Consumo

Dobra o número de modelos de quadriciclos no mercado

Máquinas disponíveis para os amantes de passeios off-road lançadas este ano custam até 71 000 reais

Por: Tatiana Babadobulos - Atualizado em

Quadriciclos
O administrador Tucci (à esq.) e o engenheiro Carramenha: companhia para trilhas (Foto: Fernando Moraes)

Há três semanas, o empresário Ricardo Sarti Domene estreou em Peruíbe, no Litoral Sul do estado, seu mais recente brinquedo: um quadriciclo Bombardier Can-Am de 800 cilindradas adquirido em março, por 50 000 reais. “Quis fugir da rotina e começar a praticar uma atividade diferente nos fins de semana”, diz.

Ele não está sozinho nessa trilha. O engenheiro civil Gabriel Carramenha comprou, no ano passado, seu segundo veículo do tipo, também um Bombardier Can-Am com tração nas quatro rodas. O anterior, um Polaris, está parado na garagem de casa, fazendo companhia a um infantil de 50 cilindradas, geralmente pilotado por seu filho Gustavo, de 5 anos. “Gosto de andar no meio do mato e, como a maioria dos caminhos é alagada, senti a necessidade de ter uma máquina mais potente”, explica.

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Nunca houve tantas opções dessas máquinas em concessionárias da capital para os fãs do negócio. O total de modelos disponíveis dobrou na última década, passando de dez para vinte. Entre as principais inovações técnicas dessa leva mais recente estão injeção eletrônica, direção elétrica e até cobertura. Os quadriciclos mais caros ultrapassam a faixa de 70 000 reais (veja alguns exemplos no quadro abaixo).

Se há poucos anos os equipamentos do gênero faziam sucesso em praias do Nordeste, agora vêm se proliferando em fazendas e no litoral de São Paulo. Vários dos adeptos são filiados ao Clube do Quadri, criado em 2009 pelo engenheiro de robótica Giulio Sarmento Barbieri.

Com cerca de 150 integrantes, o grupo organiza aventuras em trilhas pelo estado. “É perigoso fazer isso sozinho, pois o risco de acidente é considerável”, diz Carramenha. “Por isso, os novatos devem procurar se associar a um grupo para ter companhia.” Dono de um Polaris 500, o administrador de empresas Claudio Tucci Junior participa dos encontros há três anos. “Os passeios nunca são iguais. Cada um tem uma história diferente, ainda que a gente vá sempre para o mesmo lugar”, afirma.

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Cerca de 5 000 ATVs (sigla em inglês para all-terrain vehicle) foram comercializados no Brasil em 2012 (São Paulo responde por cerca de 20% desse total, segundo estimativas de mercado). O número de vendas cresce a uma taxa de 10% ao ano.

Concessionárias de diferentes marcas sediadas na capital também trazem o produto do Japão, Estados Unidos e Canadá: mais de 4 000 unidades foram importadas no primeiro quadrimestre deste ano, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). Um exemplo é a japonesa Kawasaki, que trouxe recentemente seu primeiro lote com 22 veículos.

“Antes a importação era realizada de forma independente, por diferentes empresas, mas o aumento da procura levou a montadora a assumir o negócio e a disponibilizar seus quadriciclos por conta própria”, diz o empresário Jose Koizumi, dono da Bike Box, revendedora exclusiva da fabricante.

Outra que tomou conta da operação por aqui foi a americana Polaris. “Nosso objetivo é vender 5 000 quadriciclos por ano até 2017”, anuncia o diretorgeral Rodrigo Lourenço. Uma das maiores concessionárias da Honda em São Paulo, a Moto Remaza, com doze lojas, vendeu dezoito dessas máquinas nos primeiros quatro meses do ano e está com fila de espera.

A marca oferece o modelo TRX 420 Fourtrax, cuja versão com tração nas quatro rodas é vendida por 19 490 reais. “Em julho, mês de férias, as vendas costumam triplicar”, já festeja o gerente Márcio Alves, da unidade de Moema.

Arte Quadriciclos
(Foto: VEJA SÃO PAULO)

Fonte: VEJA SÃO PAULO