Transporte

Metrô: trens novos são até dezessete centímetros mais baixos

Parte da população deve ter problemas para viajar

Por: Caio Barretto Briso - Atualizado em

Se você, como eu, tem 1,90 metro (ou mais) e usa o metrô, cuidado com a cabeça. E também com o pescoço, os ombros e a coluna vertebral, as regiões do corpo mais afetadas pelas dimensões de quatro trens que acabam de entrar em operação na Linha 2 - Verde. Para que os vagões comportassem um equipamento de ar condicionado, suas extremidades foram reduzidas. Passaram a ter, em seu ponto mais baixo, 1,91 metro de altura, 17 centímetros a menos que os antigos vagões. Viajar de pé ali não vai ser muito agradável para os cerca de 460 000 paulistanos com mais de 1,80 metro (segundo o IBGE, é essa a altura de 4,2% dos moradores da cidade de São Paulo). Esse número não leva em conta as mulheres altas que usam salto, como a modelo Sintia Grasel, contratada por VEJA SÃO PAULO para testar comigo os novos vagões. "Vou começar a sair de casa de tênis e só trocar o calçado quando deixar o metrô", disse ela, no último dia 9.

Como mostra a foto acima, nossas cabeças ficaram encostadas no teto. Sintia até precisou se encolher. O "pega-mão", estrutura de metal em que os passageiros se seguram, tem 1,80 metro de altura. Para quem é alto, qualquer solavanco ou freada pode resultar num galo. Durante a viagem, para nos movimentarmos com segurança, fomos obrigados a curvar um pouco o pescoço. Tive de manter os joelhos flexionados e, ao sair do trem, senti dores no pescoço e na região lombar da coluna. Na Linha 2 o trajeto tem 10,7 quilômetros e dura apenas dezoito minutos. Imagine o desconforto para os passageiros mais compridos nas linhas 1 - Azul e 3 - Vermelha, com 20 e 22 quilômetros de extensão, respectivamente. A partir do ano que vem, 47 novos trens como o que peguei passarão a circular por elas.

O Metrô afirma que levou em consideração a altura média do brasileiro fornecida pelo IBGE - 1,69 metro para os homens e 1,58 metro para as mulheres. Também ressalta que só em 6 metros dos 22 metros de comprimento dos vagões a altura foi reduzida. As portas, de 1,3 metro de largura, ganharam outros 30 centímetros, mudança que ajuda nos horários de pico. A colocação de ar-condicionado, que mantém a temperatura ambiente em 23 graus, pode ser um ganho e tanto. Para nós, grandões, é o equivalente a trocar uma dor de cabeça, literalmente, por outra.

Fonte: VEJA SÃO PAULO