Transporte

Metroviários entram em greve na manhã desta quinta-feira (5)

Funcionários pedem reajuste salarial de 16,5%, mas Metrô oferece 8,7%; paralisação deve afetar cerca de 4 milhões de usuários

Por: Redação VEJA SÃO PAULO - Atualizado em

Assembleia Metrô
Metroviários durante assembleia para decidir paralisação (Foto: Juliene Moretti/VEJA SP)

Os metroviários vão cruzar os braços a partir desta quinta-feira (5) pela amanhã. A decisão ocorreu em assembleia na sede do sindicato na noite desta quarta (4) e aconteceu após a categoria recusar a proposta de reajuste salarial oferecida pelo Metrô. A companhia subiu de 7,8% para 8,7% o aumento nos vencimentos, mas não houve acordo. No início das discussões, os metroviários exigiam incremento de 35,47%, agora cobram 6,5%, além de outros benefícios. Uma nova reunião para decidir a manutenção da paralisação será realizada amanhã, às 17h.

A mobilização deve afetar cerca de 4 milhões de usuários da rede, com as paradas das linhas 1-Azul, linha 2-Verde, linha 3-Vermelha e linha 5-Lilás. A linha 4-Amarela, operada pela ViaQuatro, afirmou que manterá sua operação normalmente.

O Tribunal Regional do Trabalho concedeu, na noite desta quarta-feira, liminar que determina a manutenção de 100% do funcionamento do Metrô nos horários de pico (das 6h às 9h e das 16h às 19h) e de 70% nos demais horários de operação nesta quinta-feira. O descumprimento da ordem judicial culminará em aplicação de multa diária de R$ 100.000. Uma nova reunião de conciliação está marcada para amanhã, às 15h30.  

Na noite de ontem, o presidente do sindicato dos metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior, afirmou, que mesmo com liminar da Justiça, seria mantida a mobilização e qualquer decisão seria tomada na assembleia às 17 horas.

Por causa da greve, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) liberou o rodízio de veículos. Amanhã estariam proibidos de circular, das 7 horas às 10 horas e das 17 horas às 20 horas, os carros de placa com final 7 e 8.

A CPTM, que opera a rede de trens da capital, também promoveu mudanças em suas linhas. A estação Corinthians-Itaquera da CPTM estará fechada para embarque e desembarque enquanto durar a paralisação do metroviários. Portanto, os trens do Expresso Leste não farão parada nessa estação. A companhia já pedoiu a SPTrans a alteração do itinerário dos ônibus com destino à Corinthians-Itaquera. A operação da Linha 7-Rubi (Luz - Francisco Morato) será estendida até a estação Brás.

Segundo a CPTM, a integração com o metrô nas estações de transferência (Palmeira-Barra Funda, Brás, Tamanduateí, Santo Amaro, Tatuapé e Luz - só para a Linha 1-Azul) ficará fechada até que se inicie a circulação dos trens. A integração com a Linha 4-Amarela, nas estações Pinheiros e Luz, funcionará normalmente.

DECISÃO DOS METROVIÁRIOS

Após uma reunião de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho na tarde de quarta (4), que terminou sem acordo, o sindicato, que representa funcionários do Metrô nas linhas 1, 2, 3 e 5 da cidade, continuava a defender o início da greve.

Prazeres Júnior afirmou que o Metrô não avançou em quase nada. "Só subiu um pouco o reajuste, mas não apresentou nada sobre outros itens importantes, como plano de carreira”, disse. “Com essa proposta, é greve."

Nesta manhã, os metroviários usaram o sistema de som dos vagões para anunciar a provável paralisação. Os trabalhadores também entregaram panfletos para os passageiros e utilizaram coletes com as inscrições "transporte padrão Fifa". Na Linha 2-Verde, por volta das 8h30, os alto falantes dos trens anunciavam que a categoria está em campanha salarial e pedia a valorização dos trabalhadores.

Na Linha 1-Azul, o mesmo discurso: "Estamos dispostos a fazer 'catraca livre', só depende do governo do Estado", dizia o condutor sobre a possibilidade de liberar os bloqueios das estações para que passageiros usem o transporte sem pagar.

Ainda na quarta, por volta das 10h, representantes da categoria fizeram um ato na Praça da Sé, ocupando as escadarias da catedral. Alguns metroviários chegaram a usar panos para cobrir o rosto, lembrando os black blocs, que realizaram manifestações recentes na cidade.

Fonte: VEJA SÃO PAULO