocupação. Tanto que já a apelidaram de "Minhocão". "As ruas residenciais ficarão tomadas por trânsito e poluição, o que vai degradar a vizinhança, assim como o entorno do Elevado Costa e Silva foi destruído um dia", imagina o presidente da entidade, Carlos Magno Gibrail. "O alívio nos engarrafamentos será pequeno diante do boom imobiliário."

No ano passado, o Morumbi foi o bairro que mais cresceu em área e o segundo em número de apartamentos lançados. "A nova via deve desafogar o tráfego por alguns anos, mas ficará cheia com a chegada de novos empreendimentos", prevê o engenheiro de tráfego Francisco Moreno Neto. "A solução seria uma nova ponte que ligue a região do Panamby ao outro lado do Rio Pinheiros." Orçada em cerca de 80 milhões de reais, a obra está nos planos da prefeitura, mas, como tantos outros projetos, ainda não tem data para sair do papel.

Como será a avenida

• Prevista para ficar pronta no segundo semestre de 2008, a Avenida Itapaiúna/Perimetral Paraisópolis terá 3,7 quilômetros

• A nova via deve aliviar o pesado fluxo da Giovanni Gronchi em até 40%, além de melhor distribuir o trânsito do bairro

• Custará 17 milhões de reais e faz parte do programa de urbanização da favela Paraisópolis

Fonte: VEJA SÃO PAULO