Justiça

Monitor do Mackenzie de Barueri é condenado por estupro de menores

A pena de Antônio Assis determinada pela juíza é de treze; principal tese de defesa diz respeito à falta de provas materiais do crime

Por: Fábio Lemos Lopes e Nataly Costa

  • Voltar ao início

    Compartilhe essa matéria:

  • Todas as imagens da galeria:

Apoiado por muitos pais de alunos que defendem sua inocência, o monitor educacional Antônio Assis, de 44 anos, recebeu a pior das notícias. Depois de ter dois pedidos de habeas corpus negados, foi condenado em primeira instância no último dia 12 a treze anos e quatro meses de prisão por abusar sexualmente de três meninas de 3 anos de idade no Colégio Presbiteriano Mackenzie de Barueri, onde trabalhava havia quase uma década.

+ Conheça os bastidores do caso do ex-monitor do Colégio Mackenzie

A decisão é da juíza Cyntia Straforini, da 1ª Vara Criminal da cidade. No mesmo despacho, ela pediu abertura de investigação a respeito do comportamento da advogada de defesa Anabella Marcantonatos, por suspeita de vazamento de informações do caso, que corre em segredo de Justiça.

O escândalo do Mackenzie começou em abril, quando uma das garotas contou à babá que o “tio Antônio” a teria “examinado” e feito o mesmo com as coleguinhas. Pressionada pelos pais enfurecidos, a direção do colégio demitiu o inspetor e chamou a polícia.

+ "Ele está vivo por milagre", diz mulher de ex-funcionário do Mackenzie

Os depoimentos de três vítimas trouxeram riqueza de detalhes repugnantes — uma delas disse que o homem havia deixado que brincasse com seu “boneco” (para os investigadores, a palavra se referia ao órgão sexual masculino) e outra movimentou o dedo indicador para a vagina na hora de explicar como teria sido tocada.

As crianças ainda reconheceram o monitor como o agressor no dia 8 de maio. Duas confirmações ocorreram por foto e uma terceira no teste feito na delegacia, com Antônio ao lado de outros três homens. Ele acabou preso na mesma data e encontra-se hoje no Centro de Detenção Provisória de Guarulhos.

A principal tese de defesa diz respeito à falta de provas materiais do crime. As câmeras de segurança da escola não registram nenhum encontro de Antônio com as vítimas e, no exame clínico, não foi encontrada marca alguma que indicasse violência sexual (o que nem sempre ocorre nessas situações).

+ Em ato, pais defendem a inocência de funcionário acusado de estupro

De acordo com a juíza, os testemunhos foram suficientemente fortes para embasar a decisão. Antônio pode recorrer, mas não em liberdade, “evitando a reiteração dos fatos com outras vítimas em potencial”, segundo o despacho.

Mesmo depois da condenação, ele continua a contar com o apoio de parte dos pais do Mackenzie. “Estamos nos unindo para ajudar financeiramente a família dele”, diz o empresário Flávio Fujimoto, que tem um filho na instituição e sempre enxergou no monitor um profissional exemplar.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO