Folia

Morador da Vila Madalena filma sua casa sendo depredada durante Carnaval

Prefeitura multará bloco Acadêmicos do Baixo Pinheiros por irregularidades e diz que grupo hostilizou o homem, que é coordenador do SOSsego Vila Madalena. Grupo nega insulto

Por: Adriana Farias - Atualizado em

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Um morador da Vila Madalena registrou em vídeo o momento que sua casa é depredada durante o Carnaval de rua na madrugada de sábado (14).

As imagens do designer britânico Tom Green, de 50 anos, que mora há quinze anos na região e é coordenador do SOSsego Vila Madalena, mostram um homem sem camisa atirando garrafas em sua direção. Ele está no segundo andar da residência filmando toda a ação. Na sequência, outros rapazes também passam a atirar objetos quando notam a gravação. 

“Eu havia acabado de pintar a casa, estragaram as janelas com garrafas, paus e pedras e também picharam as paredes”, reclama. Para ele, os moradores se veem acuados e vulneráveis. “Desde a Copa do Mundo que as experiências aqui estão sendo ruins com essas multidões incontroláveis. Além dos casos de depredação, há poluição sonora, sujeira, comércio e casas urinadas”.

Confira as imagens abaixo, a partir do minuto 4:20.

 

Junto com outros habitantes e comerciantes da região, Tom Green ingressou no dia 14 de fevereiro com uma representação no Ministério Público contra a passagem dos blocos pelas ruas da Vila Madalena e de Pinheiros. O documento pedindo a intervenção do órgão reuniu quase 1 500 assinaturas. Intitulado “SOSsego Vila Madalena”, o grupo queria limitar a saída dos cordões antes, após e, inclusive, nos dias oficiais da folia. Para este Carnaval, entretanto, a ação não obteve resultado.

A prefeitura informou que multará seis blocos que desfilaram na região da Vila Madalena em até 3 000 reais por desviarem do itinerário, descumprirem horários e privatizarem espaços públicos. Segundo o órgão, o bloco Acadêmicos do Baixo Pinheiros também “hostilizou o coordenador do SOSsego Vila Madalena, Tom Green, de forma acintosa em sua residência e, mais tarde, o local sofreu vandalismo”.  

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Tom Green mostra as pedras arremessadas contra sua residência na Vila Madalena durante festejos do Carnaval de rua (Foto: Arquivo Pessoal)

Um dos fundadores do coletivo, o comerciante Franco Chiariello, de 31 anos, afirmou que durante a passagem do grupo foi feito um ato de repudio à postura de Tom Green contra o Carnaval de rua, mas nega que os integrantes tenham insultado o morador ou depredado sua casa.

“Nós levantamos o nome dele e da associação, mas sem incitar qualquer tipo de violência”, garante. “Quando o bloco já tinha acabado e eu estava na minha casa, pessoas na rua, bêbadas e loucas, jogaram coisas na casa dele”.

Quanto às outras irregularidades constatadas pela prefeitura, Chiariello confirma que o grupo atrasou para entrar devido a um problema no som, mas compensou reduzindo o tempo de desfile.

“Estávamos marcados para sair às 21h e saímos umas 22h40, mas encurtamos o desfile e terminamos à 0h45 [o prazo limite para o esvaziamento das ruas é à 1h]. Para isso, conversamos com a CET e a Polícia Militar e eles nos autorizaram a mudar o trajeto. A gente dispersaria no Largo da Batata, mas não daria tempo de chegar até lá, então só andamos dois quarteirões, a partir da Rua Belmiro Braga, e voltamos esses mesmos dois quarteirões”.

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Pedaços de vidros e latinhas ficam na janela da casa de Tom Green, morador há quinze anos da Vila Madalena (Foto: Arquivo Pessoal)

A turma afirma que ao chegar ao ponto de partida desligou o carro de som para não haver problemas com barulho e finalizou o evento apenas com percussão e canto. Diz ainda que não foi notificada pela prefeitura, mas que irá recorrer à Justiça caso receba a multa. A prefeitura não divulgou o nome dos outros blocos que serão multados.

“Não temos nenhum tipo de investimento ou patrocínio, só gastamos dinheiro com isso, é um monte de gente que rala para construir essa história. A multa é um absurdo”, reclamou.

A Polícia Militar diz que intensificou o policiamento no local e que já deteve 32 pessoas por diversos crimes da manhã de sexta (13) até a noite desta segunda (16). Do total de 300 blocos cadastrados em toda a cidade, 37 deles já desfilaram na Vila Madalena.

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Outros objetos colhidos por Tom Green que foram atirados em sua casa no bairro (Foto: Arquivo Pessoal)

Confusão

Ainda na Vila Madalena, a dispersão dos foliões terminou em confusão na madrugada de terça-feira (17). O prazo limite para o esvaziamento das ruas é à 1h e durante esse horário, ao orientar as pessoas a saíram, policiais foram atingidos por garrafas e, na sequência, revidaram com bombas de gás. Ainda segundo a corporação, a confusão ocorreu na esquina das ruas Aspicuelta e Fidalga. Um PM e uma gari se feriram, mas passam bem, e não houve detidos. De acordo com o Estado de S. Paulo, há relatos de três foliões machucados.

Do total de 300 blocos cadastrados em toda a cidade, 37 deles desfilaram na Vila Madalena. Segundo a prefeitura, desde o dia 7 de fevereiro até segunda (16), foram recolhidas mais de 260 toneladas de lixo na região.

Fonte: VEJA SÃO PAULO