Itaquerão

Funcionários dormiam após o almoço no momento do acidente

Fábio Luiz Pereira e Ronaldo Oliveira dos Santos eram terceirizados. Obra vai parar por três dias. 

Por: Juliana Deodoro - Atualizado em

O inesperado acidente da Arena Corinthians, conhecida como Itaquerão, chocou os cerca de 1700 trabalhadores da obra. Colegas contam que o operador de guindaste Fábio Luiz Pereira, de 42 anos, e o montador Ronaldo Oliveira dos Santos, de 44 anos, tiravam um cochilo depois do almoço no momento em que foram atingidos pelos destroços. Fábio estava dentro de um caminhão; Ronaldo, em um túnel próximo. 

O operador Antonio Francisco Camargo trabalhava diretamente com Fábio Luiz Pereira. Ele saiu para almoçar e o colega ficou dormindo em um caminhão próximo à máquina que içava a peça que caiu. "Eu só ouvi o barulho, vim correndo, e já vi o corpo dele para fora do caminhão. Entrei em choque. Foi um desespero danado", conta. Amigos de Ronaldo também dizem que ele dormia depois de almoçar. 

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Os dois funcionários que morreram eram terceirizados. Fábio era funcionário há 10 anos da empresa de equipamentos BHM. Casado, tinha três filhas, a mais velha com 23 anos. Como morava no interior, durante a semana passava as noites em um alojamento da Odebrecht no Parque Novo Mundo, na Zona Norte de São Paulo. Já Ronaldo Oliveira dos Santos era montador da empresa de engenharia Conecta, subcontratada da Odebrecht para a obra.

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Até quem trabalha no turno da noite, como o controlador Adriano Pedro, de 30 anos, foi correndo até a Arena para ajudar os colegas. "Encontrei vários amigos chorando, assustados. O clima está tão ruim que nem consegui ficar lá dentro". 

Prenúncio do acidente

O armador Raimundo José Rego, que trabalha na arena desde o início da obra, há dois anos, conta que por volta das 9h viu uma peça menor ser içada pelo mesmo guindaste e cair. Foi um incidente menor que não deixou feridos. Rego pediu um intervalo para ir ao banco e, quando voltou, às 10h30, percebeu que a equipe estava apreensiva, mas os trabalhos continuaram. 

O funcionário que guiava o guindaste no momento do acidente, cujo nome não foi revelado, está em estado de choque. A obra foi paralisada por três dias em respeito às vítimas. 

 

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Anúncio de paralisação (Foto: Juliana Deodoro)

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO