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Moradores de Paraisópolis farão ato nesta tarde na Giovanni Gronchi

Protesto está marcado para as 17h. Manifestantes exigem retomada de projeto de urbanização e também querem a canalização do Córrego Antonico

Por: Ana Luiza Cardoso - Atualizado em

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Vista da favela de Paraisópolis, ao lado do nobre Morumbi: 60 000 moradores (Foto: VEJASP)

Moradores da favela de Paraisópolis querem aproveitar que a região serve como cenário para a próxima novela da Globo, I Love Paraisópolis, para chamar a atenção a problemas do bairro, vizinho ao Morumbi. Nesta sexta-feira, às 17h, eles farão protesto para exigir melhorias na área e sairão em passeata pela Avenida Giovanni Gronchi, o que pode complicar o trânsito na região.

Durante o ato, organizado pela União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis, será exigida a retomada do projeto de urbanização da região e a canalização do Córrego Antonico. Na semana passada, iniciaram o movimento nas redes sociais chamado #EuAmoParaisópolis e ganharam apoio dos atores Henri Castelli, Mariana Xavier e Tuna Dwek, que participarão da produção global.

“Não queremos incomodar ninguém, só mostrar para a cidade que estamos abandonados aqui”, disse o presidente da UMCP, Gilson Rodrigues. “Eu me reuni com o prefeito Fernando Haddad (PT) há um ano e ele se comprometeu a dar andamento ao programa Nova Paraisópolis, mas, até agora, não vimos mudanças”, diz.  

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Córrego do Antonico: esgoto a céu aberto em Paraisópolis (Foto: Ana Luiz Cardoso)

De acordo com a entidade, cerca de 1 000 pessoas vivem próximas ao córrego. VEJA SÃO PAULO visitou o local. De longe, é possível sentir o cheiro de esgoto que desce as ruas sem asfalto. A maioria das casas tem barreiras de metal e tijolos nas portas e garagens. Nos dias de chuva, os moradores precisam encher sacos de areia e colocá-los sobre os vasos sanitários e ralos para impedir transbordamentos.

Uma moradora que pediu anonimato disse que, com o crescimento da favela, as enchentes pioraram nos últimos dez anos. Em dias de chuva, ela arrasta uma placa de metal de aproximadamente 70 quilos para porta de casa, na tentativa de conter a passagem da água e de ratos. “Não tem jeito. A água invade a casa por qualquer fresta”, diz.

O morador Juvenal Pereira vive há doze anos a poucos metros do córrego. Quer se mudar, mas não consegue vender a casa. No ano passado, depois de uma enchente, sua mulher foi diagnosticada com leptospirose. 

Procurada pela reportagem na manhã desta sexta-feira, a prefeitura ainda não havia se pronunciado até o momento da publicação deste texto.

Fonte: VEJA SÃO PAULO