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Festas que misturam lutas de MMA e DJs fazem sucesso entre os jovens

Receita manjada nos cassinos de Las Vegas caiu nas graças dos paulistanos. Terceira edição da Fight Night ocorre neste sábado (21)

Por: Carolina Giovanelli - Atualizado em

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O evento Coliseum, no último dia 13: com direito a bonitonas e gritaria (Foto: Pablo de Sousa/Cia de Luz)

Belas meninas de vestido curto, salto alto, maquiagem caprichada e penteado impecável circulam pelo salão. Seus movimentos são vigiados por galanteadores rapazes com camisa polo de alguma marca famosa, calça jeans e gel no cabelo. Um DJ põe para rodar hits da música eletrônica. De repente, uma enxurrada de socos e chutes toma conta do lugar, seguida por uma gritaria com dizeres do tipo “Mata ele!” e “Manda ele para o chão”.

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Não se trata de uma briga por causa de um olhar atravessado ou de uma paquera dirigida à namorada de alguém, mas sim de uma luta de MMA — artes marciais mistas, na sigla em inglês — que tem lugar no meio da pista de dança. Com essa mistura de elementos do jiu-jítsu, do boxe e do muay thai em voga na capital, a moda agora é mesclar balada com um pancadão literal. A receita, manjada em alguns cassinos de Las Vegas, caiu nas graças dos jovens. “É mais um jeito de vincular o esporte à diversão”, acredita Demian Maia, conhecido praticante paulistano da modalidade. “Funciona como marketing para os lutadores novatos, além de incentivar os jovens a ter mais contato com o MMA.”

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Roupas curtas e saltões: garotas empolgam os galanteadores rapazes com camisa polo (Foto: Pablo de Sousa/Cia de Luz)

No último dia 13, um espaço de eventos na Vila Leopoldina recebeu a primeira edição da Coliseum. Com um investimento de 100.000 reais, a festa reuniu cerca de 800 pessoas. Para bombar o lugar, foram contratados 25 promoters, que atuaram na internet, em faculdades e em academias. “Quero levar o projeto para Campos do Jordão em julho e depois para outras cidades do interior”, afirma o empresário Donato Galvez. Entre 23 horas e 1 da manhã, seis batalhas rolaram no octógono, para em seguida começar a balada nos moldes normais. Tudo foi produzido com a pompa e a circunstância típicas de uma luta oficial. Havia as bonitonas ring girls (responsáveis por anunciar a sequência de rounds — e animar os machões), área de aquecimento nos bastidores, juiz e apresentador.

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segunda edição da Fight Night, em Pinheiros: lustre de cristal sobre o ringue e música mais baixa durante os combates (Foto: Divulgação)

Ao som principalmente de hip-hop com letras agressivas, os lutadores faziam uma entrada cheia de firulas até o ringue, cercados por seguranças e acenando para o público com cara de mau. Enquanto o sangue manchava o tatame, parte dos frequentadores não desgrudava os olhos dos golpes. Outros estavam mais interessados no bar com bebida à vontade, em conversar ou namorar. Acompanhada da amiga Marianna Barbati, a redatora Mariana Del Nero assistia a tudo de camarote. “Adoro pancadaria”, diz. “Treino muay thai e criei um site que fala sobre exercícios e luta para garotas, o Mulheres de Aço.” A estudante Carla Faustino, de 18 anos, vez ou outra dava uma espiada no que acontecia. “Curto MMA, mas só conheço o Vitor Belfort e o Anderson Silva”, comentou. “Acho os rapazes fortinhos bonitos, e aqui é um ótimo lugar para encontrá-los.” O piloto de helicóptero Daniel Quites, de 26 anos, embarcou no mesmo clima de azaração: “Vim para conhecer meninas”.

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O lutador paulistano Demian Maia: “Funciona como marketing para os lutadores novatos” (Foto: Divulgação)

Outra iniciativa semelhante, realizada por dois jovens promoters, a Fight Night chega a sua terceira edição, programada para este sábado (21). O aluno de relações públicas Vagner Jorge, de 22 anos, e o estudante de engenharia Marlon Ceni, de 21, ambos da Faap, lotaram duas vezes o Koo Club, em Pinheiros, com 950 festeiros. Agora, locaram um espaço para 2.000 pessoas em Santo Amaro. Tudo foi pago com ajuda de custo de seus pais, algum dinheiro que conseguiram poupar com outros trabalhos e patrocínio de marcas de cerveja, energético e roupas esportivas. Na Fight Night, as lutas são intercaladas com a balada até as 3 da manhã.

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As amigas Marianna Barbati e Mariana Del Nero: de olho nos golpes (Foto: Pablo de Sousa/Cia de Luz)

Esta edição incluirá como teste o muay thai feminino. A trilha sonora continua um pouco mais baixinha durante os combates, para não atrapalhar a concentração dos participantes. Só não dá para evitar a agitação do pessoal. “As meninas costumam chegar tímidas, mas depois de um tempo já estão gritando tanto frases de incentivo quanto coisas como ‘lindo’ e ‘gato’ ”, conta Jorge. Os lutadores ganham um cachê de até 1.500 reais, uma fatia pela participação e um extra se vencerem. “Como recebemos muitos frequentadores de academia, para evitar brigas contratamos o dobro de seguranças que há em um evento comum. Nunca tivemos problemas”, garante o organizador. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO