Cidade

A virada do Minhocão

Avança o projeto de fechar o elevado para carros também aos sábados. Discussões sobre sua desativação ganham fôlego e movimentos promovem diversas atividades no local

Por: Por Adriana Farias, Alessandra Freitas e Silas Colombo

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Tráfego intenso: 70 000 veículos passam pelo Minhocão diariamente (Foto: Eduardo Anizelli)

No dia em que completou 417 anos, em 1971, a cidade ganhou uma obra que, décadas depois, seria vista como um presente de grego por muitos paulistanos: a Via Elevada Presidente Artur da Costa e Silva, o Minhocão. Batizado em homenagem a um dos presidentes do período da ditadura, o viaduto de 3,5 quilômetros de concreto puro construído sobre ruas importantes do centro foi vendido como uma grande solução para o trânsito, que já era bastante encrencado na época.

Seguindo tendências americanas, europeias e asiáticas, mas sem a leveza arquitetônica de projetos semelhantes erguidos no mesmo período no exterior, o trambolho de engenharia tinha como objetivo encurtar caminhos na metrópole. Antes dele, o trajeto da Praça Roosevelt ao Largo Padre Péricles, em Perdizes, era percorrido em até cinquenta minutos de carro. Após a inauguração, passou a ser feito em menos de cinco.

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A euforia, porém, durou pouco. Cinco anos depois, a prefeitura resolveu fechar a via durante a noite na tentativa de reduzir os acidentes e os buzinaços que viraram rotina ali, atormentando ainda mais a vida dos vizinhos, obrigados a conviver com uma pista que fica a 5 metros da janela. Nas décadas seguintes, os problemas se agravaram. Hoje, de segunda a sábado, ele recebe por dia mais de 70 000 veículos entre as 6h30 e as 21h30.

Minhocão
Teatro na janela: o público assiste às peças no viaduto (Foto: Sissy Eiko)

De acordo com o MapLink, sistema de monitoramento de tráfego, é um dos pontos mais congestionados da cidade, com trânsito intenso ou parado pelo menos quatro dias por semana nos horários de pico. Debaixo da estrutura que provocou a degradação do comércio e dos prédios residenciais da vizinhança, aglomeram-se hoje moradores de rua e usuários de drogas.

O primeiro sinal de que seria possível uma virada no Minhocão surgiu em 1989, quando o local passou a ser fechado nos domingos. Aos poucos, começou a ser ocupado nesse dia por pedestres, ciclistas e skatistas. Na última terça (12), a ideia de ampliar o uso do lugar como ponto de lazer da metrópole ganhou mais um impulso com a aprovação pela Câmara Municipal de uma lei que prevê o seu fechamento aos veículos também nos sábados.

“A nossa estimativa é que, até o fim deste semestre, os sábados sejam devolvidos à sociedade”, diz o vereador José Police Neto (PSD), autor do projeto. Isso depende ainda de uma segunda votação no Palácio Anchieta e da sanção de Fernando Haddad. Na quarta passada (13), um dia depois do aval da maior parte dos vereadores, o prefeito deu indicações de que pode aprovar a medida. “A partir da tarde do sábado, parece-me que a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) tem estudos que caminham nessa direção.

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Praia urbana: o projeto inclui até um campinho de futebol (Foto: Christopher Pillitz)

Vamos estudar o caso e levá-lo ao conhecimento da Câmara antes da segunda votação, para evitar o veto a um projeto que pode ser bom para a cidade”, afirmou ele, durante um evento no centro. A iniciativa representa também um avanço em relação a uma diretriz maior sobre o destino do Minhocão estabelecida pelo novo Plano Diretor, aprovado pelo Parlamento municipal no ano passado. Segundo ela, o Minhocão deverá ser gradualmente desativado como via de trânsito até 2029, quando será demolido ou transformado em parque.

Atualmente, nos períodos em que não há carros passando por ali, o lugar já virou palco de vários eventos. Um dos primeiros foi a feira gastronômica, que, desde 2012, passou a fazer parte da agenda da Virada Cultural da prefeitura. Depois disso, surgiram outras iniciativas promovidas por diversos grupos. Neste domingo (17), ocorrerá por lá a feira gastronômica Benê Food Des Arts, com trinta expositores. Além das ofertas de comida, haverá atividades como troca de livros e oficinas de reciclagem. Em 5 de julho, o lugar será ocupado por uma festa junina promovida por coletivos. São esperadas cerca de 5 000 pessoas. Na área cultural, vem se destacando o trabalho no local da companhia de teatro Esparrama.

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Minhocães: passeios com pets na via (Foto: Alessandra Haro)

Desde o fim de 2013, os atores se empoleiram na janela de um dos prédios vizinhos para apresentar o projeto Janelas do Minhocão, que inclui a apresentação de várias peças, sempre aos domingos. A última temporada ocorreu entre fevereiro e março. A próxima está marcada para junho e julho. Os bichos de estimação também ganharam espaço no asfalto, há dois anos: o grupo Minhocães se reúne a partir das 21h30 de segunda a sábado, promovendo um passeio noturno para ao menos vinte cachorros e seus donos. Ocorre ainda desde abril no local o Mercado das Pulgas, com a venda e a troca, em datas marcadas, de diversos produtos usados.

Além de agitarem o pedaço, os ativistas do elevado estão tentando melhorar a infraestrutura da área. Exemplo disso foi a oferta, a partir da semana passada, de internet wi-fi gratuita, viabilizada pela Associação Parque Minhocão. O sinal vem do apartamento-sede do movimento, na esquina da Avenida São João com a Alameda Glete. Recentemente, a prefeitura anunciou a implantação de jardins verticais nas chamadas empenas cegas (paredões sem janelas) de edifícios vizinhos ao Minhocão. “Isso diminui a poluição sonora e o calor, já que as plantas funcionam como almofadas que combatem o som e refrigeram em até 7 graus os prédios”, diz o paisagista Guil Blanche, fundador do Movimento 90º e consultor desse projeto do governo no elevado.

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Festa junina: o evento reuniu cerca de 4 000 pessoas em 2013 (Foto: Rivaldo Gomes)

A partir do último dia 5, os condomínios interessados podem se inscrever, enviando uma carta de intenções à Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente. A prefeitura não tem data para o início da implementação, que deve beneficiar aproximadamente 140 endereços. O custo da obra, estimado por Blanche em 450 000 reais a cada prédio, será bancado pelo programa de compensação ambiental. Ele obriga construtoras a fazer melhorias na cidade em troca da licença para erguer novos empreendimentos.

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A discussão sobre o futuro do Minhocão divide os paulistanos. Pesquisa Datafolha de 2014 mostrou que, para 53% dos entrevistados, o elevado deveria continuar como está, ou seja, voltado apenas para carros. Outros 23% acham que ele deveria virar um parque. Apenas 7% são a favor da demolição e 17% não souberam responder. A turma que defende a ideia do parque é uma das mais ativas no lobby. “Já colhemos 7 000 assinaturas que mostram como as pessoas gostam de usar a área para correr, fazer caminhada e se entreter”, diz o engenheiro Athos Comolatti, fundador da Associação Parque Minhocão, formada por arquitetos, professores, ativistas e artistas. Uma das mais entusiasmadas com o movimento é a chef Janaina Rueda, proprietária do Bar da Dona Onça, na República.

No endereço, aliás, costumam ocorrer reuniões da Associação Parque Minhocão. Segundo Janaina, com a transformação da via em uma área verde haveria mais investimento na região. “Sou apaixonada pelo High Line, de Nova York, e queria muito uma versão paulistana”, diz. O jardim suspenso criado na maior cidade americana é inspiração para a construção de um projeto semelhante em São Paulo. Com 1 quilômetro a menos que o Minhocão, o High Line foi criado em uma linha férrea desativada de Manhattan. Por aqui, tramita na Câmara um projeto de lei de 2014 que propõe a criação do Parque Municipal do Minhocão. Os defensores da ideia chegaram a encomendar a alguns estúdios esboços prevendo o que seria a obra. Em um deles, a estrutura vira uma espécie de praia urbana, com espaço até para um campinho de futebol.

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Domingo de lazer: espaço aberto desde 1989 para as pessoas (Foto: Apu Gomes)

De acordo com alguns especialistas, no entanto, esse tipo de intervenção, ainda que cheio de boas intenções, traria mais problemas que benefícios à capital. Para eles, a demolição da obra é o melhor caminho a ser adotado. “Não se pode curar câncer com aspirina”, compara Valter Caldana, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “A existência do Minhocão é um fator limitante para o desenvolvimento da cidade e a qualificação dos espaços públicos, pois os estragos que ele provoca não são reversíveis com ações paliativas. Outra questão é que a estrutura está comprometida com infiltração, desnivelamento e inunda com as fortes chuvas.”

A ideia de transformar o viaduto em pó agrada a uma ala dos moradores do entorno. “Queremos eliminar de uma vez por todas essa ilha de calor de concreto e com altos índices de concentração de poluições atmosférica, sonora e visual”, afirma Francisco Machado, vizinho do elevado e diretor do Movimento Desmonte do Minhocão.

Em qualquer uma das hipóteses, parque ou demolição, resta uma questão importante a ser resolvida: onde vão parar os carros que circulam por ali? Sergio Ejzenberg, mestre em engenharia de transportes pela Escola Politécnica da USP, diz que a desativação da via teria grande impacto: “De imediato, o trânsito vai afogar a Avenida Amaral Gurgel, o que degradará ainda mais a região. Em pouco tempo, os condutores descobrirão alternativas pela Marginal Tietê, pela Avenida do Estado e por vias locais, que ficarão sobrecarregadas”. Uma das propostas da prefeitura para evitar o caos é a Operação Urbana Lapa-Brás.

Paulo Maluf inauguração minhocão
O ex-prefeito Paulo Maluf na inauguração, em 1971: principal promessa de campanha (Foto: Acervo Folha Press)

A ideia seria criar uma via sobre a linha de trem existente nas redondezas, porém desativada desde a década de 90. Isso possibilitaria a extinção do Minhocão. Mas o projeto ainda está engatinhando, sem data prevista para começar a sair do papel.

Erguido rapidamente em catorze meses de trabalho ininterrupto, o Minhocão provocou estragos na mesma velocidade no mercado imobiliário do entorno. Já na primeira semana de funcionamento, registros mostram uma queda de 70% no preço dos aluguéis da área. Os prejuízos continuam até hoje. Um apartamento com vista para a via chega a custar menos da metade de um com as mesmas características a poucos quarteirões dali, no bairro de Santa Cecília, por exemplo. Unidades abaixo do viaduto, que não recebem luz, e no mesmo nível da pista, que recebem fumaça e olhares indiscretos de motoristas, custam até 60% menos.

“Sem o Minhocão, os imóveis dali vão se equiparar aos outros do centro”, afirma Mauro Peixoto, consultor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Quem enfrenta no dia a dia essas questões sonha com um futuro melhor. “É uma poeira que impede até de limpar as roupas. Você as coloca para secar no varal e elas ficam mais sujas do que antes”, conta a comerciante Irene Machado, de 55 anos, moradora da região há mais de quatro décadas. “Um dia, espero, esse inferno vai acabar. Quero viver para ver isso no chão.”

Minhocão em obras
As obras do elevado em 1970: catorze meses de trabalho (Foto: Acervo Folha Press)

OS AGITOS DO CENTRO

Algumas ações e eventos culturais tomam conta do espaço

Minhocães: o grupo reúne pessoas que querem passear com seus cachorros de estimação no viaduto. Os encontros acontecem de segunda a sábado a partir das 21h30.

Benê Food Des Arts no Minhocão: evento gastronômico e cultural que une barracas e food trucks, ao lado de atividades como troca de livros, oficinas de reciclagem e intervenções artísticas. Será realizado em 17 de maio.

Quem é você, Minhocão?: sessão de fotos planejada pela produtora L84Cake, que vai produzir um livro com o material coletado para ser exibido em Londres no fim do ano. Marcada para 17 de maio, a partir das 10 horas.

Mercado das Pulgas: troca e venda de diversos artigos, como roupas, comidinhas, livros e até bicicletas. A próxima edição será em 24 de maio.

Mercado da Minhoca: voltado para o comércio, nele são vendidos quinquilharias, roupas e objetos usados. Acontece em 31 de maio.

Janelas do Minhocão: o projeto utiliza as janelas dos prédios em frente ao elevado para exibir peças de teatro, enquanto a plateia assiste às encenações do próprio viaduto. Os espetáculos acontecerão todo domingo, de 14 de junho a 26 de julho.

Festa junina no Minhocão: tradicional comemoração da região, terá dois palcos para música, barracas com brindes para crianças e outras atividades. Está marcada para 5 de julho.

Rede wi-fi: lançada neste mês pela Associação Parque Minhocão, a rede está instalada no apartamento-sede do movimento (na esquina da Avenida São João com a Alameda Glete) e é gratuita para todas as pessoas. 

 

ENFEITAR OU DERRUBAR?

Os detalhes da discussão a respeito do futuro do viaduto

Quem defende o parque

Associação Parque Minhocão(formada por arquitetos,professores, ativistas e artistas)

Coletivos que atuam com atividadesno local (Marquise Minhocão,Acupuntura Urbana, Movimento90º, Vozes do Minhocão, entre outros)

Argumentos

O local já é usado nos domingos como parque, com atividades de lazer e cultura. A cidade necessita de novas áreas verdes e é possível adaptar a estrutura já construída para ser usada para tal fim, como ocorre com o High Line Park, de Nova York. Abaixo da via, onde a construção escurece a rua, podem-se abrir entradas e usar cores para refletir a luz.

Quem defende a demolição

Movimento Desmonte do Minhocão (formado por moradores, comerciantese arquitetos da região)

Conselho Comunitário de Segurança de Santa Cecília e Ação Local Amaral Gurgel (reúne doze diretores eleitos por moradores do bairro)

Argumentos

A existência do Minhocão desvaloriza imóveis e o comércio da região, e a estrutura de quase cinquenta anos do elevado também está comprometida com infiltrações. Com a vinda de um parque, haverá aumento de barulho e a parte de baixo vai continuar escurecendo as vias, com a presença de moradores de rua e usuários de drogas que já são constantes no local. Os moradores que possuem janelas e varandas a 5 metros de distância do lugar terão sua privacidade comprometida, como já ocorre nos domingos durante os eventos na via.

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  • Brasileiros

    Esquina Mocotó

    Avenida Nossa Senhora do Loreto, 1108, Vila Medeiros

    Tel: (11) 2949 7049

    VejaSP
    13 avaliações

    Responsável também pela cozinha do vizinho e premiado Mocotó, Rodrigo Oliveira usa o Esquina Mocotó para fazer receitas autorais. À sua maneira, o chef reinterpreta o Brasil em pratos como o saboroso arroz de galinheiro (com milho, pequi e ovo num caldo untuoso que cola na boca; R$ 48,90) e a costelinha de javali com cuscuz de milho de jeitão sertanejo, feijão-de-corda e folhas refogadas (R$ 44,90). Embora tenha um conceito interessante, o ceviche de pé de porco (cubos cozidos de carne no tucupi, com limões taiti e siciliano, mandiopã e batata-doce; R$ 28,90) entusiasma menos.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Pizzarias

    Vituccio Pizzeria

    Rua Tonelero, 609, Vila Ipojuca

    Tel: (11) 3864 3305

    VejaSP
    16 avaliações

    Três anos atrás quando o ex-publicitário Jaqueson Dichoff comprou esta casa antiguinha no coração da Vila Ipojuca, as pizzas eram preparadas de uma forma mais à italiana. Com o passar do tempo, a massa foi perdendo a elasticidade e ficando bem durinha, assim como a quantidade de cobertura foi sendo gradativamente aumentada. Ainda são escolhas razoáveis a fletto di pomodori (mussarela de búfala, tomate- -cereja fatiado, manjericão e azeite; R$ 62,00) e a marinara (molho de tomate, alho cru esmagado, orégano, manjericão e azeite; R$ 56,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Italianos

    Aguzzo Cucina e Vino

    Rua Simão Álvares, 325, Pinheiros

    Tel: (11) 3083 7363

    VejaSP
    3 avaliações

    Desde janeiro, a cozinha voltou a ser comandada pelo chef Alessandro Oliveira, responsável pela melhor fase da casa em tempos passados. São acertos do bom cozinheiro o nhoque colorido por açafrão ao ragu de ossobuco (R$ 72,00) e o saborosíssimo robalo com camarão, ervas, alcachofra e cogumelo shiitake fatiado na companhia de risoto de aspargo (R$ 93,00). Doce francês, o creme brûlé (R$ 26,00) é preparado com uma interferência italiana: uma fina camada de Nutella.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Italianos

    Così

    Rua Barão de Tatuí, 302, Santa Cecília

    Tel: (11) 3826 5088

    VejaSP
    4 avaliações

    Quando abriu as portas na Santa Cecília, o bairro não era hype como hoje em dia. Fiel à proposta de servir receitas italianas com um toque autoral, o chef Renato Carioni chegou a dar algumas derrapadas no meio do caminho, mas reencontrou o eixo. Não dispense o couvert com uma boa focaccia (R$ 12,50) antes de provar o pappardelle com polvo, tomate-cereja, brócolis e uma farofinha de pão (R$ 56,00). Mais parrudo que a receita original, o tiramisu de frutas vermelhas satisfaz até dois apetites (R$ 27,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bar-restaurante

    Ciao! Vino & Birra

    Rua Tutoia, 451, Paraíso

    Tel: (11) 2306 3541 ou (11) 2306 3561

    VejaSP
    2 avaliações

    O bar de alma italiana conta com uma concorrida varanda. Ali ou no salão apertadinho, pode-se investir em uma massa para o jantar ou ficar somente no petisco. Quem prefere a segunda alternativa tem à disposição frituras como a alcachofra recheada de mussarela de búfala e empanada, servida com tomates marinados e molho pesto (R$ 28,00, seis unidades). Dá para tomar vinho, pinçar maravilhas da extensa carta de cervejas ou beber apenas chope, o Jackpot Pilsen (R$ 14,00, 300 mililitros), produzido pela Blondine na cidade paulista de Itupeva.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Espanhóis

    Venga!

    Rua Delfina, 196, Vila Madalena

    Tel: (11) 3097 9252

    VejaSP
    9 avaliações

    O lugar é amplo e divertido. Mesas altas e baixas mais um balcão acolhem a galera a fim de petiscar à maneira espanhola. Desde 2015, esta filial do bar de origem carioca não tem mais ligação com a Cia. Tradicional de Comércio, que dividia a administração com o grupo do Rio. Na prática, pouco mudou no dia a dia da casa. As croquetas de camarão (R$ 32,00) ou de presunto cru (R$ 32,00) continuam a agradar tanto quanto as boas batatas bravas lambuzadas de molhos picante e aïoli (R$ 40,00). Também muito bom é o polvo com batatas polvilhado de páprica (R$ 39,00 a porção pequena). Tem o mesmo nome de um agitado bairro madrilenho o saboroso drinque chueca (vodca, maracujá e geleia de pimenta no copo enfeitado com raspas de chocolate; R$ 28,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Empórios ou mercados gourmet

    Mercadinho Dalva e Dito

    Rua Padre João Manuel, 1115, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3068 4444

    VejaSP
    1 avaliação

    O empório instalado na lateral do restaurante brasileiro de Alex Atala é, de fato, um mercadinho: bem pequeno. Por suas prateleiras, há doces, compotas e outros produtos garimpados Brasil afora, caso da cachaça paraense de jambu. Mas o lugar se notabiliza mesmo é pelos produtos de fabricação própria. Há bolos, como o de maçã perfumada com canela (R$ 14,00, 355 gramas) e o de abobrinha com castanha-do-pará (R$ 14,00, 510 gramas) — que, sim, é doce e bom. Aos que querem comer ali mesmo, apoiados no balcão, são servidos alguns sanduíches e uma deliciosa coxinha de pato no tucupi (R$ 9,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Voltada para o público infanto-juvenil, a série Malhação, da Rede Globo, está no ar desde 1995. O enredo do programa pode mudar de uma temporada para a outra, mas a fórmula do sucesso é mais ou menos a mesma de qualquer outra comédia romântica: o menino educado, que ajuda todo mundo e respeita a todos, apaixona-se pela garota mimada, consumista, sem noção e fútil. Esta essência aparece no espetáculo Os Recicláveis, em cartaz no Teatro Augusta. Aqui conta-se a história de Pepeu (Lucas Padovan), apelidado pelos seus colegas de “garoto verde” por fazer um blog e vídeos para o YouTube falando sobre a importância de ter uma vida mais sustentável. Na teoria o aspecto do politicamente correto pode parecer chato, mas na prática a diretora Flávia Garrafa conseguiu um resultado adorável. Inspirado na trilogia O Garoto Verde, de Toni Brandão, o musical aborda questões do universo jovem como bullying e o mundo digital de forma descontraída. A trilha sonora pop arremata a acertada montagem com hits de Rita Lee, Beatles e Katy Perry cantados pelos oito atores ao vivo com arranjos pré-gravados do diretor musical Dimi Kireeff. O resultado seria melhor se a música fosse tocada ao vivo. Completam o elenco Daphne Bosaski, Erica Ribeiro, Guilherme Zanella, Luiza Porto, Pauline Mingroni, Pedro Vicente e Rodrigo Pasqual. Estreou em 11/4/2015. Até 28/6/2015.
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  • Trinta artistas de todo o país foram selecionados para concorrer ao 5º Prêmio Marcantonio Vilaça, que traz o nome de um dos galeristas mais emblemáticos da cidade, morto em 2000, aos 37 anos. O trabalho deles pode ser visto no novo prédio do MAC. Logo no início da exposição, uma projeção mapeada do goiano Grupo EmpreZa, um dos cinco vencedores desta edição, apresenta um executivo se esgueirando em uma pedra. Ao lado, a baiana Virginia de Medeiros, que costuma dar voz a excluídos, registra moradores de rua relatando suas histórias. As falas, no entanto, são entrecortadas por outros depoimentos, o que exige do visitante reforçada concentração. Retratos desses anônimos acompanham os áudios, mas é impossível identificá-los. A paraense Berna Reale, o argentino radicado no Brasil Nicolás Robbio e o carioca Gê Orthof também foram premiados. Intrigantes, os vídeos de Rodrigo Braga exploram a natureza em expedições. Conhecido por fazer de suas caminhadas uma manifestação artística, o mineiro Paulo Nazareth exibe objetos coletados na África. Ponto positivo também para o trabalho prestativo dos monitores. Até 6/12/2015.
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  • Encenado pelo grupo Tablado de Arruar, o drama Abnegação II — O Começo do Fim é a segunda parte da trilogia Abnegação, lançada no ano passado. Com texto de Alexandre Dal Farra, que divide a direção com Clayton Mariano, a oportuna trama tem como norte inegável os conflitos éticos e ideológicos que se abateram sobre o PT em nome da tomada do poder. A peça recorre ainda, como leve ponto de inspiração, ao nebuloso assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel, em 2002. Em uma encenação de tom fortemente realista, cinco pessoas envolvidas com um partido político em meio a suspeitas de corrupção se desencontram em seus interesses. O centro das atenções está voltado para Jorge (interpretado por Vitor Vieira), um empecilho aos demais integrantes do partido por discordar das novas diretrizes adotadas por praticamente todos. Com cenas bem marcadas, o espetáculo lança mão de uma dramaturgia fragmentada que se justifica no decorrer da ação. As atuações de Alexandra Tavares, Lígia Oliveira, Vinicius Meloni e André Capuano colaboram para o clima tenso da montagem. Estreou em 24/4/2015. Até 10/9/2015.
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  • Em agosto de 2013, o drama musical da Cia. do Tijolo cumpriu discreta temporada de um mês no Sesc Pompeia. As três indicações ao Prêmio Shell, com entrega prevista para terça (18/3/2014), jogaram nova luz sobre a montagem. A base veio da peça Mariana Pineda, escrita por Federico García Lorca em 1925. Nela, a personagem-título desafia os monarquistas ao bordar uma bandeira para os liberais. Acaba presa e morre sem delatar os colegas. Em 1936, Lorca teria fim semelhante como vítima da Guerra Civil Espanhola. A direção de Rogério Tarifa e Rodrigo Mercadante costura os dois episódios com a ditadura militar brasileira. Em meio aos ensaios de uma produção teatral, sete atores e quatro músicos cruzam histórias sem delimitar ficção e realidade. A vigorosa Lilian de Lima interpreta Mariana, enquanto Mercadante representa um convincente Lorca. Entre os dois protagonistas, circulam expoentes da nossa história, como a militante Iara Iavelberg (1944-1971), o operário Manoel Fiel Filho (1927-1976) e a diretora de teatro Heleny Guariba (1941-1971). Composta por Jonathan Silva, a trilha sonora funde ritmos brasileiros aos sons tradicionais da Andaluzia nesse espetáculo que dura três horas mas se faz oportuno por fortalecer a reflexão sobre o autoritarismo. Com Fabiana Vasconcelos Barbosa, Dinho Lima Flor e Thaís Pimpão, entre outros. Estreou em 25/7/2013. Até 22/6/2015.
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  • A data que marca os 70 anos da gaúcha Elis Regina (1945-1982) não está passando em branco. Até agora, a Pimentinha já foi tema do samba-enredo campeão pela Vai-Vai no último Carnaval (Simplesmente Elis — A Fábula de uma Voz na Transversal do Tempo) e ganhou robusta biografia, escrita pelo jornalista Julio Maria. Fora isso, recebeu um tributo musical lançado em março de 2014 no Teatro Alfa. A cantora será relembrada mais uma vez e por aqueles que, de alguma forma, estiveram ligados à trajetória dela no espetáculo Elis 70 Anos. A começar pelos mestres de cerimônias: João Marcello Bôscoli, seu filho, e Luiz Carlos Miele, que a dirigiu na TV. Gilberto Gil, Fagner, João Bosco, Ivan Lins, Renato Teixeira e Jair Oliveira (representando o pai, Jair Rodrigues, morto no ano passado) surgem no palco, um de cada vez, para cantar junto de uma banda formada por Cuca Teixeira (bateria), Silvio Mazzuca (baixo acústico) e Tiago Costa (piano), entre outros. No repertório estão versões bem clássicas de Se Eu Quiser Falar com Deus, de Gil, Romaria, de Teixeira, e Madalena, de Lins — canções que, sem exceção, se tornaram imortais na interpretação de Elis. Dias 23 e 24/5/2015.
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  • Com cenografia elaborada, a festa traz o projeto Lumen Craft, do trio John Evans, Ceah Pagotto e Noah Guper, o qual misturam projeções visuais, as batidas eletrônicas, vocal e guitarra, a partir das 22h. Luisa Viscardi, Diogo Accioly e Dre Guazzelli estão no palco principal com vertentes da house music e por fim, Tamenpi e Zegon lançam seus sets no espaço dedicado à black music. Dia 18/06/2016.
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  • Era a virada dos anos 70 para os 80 quando o diretor australiano George Miller criou um policial com sede de vingança para o filme Mad Max. Interpretado pelo então novato Mel Gibson, Max virou um símbolo da cultura pop e retornou em outros dois longas-metragens, Mad Max — A Caçada Continua (1981) e Mad Max — Além da Cúpula do Trovão (1985). Três décadas depois, o realizador estreia um quarto episódio da cinessérie. Mad Max — Estrada da Fúria não é uma sequência nem uma refilmagem. Miller aproveitou a ambiência pós-apocalíptica e o clima árido das fitas anteriores e substituiu Gibson, de 59 anos, pelo musculoso Tom Hardy, de 37, o vilão Bane de Batman — O Cavaleiro das Trevas Ressurge. No início da história, Max dá uma ideia da transformação do (fim) do mundo e de como grupos rivais disputam a água e o petróleo no deserto. Logo em seguida, o protagonista passa a ser caçado por uma gangue de carecas e é conduzido aos domínios do mascarado Immortan Joe, o todo- poderoso que controla um povo carente. Braço-direito do líder, a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) o trai ao fugir com uma turma de belas parideiras. Para agradar a Joe, o jovem Nux (Nicholas Hoult) encara uma perseguição a Furiosa e leva junto o prisioneiro Max. Além da frenética abertura, Estrada da Fúria traz uma renovação à franquia com cenas alucinantes de ação — Velozes & Furiosos 7, por exemplo, já vai parecer “datado”. Miller não economiza em nada e não poupa ninguém. São duas horas agitadíssimas em um roteiro basicamente trivial, mas cuja violência extrema e insana combina perfeitamente com o caos explicitado na trama futurista. Estreou em 14/5/2015.
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  • Longa-metragem de estreia do diretor japonês Masakazu Sugita, O Desejo da Minha Alma ganhou um prêmio especial no Festival de Berlim em 2014. Trata-se de uma pequena pérola sobre os conflitos íntimos que atingem dois irmãos. Após um terremoto no Japão (em referência ao de Kobe, em 1995), a menina Haruna (Ayane Omori), de 12 anos, e seu irmãozinho, Shota (Riku Ohishi), de 5, ficam órfãos. Ela sabe da morte dos pais, mas a esconde do caçula. Levados pelos tios para morar em uma ilha distante, Haruna encara um processo de amadurecimento precoce enquanto Shota, alheio a tudo, espera o regresso do pai e da mãe. Sensibilidade não falta ao realizador. Dos pequenos gestos de afeto às atuações convincentes dos atores mirins, o drama transpira pelos poros a tristeza da perda, captada por meio dos olhos de duas crianças envolvidas em conflitos de adultos. Estreou em 14/5/2015.
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  • Eduardo (Caíque Oliveira) mora no Jardim Ângela e, batalhador, vive à procura de trabalho. A mãe (Einat Falbel) também está desempregada. Ao conhecer o playboy Jeff (Caio Blat), Eduardo embarca numa trajetória errante pelo mundo das drogas. Começa fumando maconha, passa para o crack e, viciado, vira um sujeito arredio. O passo seguinte é frequentar a Cracolândia, na região central de São Paulo. O drama Metanoia, feito na raça, aborda um tema atual e oportuno, além de trazer uma mensagem cristã ao desfecho. As boas intenções, contudo, são quase ofuscadas pela precariedade da produção e pela realização esquemática de um roteiro didático. Estreou em 14/5/2015.
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  • Não se pode acusar o diretor Miroslav Slaboshpitsky de falta de ousadia e de criatividade. Em A Gangue, o realizador ucraniano usa as mais de duas horas de projeção para fazer um registro exclusivamente na língua de sinais. A trama segue a trajetória de Sergey (Grigoriy Fesenko). Esse adolescente começa a estudar num internato de surdos- mudos e, para não sofrer bullying, precisa compactuar com os colegas valentões e suas regras marginais. A partir daí, tem início uma série de atos covardes de humilhação e violência gratuita. Os jovens, além de explorar duas amigas na prostituição, roubam e agridem estranhos sem motivo aparente. Não há uma única fala nem legendas para “explicar” o gestual dos personagens. Embora seja um relevante longa-metragem experimental e de vanguarda, seus longos 132 minutos são um pesadelo silencioso — para o protagonista e, por tabela, para o espectador. Estreou em 14/5/2015.
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  • É inconfundível o estilo cinematográfico do diretor sueco Roy Andersson. Sete anos depois do devagar quase parando Vocês, os Vivos, o cineasta retorna com Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência, premiado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2014. Como no filme anterior, estão de volta o roteiro de tom cômico e a filmagem com uma única câmera estática. São vários personagens em cenas curtas, quase esquetes de vidas monótonas, muitas vezes ambientados em lugares fechados, numa Suécia tomada por cores mortas. Entre uma e outra sequência dispensável, sobressai a história de dois vendedores. Na meia-idade e morando em quartos públicos, Sam e Jonathan (interpretados por Nils Westblom e Holger Andersson) passam os dias tentando comercializar artigos como dentadura de vampiro e saco de risadas. Bares, lojas e cômodos decorados com mobílias datadas representam a decadência, implícita em tramas de humor nonsense, surreal e singular. Entenda-se: para poucos. Estreou em 14/5/2015.
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  • Sintomas

    Atualizado em: 15.Mai.2015

Fonte: VEJA SÃO PAULO