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Moradores promovem melhorias no Largo da Batata

Coletivo vai receber 36 000 da prefeitura para aperfeiçoar as atividades desenvolvidas no local. Frequentadores também foram responsáveis pela transformação

Por: Adriana Farias - Atualizado em

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A reforma do Largo da Batata, um dos espaços mais feios e degradados da metrópole, consumiu 150 milhões de reais da prefeitura e levou mais de uma década para ficar pronta. Pronta? Na verdade, a praça do local foi entregue no fim do ano passado apenas com iluminação e algumas árvores, que foram minguando com os tempos de seca.

No lugar do prometido bulevar verde,o que se viu ali foi uma grande área descampada de cimento. Aos poucos, porém, o cenário vem ganhando melhorias graças ao esforço dos moradores de Pinheiros. Há um ano, por exemplo, acontece por ali um festival de cultura todas as sextas, incluindo números de música, dança e exibições de cinema ao ar livre.

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O negócio começa no fim da tarde e se estende até a meia-noite.Também por iniciativa da população, a área passou a contar com biblioteca, bancos, redes de descanso, cadeiras de praia e canteiros para o plantio de batatas. “É a cidade sendo pensada para as pessoas. Isso traz interação social, cria um vínculo com uma área que antes era só um local de passagem”, elogia a estudante espanhola Mireia Carrasco, de 22 anos, que se mudou em agosto para o bairro da Zona Oeste.

O coletivo A Batata Precisa de Você
Integrantes do coletivo A Batata Precisa de Você (Foto: Fernando Moraes)

A melhor notícia é que o trabalho se desenvolverá ainda mais nos próximos meses. Um dos grupos mais atuantes no esforço de revitalização, o coletivo batizado de A Batata Precisa de Você acaba de ganhar um edital da prefeitura e vai receber 36 000 reais para implementar melhorias, a exemplo da instalação de um gerador para os equipamentos elétricos usados nas apresentações musicais (no momento, o fornecimento é feito de forma improvisada, puxando-se a energia dos bares vizinhos).

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“O dinheiro não resolve tudo, mas é um passo para mostrar que o cidadão deve se apoderar do espaço público”, diz a arquiteta Laura Sobral, uma das mentoras do movimento.

Uma verba menor, de 8 160 reais, viabilizada por um esquema de financiamento coletivo na internet, será usada pelo grupo PingPoint, do casal de arquitetos Dimitre Gallego e Luciana Antunes, para instalar na praça uma mesa de aço de pingue-pongue em 2015. Um teste com equipamento de madeira foi feito em setembro. Vão também ficar para o próximo ano algumas melhorias viárias no entorno, a cargo da SPObras, como o alargamento de ruas e o aterramento de fios.

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Teste com mesa de pingue-pongue: instalação prevista para 2015 (Foto: Divulgação PingPoint/Leonardo Silvério)

Os comerciantes da região estão lucrando com essa movimentação. Alguns bares, restaurantes e lojas estimam um aumento das vendas de 20% nas sextas e de até 60% nos fins de semana. “Antes aqui era um ambiente morto”, conta Marivaldo Jesus, gerente do Sabor Brasil, um dos estabelecimentosdo local.

Os três pontos comerciais do pedaço que costumam fazer apresentações de bandas de forró ao vivo passaram a adotar uma política de boa vizinhança com os organizadores dos shows nas sextas e nos fins de semana. “Quando tem evento na praça, somos avisados e cancelamos tudo”, diz Roberto Gomes, atendente do Jone Bar.

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Outro foco de atividade dos moradores diz respeito à valorização da história do local. O coletivo BatataMemo, bastante atuante nessa área, iniciou um movimento para rebatizar a Estação Faria Lima de Largo da Batata. A proposta virou projeto de lei e está tramitando na Assembleia Legislativa.

Além disso, o grupo reivindica o tombamento de alguns imóveis da região. Um delesé a igreja Nossa Senhora do Monte Serrate, cujo prédio atual foi erguido na década de 50. A igreja original, no entanto, surgiu no século XVI, por obra dos jesuítas. Outra construção no alvo da turma é o Mercado Municipal de Pinheiros, em funcionamento desde 1910. “São marcos fundamentais do bairro, um dos mais antigos da cidade”,justifica a publicitária Fernanda Salles, do BatataMemo.

Fonte: VEJA SÃO PAULO