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Crime: a morte de Isabella Nardoni

Essa é a conclusão de três dos nove especialistas consultados pela reportagem

Por: Mariana de Barros

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Não foram poucos os crimes envolvendo figuras paulistanas ou acontecidos aqui que sacudiram o noticiário policial nas últimas décadas. Nos anos 60, o pesadelo atendia pelo nome de Chico Picadinho, alcunha de Francisco Costa Rocha, assassino e esquartejador de duas mulheres. A década seguinte foi marcada pelo Bandido da Luz Vermelha, que cortava a energia da casa de suas vítimas e irrompia no escuro com uma lanterna cor de sangue. Ele matou quatro pessoas e foi responsabilizado por mais de 100 roubos. Na virada do século XX, a metrópole estremeceu quando espectadores de uma sala de cinema do MorumbiShopping foram surpreendidos pelos disparos do ex-estudante de medicina Mateus da Costa Meira. Em 2002, outro episódio chocante ganhou os holofotes: o da jovem e bela estudante Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão por ter participado do assassinato de seus pais.

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Isabella Nardoni - capa 2201
Isabella Nardoni: crime abalou a cidade (Foto: Reprodução/Futura Press)

Nessa coleção de ocorrências horripilantes — entre tantas e tantas outras —, uma foi quase impensável. Para três dos nove especialistas consultados pela reportagem (dois juristas, três advogados criminalistas, um promotor, um psiquiatra forense, um jornalista e um cientista político especializado em violência), o assassinato de Isabella Nardoni é o mais chocante da história da cidade. As razões que os levaram a tal opinião variam. “Nunca um crime repercutiu tanto. Daí sua relevância”, afirma o advogado criminalista Roberto Podval, defensor dos réus Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Desde o início das investigações, o casal foi o principal suspeito de ter golpeado, asfixiado e, em seguida, atirado a menina pela janela do 6º andar do prédio onde eles moravam, na Zona Norte. “Chama atenção pela violência sem motivo”, diz o criminalista Antônio Mariz de Oliveira. “Hoje qualquer frustração é respondida com brutalidade.” Para o cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, o que mais impressionou foi a idade de Isabella, apenas 5 anos. Curiosamente, Francisco Cembranelli, promotor responsável pela condenação do casal — ele a 31 anos de prisão e ela a 26, em regime fechado —, considera o caso Lindomar Castilho o mais relevante da cena paulistana.

VOTARAM

Alberto Zacharias Toron, advogado criminalista

Antônio Mariz de Oliveira, advogado criminalista

Fausto Macedo, repórter do jornal "O Estado de S. Paulo"

Francisco Cembranelli, promotor

Guido Palomba, psiquiatra forense

Ives Gandra Martins, jurista

Miguel Reale Júnior, jurista

Paulo Sérgio Pinheiro, cientista político

Roberto Podval, advogado criminalista

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO